domingo, 30 de setembro de 2007

Fogo de Outono



Foto Jota Esse Erre

Sinais


Desenho Maturino Galvão

PSD (2)


Essa aventura tem o rosto de Menezes. Um homem que, perante as dificuldades de encontrar um discurso e uma via que recuperem o centro que Sócrates absorveu, promete, com estonteante leviandade, combater pela esquerda o "conservadorismo" do PS: pelo poder da rua e pelo investimento público. E como, nas grandes arrancadas para o poder, um político se define por quem mais cedo lhe deu a mão, não deixa de ser extraordinário que tão genuínos propósitos esquerdizantes se apoiem em Ângelo Correia, Arlindo de Carvalho, Mendes Bota, Martins da Cruz, Nuno Delerue e santanistas como Helena Lopes da Costa ou Rui Gomes da Silva (ou ainda Ribau Esteves, a revelação política da candidatura, que eu observei e anotei como uma das figuras salientes do posicionamento mais conservador no referendo ao aborto).
Nuno Brederode Santos, Diário de Notícias 30/09/2007

Leituras de Outono. Diplomacia, Doce e Amarga (1)


Quando cheguei a Macau comemorava-se não sei que data festiva e, no estilo dos países comunistas, assisti a um longo desfile cívico, em que se exibiram enormes retratos das grandes figuras do mundo comunista. Com espanto, vi desfilar, diante dos meus olhos, um retrato gigantesco de Karl Marx, seguido das efígies de Lenine. Staline, Mao Tse Tung e, para terminar ... Salazar!”
José Calvet de Magalhães


Aproveito e junto mais um.
Era também dançarino.

sábado, 29 de setembro de 2007

Birmânia : a paz dos cemitérios

A Junta militar no poder há 19 anos afogou em sangue revolta pacífica de todo um povo contra a carestia de vida

A China, que multiplica faraónicos investimentos na África Equatorial: mais de 15 biliões de dólares dados às autocracias de Angola e da RD do Congo, parece ter congelado todas as iniciativas diplomáticas para colocar os militares birmaneses em diálogo com a líder democrata, Suu Kyi. A repressão tem sido intensa e escandalosa deixando a classe política mundial incrédula.
O Financial Times e o NY Times tinham alvitrado uma intervenção discreta das autoridades de Pequim.
Tal não se consumou e desconhece-se mesmo o paradeiro da líder da Oposição, presa em residência fixa há mais de 15 anos. Pequim substitui a Tailândia, a Índia e a Holanda na exploração das riquezas mineiras - petróleo e gás - e madeiras preciosas. A realpolitik substituiu, mais uma vez, a defesa dos Direitos Humanos.
A Junta, que parecia dividida inicialmente face aos protestos da população e dos monges budistas, decidiu afogar em sangue o desespero da maioria da população, vítima de uma inflação galopante que multiplicou por cinco o preço da gasolina, o que fez disparar todos os preços. Há dez anos, tinha havido um levantamento geral contra a carestia de vida. Os militares envolveram-se em grandes operações imobiliárias e "inventaram" mesmo uma nova capital no centro do país, onde falta tudo para o quotidiano e não existe aeroporto. É o espelho de uma terrível ditadura, que sobrevive com a ajuda de Pequim e da sua homóloga tailandesa, de forma discricionária e sanguinária.
Desconhece-se o papel dos EUA e das pressões dos fóruns regionais ASEAN na inflexão de uma insustentável situação humana e social. A esperança de vida e o PIB per capita da Birmânia, outrora um eldorado da classe possidente holandesa e tailandesa, atingiram níveis alarmantes, apesar das receitas das exportações de matérias-primas terem crescido gradualmente nos últimos anos. Os analistas políticos citados pelo FTimes advogam, para ser possível encontrar uma solução política exequível, que se destaque um novo oficial da Junta, que tenha a coragem de negociar um acordo político com Aung Suu Kyi, mais cedo ou mais tarde. A não ser que aconteça o irremediável: cinco anos após uma tentativa de assassinato político, o opróbrio maior se consuma agora aos olhos do Mundo.

FAR

Sinais


Desenho Maturino Galvão

PSD (Expresso de 29/09/2007)

“O ‘mais português de todos os partidos’ sofre de crónicos males portugueses: a incapacidade de viver longe do poder e das suas benesses; a impaciência dos que acreditam que o sucesso não precisa de trabalho, tempo e talento; a tentação de imaginar que a agitação oca e a guerrilha permanente e sem sentido podem esconder a faltade substância das ideias e dos programas.”
Miguel Sousa Tavares

“ (...) Acima de tudo, a campanha mostrou – até pelo escassíssimo envolvimento da suposta ‘inteligentsia’ do partido – que o PSD não sabe o que fazer com Sócrates além de gritar muito com ele e de esperar que se estatele. É pouco como programa e, como estratégia, quase nada”
Fernando Madrinha

“Era esta a época que o Governo mais podia temer: ocupado pelos trabalhos da presidência da EU, a agenda do país sempre um pouco mais ao abandono, poderia a oposição aproveitar.
A oposição aproveitou para fazer umas eleições internas e os candidatos aproveitaram as eleições para se destruírem mutuamente. José Sócrates terá aproveitado a ocasião para se rir a bom rir.”
Editorial

Moscovo (13)



Foto FFC

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Comportamento desviante

Hoje, tive um comportamento desviante. Uma coisa gritante, mesmo fora da norma, do socialmente aceite.
Enquanto os alunos de primeiro ano, pessoas com 18 anos no mínimo, cantavam, devidamente pintados de figuras de desenhos animados (perdoem-me se não consegui fixar bem): Monstro das bolachas, enfia uma bolacha na racha e vem-te a pensar em mim!
Os outros, orquestrados pelos meus sábios colegas (que para o ano vão ser médicos), ripostavam: Pikatchu és um gay total! (a praxe tem esta componente fantástica e moderna: passou para a homofobia, ultrapassando o sexismo básico).
Eu e mais alguns não colaborámos. Ouvi bocas. Vens para aqui distribuir panfletos, mas não colaboras na recepção aos caloiros. Ser diferente é isto, é ouvir bocas dos normais. Os normais, que não fazem ideia do que é o Regulamento Jurídico para as Insituições do Ensino Superior. O mesmo regulamento que pode vir a privatizar o Ensino Superior e a fazer com que os alunos que eles tão educada e altruisticamente recebem possam vir a ter de pagar um montante exorbitante pelo sua educação. Quiçá, até pedir a um empréstimo. Mas, caramba, eu não me preocupei com eles, nem sabia as músicas, não pintei ninguém. Uma peça fora do baralho.
É um bocado surrealista, mas nem tudo é ironia no que escrevi. Fui mesmo posto de parte. Grande parte do meu ano (inclusive pessoas com quem me dou bem) ficou lixada comigo por sentirem que ali estava eu, de panfletos na mão, a interromper uma coisa importante, para o qual todos trabalharam. Todos. Todos os que não foram à manifestação contra o RJIES. Todos os que não levantaram um dedo para terem direito a Regulamento Interno (o que nos permite ter acesso a revisão de exames e afins). Os anormais são os dos panfletos. Mania que são bons e intelectuais. Mania que são diferentes.
Foi entediante, depois ponho aqui videos do circo.

Vergílio Ferreira : "Cheiriscar Palimpsestos"

Temos que estudar um facto político maior: J.M Júdice e Manuel Maria Carrilho estão entusiasmados com o estilo presidencialista abrangente de Nicolas Sarkozy. Júdice tem publicado alguns textos sobre a "Ruptura" sarkozista e MM Carrilho deu à estampa esta semana no D Notícias três artigos sobre o encantamento suscitado pelo novo PR francês em alguns sectores dos socialistas franceses. Sarkozy esconde um trabalhismo à francesa recauchutado e dinâmico, mas, é evidente, que só lhe interessa "seduzir" parte das élites dirigentes mais volúveis do PSF para alicerçar um novo mandato em 2012, claro. Mas, hoje, num PC alugado envio este fragmento do Para Sempre, de Vergilio Ferreira, onde este mostrou toda a sua superlativa técnica e audácia.


"O tempo do livro é o tempo do artesanato. Coisa destinada a um indivíduo, fabricada com vagares, consumida com vagares. Não temos vagar, estamos cheios de pressa. O tempo do livro- o das saias compridas, do coco e da bengala, dos espartilhos com varas de baleia, dos colarinhos engomados até ao queixo. Tu usas ainda bengala?
O tempo do livro é o do candeeiro de petróleo, o das meias de algodão feitas em casa à agulha, o das papas de linhaça e do óleo de fígado bacalhau. O das ceroulas compridas com atilhos. É o tempo dos botins e das cuias, dos palitos para palitar os dentes depois da sobremesa. O tempo das perucas, das lamparinas e dos penicos."

"O tempo do livro é o tempo da morte e nós estamos vivos e cheios de coisas para fazer. O tempo do livro é o da imaginação trabalhosa e nós estamos cheios de realidade. Descreve esta sala e vê o tempo que se leva, tu a escreveres e eu a ler. Mas eu olho a sala e sei logo tudo. O tempo do livro é o do carro de bois."

Tempo e Livro (págs.82 a 84)

FAR

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Ri-te, ri-te


Tem piada a revolucão. Che Guevara.

Arquivo Jota Esse Erre

Do jornalismo a recibo verde

João Pacheco, jornalista do Público, ao ganhar o prémio revelação de Jornalismo Gazeta 2006, e na presença do Presidente da República e do ministro Santos Silva, disse isto:

«Não sei se é costume dedicar-se este prémio a alguém. mas vou dedicá-lo. A todos os jornalistas precários.
Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato. Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença, nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos.
Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada – no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais – o que está em causa é a democracia. E no caso específico do jornalismo está em risco a liberdade de imprensa.»


O seu discurso integral aqui.

(Via Arrastão)

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Touro Sentado


Tantanka Yotanka, conhecido pela brancalhada como Touro Sentado. Feiticeiro índio. Unificou os Araphoes, Cheyennes e Sioux para enfrentarem o General Custer na batalha de Little Big Horn, a grande vitória das nações índias. Fugiu para o Canadá. Morto a 15 Dezembro de 1890 quando resistiu a uma ordem de prisão de forças americanas.

Arquivo Jota Esse Erre

Revista de humor blogosférico

Num passeio virtual pela blogosfera lusa reparei que o momento convida ao riso:

No Cinco Dias, somos apresentados com pompa a um dos principais fenómenos das caixas de comentários, o "Lidador" (e eu, curiosamente, já tinha pensado um destes dias destacá-lo). O "Lidador" é um cruzado contra a Esquerda de má qualidade, péssimos fígados e imenso ressentimento. Como não podia deixar de ser, esta mistura produz momentos como este:

No 25 Centimetros de Neve um dos mais interessantes e reveladores momentos do debate parlamentar português, que começa assim:


E vai subindo até à estratosfera do surrealismo.

domingo, 23 de setembro de 2007

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Pintura João de Azevedo

The African Art Scenes: Mozambique




Sérgio Santimano




no dia 1 de Outubro




em Berlim




The African Art Scenes: Mozambique
Panel in English

This panel is thought to reflect about the role of visual art in Mozambique and its function in the processes of societal transformation. In all its complexity, art worked and works as a mirror of the striving for new strategies of defining a country, tradition, identity and multiculturality. Its function as a platform for and mirror of societal discourse can be traced to the support it has received from and its presentation in national art institutions. This panel’s aim is to shed light on the art scene of Mozambique and discuss its international perception.

(in cooperation with and supported by FACE and the Gulbenkian Foundation)

with:
Dr. Alda Costa, General Director of the Museums of Mozambique
Angela Ferrerira, Artist, Lissabon
José Fernandes-Dias, Advisor of artafrica Website, Gulbenkian Foundation, Lisbon
Sergio Santimano, Artist from Mozambique, Uppsala
Moderation: Sabine Vogel, Journalist, Berlin

art-forum-berlin

sábado, 22 de setembro de 2007

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Billy The Kid


William Bonney, também conhecido por Billy The Kid. Matou 21 homens nos seus curtos 21 anos de vida. Foi morto pelo sheriff Pat Garret a 19 de Julho de 1881.

Arquivo Jota Esse Erre

Conversas em família



Com a devida vénia ao SÁBIIITUUUDO

Biografia gigante de Deleuze e Guattari

Acaba de sair em Paris, Éditions La Découverte, a primeira Biografia Cruzada sobre os dois pensadores-farol de Maio 68. François Dosse elaborou um trabalho piramidal e de rara profundidade. Não esconde nenhuma realidade política e intelectual dos dois sátiros de alta voltagem do establishment parisiense, Muitas histórias e sobretudo uma fabulosa arqueologia do pensamento radical. Sabe-se como Deleuze se fascinou pelo agir de Sartre como filósofo, e também da paixão pela filosofia deEspinosa, Nietzsche, etc. E como veio a defender a Al Fath, ou o Gip de Foucault e Mauriac Filho... Guattari veio da mouvance comunista e ultrapassou a Psicanálise institucional por contágio radical com Laing, Cooper e os esquerdistas "normaliens" que acreditaram na nova leitura de Freud realizada por Lacan e seus colaboradores. Dosse "mergulha" e revela-nos em espiral a "maceração" dos conceitos. E como se sabe, um conceito é uma arma contra a laracha e a obscena anedota trabalhada pela ideologia dominante. Tudo leva a crer, convenhamos, que se trata de um dos grandes acontecimentos literários da rentrée francesa deste ano.


FAR

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Da Capital do Império

Olá,

Hoje escrevo-vos mais rapidamente do que o costume porque como o Kouchner está por estas bandas aumentou a legitimidade da pergunta de um dos leitores da minha última carta que queria saber se eu sei quando é que os Estados Unidos vão atacar o Irão.
Isto porque como vocês sabem foi o Kouchner que recentemente causou palpitações através do mundo quando disse que com o Irão a escolha é simples: Ou sim ou sopapos. Presumo que o o Kouchner veio aqui para discutir, entre outras coisas a possibilidade de ter que se escolher a segunda opção.
O irónico de tudo isto é que desta vez teve que ser Washington a dizer que não, não é bem assim, não só mas também etc.
Mas, para responder directamente à pergunta do amigo que queria saber se os EUA vão ou não bombardear os ayatollahs a resposta é simples: não sei e não creio que neste momento haja alguém que saiba porque tal a decisão (ainda?) não foi tomada.
O que sei é que o Pentágono tem planos prontos. Não porque tenha alguma garganta funda dentro do referido edifício mas sim porque as autoridades militares americanas já o confirmaram há vários meses afirmando que o Pentágono tem planos para “eventualidades” em várias partes do mundo pois… homem prevenido vale por dois e ao fim e ao cabo é para isso que se paga aqueles generais todos
Mas o que eu vos posso dizer é que se houver um ataque ao Irão não esperem uma operação cirúrgica, tipo ataque israelita ao complexo nuclear do Saddam Hussein ou tipo recente ataque ao armazém de armas norte-coreanas acabadas de chegar num navio com a bandeira falsa da Coreia do Sul (O querido líder tem lata!) ao país do Jovem Assad.
O que se pode esperar em caso de ataque ao Irão é isto: Pelo menos 30 dias de bombardeamentos como nunca foram vistos anteriormente. Isto porque seria loucura bombardear os complexos nucleares e depois esperar que os ayatollahs virassem pacifistas e começassem a cantar Grândola Vila Morena terra da fraternidade e propusessem a paz universal.
Assim serão precisos muitos dias para atacar e destruir não só os referidos complexos nucleares (espalhados pelo pais) mas também todos os centros de comando, comunicações, posições de radar, bases aéreas, bases navais e complexos importantes da Guarda Revolucionaria e exercito
Esses bombardeamento usariam (usarão?) todo o tipo de mísseis vistos e não vistos, B-52, B-1 e ainda o possível uso de forças especiais pelo deserto adentro para levar a cabo algumas operações cirúrgicas.
Mas a pergunta que importa fazer ao Kouchner e aos Yankees é esta: E depois de se arrasar o Irão em um mês ou se for necessário destruir totalmente o pais em 35 dias o que fazer?
O que fazer quando os tipos de pneu de lambreta na cabeça no Líbano começarem a disparar Katyushas e outras coisas sobre Israel? Ou quando os tipos de pneu de lambreta na cabeça do Iraque começarem uma ofensiva no sul e Bagdad? Trazer de volta a Guarda Republicana do Saddam? O que fazer com o Irão destruído? Ocupá-lo? Com que tropas? Francesas?
O Iraque ensina que se os Estados Unidos têm hoje a força e os meios para derrotar qualquer força numa guerra convencional não têm a capacidade para ocupar e construir um pais. Essa capacidade acabou no Japão e Alemanha no final da segunda guerra mundial. Poderiam repetir isso mas não há vontade política para tal. Hoje os Estados Unidos têm no Iraque tantos homens como Portugal tinha no auge da guerra colonial em África e não têm capacidade nem a vontade para os manter lá por tempo indefinido.
O que levanta certas perguntas. Como aquelas sobre o Irão. O que leva também àquela frase do Napoleão que todos deviam aprender na primeira aula de estratégia militar e que espero o Kouchner conheça: “Se se decidir tomar Viena então é preciso ocupar Viena”.

Abraços,
Da Capital do Império,

Jota Esse Erre

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Aforismos liberais (7)

Os gestores e administradores põem sempre os interesses da empresa acima dos seus interesses pessoais, de outro modo são, mais cedo ou mais tarde, postos de lado pelo mercado.

Como aliás se pode depreender da notícia do Público de 4ª feira (sem link), relativa à greve dos trabalhadores da Valorsul. Lá está escrito, por A mais B: os valorosos administradores, enquanto aplicam planos draconianos "para a sobrevivência da empresa", recusando aumentos e retirando direitos assinados em acordo, aumentaram-se a si próprios em 30 por cento, o que é, evidentemente, trabalhar para o interesse da empresa (eu explico: para que um administrador possa planear bem, e pensar em boas estratégias, convém que esteja repousado, feliz e relaxado, ou seja, que tenha massa suficiente para umas boas férias nas Mauricias, uns jantares de qualidade e umas valentes partidas de golfe. Tudo a bem da empresa, que é o mesmo que dizer, no interesse dos próprios trabalhadores - verificar o aforismo anterior).

Não sei muito bem porquê, mas gostava de saber o que é que os "liberais" tem a dizer sobre isto.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Sinais


Desenho Maturino Galvão

De uma exposição de Luís Abelard e Sérgio Santimano, na rua das Arcadas, na Ilha de Moçambique




“A opção de fazer fora foi muito boa, pois toda a gente viu, comentou e gostou. Para além disso, ao fazer cá fora, houve necessidade de fazer a recuperação das arcadas. Como podes ver nas fotos foram todas raspadas e pintadas tendo deixado toda a gente contente.
(..)
Risotas, comentários e referências eram o que mais se ouvia. Como sabes todo o mundo passa pelas arcadas. Assim que comecei a colocar as fotos começaram a aparecer, primeiro os miúdos, depois os graúdos, a espreitar e a comentar "Essa é aquela que vive ali atrás..." etc.
Luís Abelard, em mail, para Sérgio Santimano

Presta-se também o devido tributo ao Ma-Schamba

terça-feira, 18 de setembro de 2007

TERRA

Somewildwish /12 (2000 e...)

Como um cristal...

A uma Amiga



Em ti, as lágrimas são da dureza de cristais irregulares
de arestas cortantes, escarpadas.

Danças nua, nos teus sonhos agitados, sobre areias.
Um redemoinho louco e entontecido a esmagar grãos sonolentos da beira do mar.

Pede paz o teu corpo,
uma trégua que seja...

Um espreitar de amanhecer que traga um novo brilho,
que nos devolva a todos a doçura
de alguém que não amarga...

Flor a despontar, luz na escuridão, sorriso na tristeza...
Um cristal de formas definidas, perfeitas.
Um horizonte límpido entrevisto pela janela de um feliz acordar.

Sem arestas.
Em paz.

Assim te queremos.

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Pintura João de Azevedo

PROLONGAVAM-SE OS DIAS

Prolongavam-
-se os dias para além do Outono
Era um tempo de jovens coloridos
mar
de navios espalhados em manchas claras
poisavam as gaivotas
à nossa beira
num silêncio contaminador
estonteante
Reparei nessa altura na pureza das bicicletas
permitem ouvir as ondas
o som mais breve
a mais perfeita respiração.

Mário Machado Fraião

O progresso


A zona entre a Comporta e Melides, um verdadeiro paraíso natural, que tenho a sorte de conhecer a fundo e frequentar, vai experimentar, a breve prazo, o "progresso". Nestes quilómetros e quilómetros de praias quase desertas, dunas, sapais, lagoas, pinhais, acabaram de ser aprovados nada mais que três projectos de urbanizações túristicas: Comporta, Pinheirinho e Melides. Seis mil camas e quatro campos de golfe, turismo "de qualidade", claro está. Para quem possa pagar, e goste desse tipo de "qualidade de vida". Curiosamente, numa zona também conhecida por tipos de vida "alternativos": alemães, franceses, portugueses, que escolheram uma vida simples, modesta, junto da natureza, perdem todo um mundo. As magnificas noites da praia de Melides, no sr. António, onde se pode estar às uma da manhã e de repente entrar um quarteto com um violino, contrabaixo, sanfona e caixa e ficar até de manhã a cantar e dançar, as festas na mata, tudo isso será trocado por insonssos apoios de praia, aldeamento fechados à chave para aqueles que não gostam de se misturar, e campos de golfe, que os ricos também precisam de relaxar.

Deve ser a isso que chamam o progresso.

Aforismos liberais (6)

Se analisarmos a fundo, vemos que o interesse do produtor é o mesmo que o do intermediário e o do consumidor. Idem para os patrões e os trabalhadores.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Espelhismos sociais

Por que não, entrada de escola ? Será mais motivante a saída ?

Sinais


Desenho Maturino Galvão

PS francês lança refundação sem peias

Depois da profunda alteração da Esquerda italiana, os socialistas franceses abriram o debate para erguer alternativas ao sistema presidencialista incarnado por Nicolas Sarkozy

Este fim-de-semana decorre, em Grenoble, um grande Fórum multipartidário, levado a cabo pela iniciativa do Libération. São três dias de debates intensos e onde vai estar a nata dos estrategos dos grandes partidos da França. Antecipando tal iniciativa, Michel Rocard precisou numa entrevista ao JD Dimanche, o que ele entende que deve ser alterado. Tomemos nota dos cinco pontos essenciais que apontou para o debate: 1) "Não há alternativa à economia de mercado. Grande parte dos problemas do PSF derivam da ambiguidade com que ele trata essa questão. Por isso, temos que saber adaptar essa questão da melhor maneira e manejá-la"; 2) "O que há a apurar da última eleição presidencial reside no facto dos pequenos partidos terem sido laminados"; 3) "Não se sabe o que será o partido, Movimento Democrático, (de Bayrou), e não devemos fazer caso disso. Uma aliança com esse movimento não é uma alternativa obrigatória. A prioridade não está em reflectir sobre estratégias de aliança, mas sim, em encontrar uma capacidade em formular um projecto credível. E isso não depende senão de nós próprios" ; 4) "Um partido não é um regimento. O PS deve ser um lugar de expressão total" ; 5) ."Não se deve esconder o mau bocado por que passa o PS. Não devemos subestimar a legitimidade que temos perante a história. Por isso não concordo com a mudança de nome. O socialismo permanece um grande nome - e eu aposto nele".

FAR

O sol nasce na capital do Império


Monumento a Washington. Washington. EUA. 2007

Foto Jota Esse Erre

Porto- Ensino Artístico

Está em marcha mais uma operação da treta.
Um encontro ao mais alto nível com o patrocínio estatal - ME e MC - sobre algo que não existe ou que sobrevive no sistema de ensino público em Portugal: o ensino artístico.
Será por Outubro. E trata-se de uma refinadíssima mentira e de uma tremendíssima despesa desnecessária.
Não há, actualmente, no nosso sistema de ensino público nada (ou quase nada) que tenha a ver com o ensino artístico. Senão vejamos: Pré- escolar: 0; 1º ciclo do ensino básico: 0 (ou as chamadas AEC que, na prática equivalerão a 0); 2º ciclo do ensino básico: EVT e EM (são curriculares...); 3º ciclo: existem opções que são oferta de Escola e que, nem sempre, têm que ver com o ensino artístico...; Secundário: 0 (à excepção de alguns cursos profissionais...).
Um futuro cidadão deste país, membro da União Europeia, frequenta a escola pública e tudo lhe passa ao lado: a Língua Materna, a Matemática e até as Artes.
Sendo assim, nunca haveria lugar para tão pomposa reunião. Discutir o quê? Com quem? A APROTED vai estar?...
Restar-lhe-á ir ao Porto, local onde decorrerá o evento supra-citado, e tentar uma entrada no Rivoli.
Pacífica, claro.
"Hossana, ei, etc."
Assiste ao musical e acha tudo muito bem.

domingo, 16 de setembro de 2007

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Moscovo (9)


Moscovo. Rússia. 2007

Foto FFC

Da Capital do Império

Olá,

Vocês vão ter que me desculpar o longo silêncio. Mas como vocês sabem escrever cansa e eu prefiro descansar … lendo o que os outros escrevem.
De qualquer modo não pude resistir a ter que vos dar as últimas sobre a cimeira George/José a realizar-se segunda-feira na Casa Branca.
Em primeiro lugar tenho a dizer-vos que os “Yankees” insistiram em chamar à cimeira uma “reunião de trabalho” o que aparentemente causou alguma confusão aí do outro lado do charco.
“Trabalho? O que é isso?” foi a resposta que aparentemente foi dada por uma “destacada entidade” do governo Xuxa quando foi informado por um representante da embaixada da Lusitânia sobre o título oficial do encontro.
Depois mais confusão houve quando na quinta-feira os “yankees”’ informaram a malta da Lusitânia que havia que antecipar o encontro por 10 minutos. Aparentemente houve uma certa incredulidade por parte da diplomacia lusitana para quem – segundo me disseram – “mais dez minutos menos dez minutos” não chateia ninguém. Ou como disse alguém do governo Xuxa: “lá estão esses gajos com americanices”.
A minha fonte – de “alto nível” – manifestou certo nervosismo de que a “empatia” ou como dizem os “Yankees” a “química” entre o José e o George possa não ser boa o que pode estragar tudo. Como vocês se lembram o George dava-se muito bem com o outro José, aquele que é agora presidente da CÊ IÉ IÉ e cujo nome durante a recente cimeira do G 8 um jornalista romeno confundiu com a quiçá melhor região vinícola de Itália e insistiu por isso em chamá-lo Presidente Barolo. Durante dias não se falou doutra coisa …
Como vocês se devem lembrar antes do Barolo ter sido promovido para presidente de um país que não existe ele foi chefe dos lusitanos e dava-se muito bem como o George. Ambos tratam-se pelo primeiro nome e aparentemente quando se encontram estão sempre a contar anedotas um ao outro.
Vamos a ver se no fim da reunião o George trata o Sócrates por José embora eu receie que se isso acontecer o George acabe por confundir os nomes. Ainda por cima um José é presidente da Cê Ié Ié e o outro José é presidente “rotativo” da mesma Cê Ié Ié. Vocês têm que admitir que isso, mesmo sem ter em conta o Bush, é um pouco confuso embora me tenha sido explicado que é tudo muito simples: Um administra “tachos” o outro “problemas a curto prazo e alguns tachos”.
Aparentemente o José (o “rotativo”) quer em primeiro lugar discutir o Kosovo. Como vocês sabem o problema com os Balcãs é que os insoletráveis e os impronunciáveis produzem mais história do que conseguem consumir e aparentemente os impronunciáveis não estão a gostar nada da ideia de dar a independência aos insoletráveis no Kosovo
Fique impressionado com o facto do José (o “rotativo”) querer discutir isto com o George porque demonstra um certo cuidado senão mesmo uma certa acuidade política que – como disse o Bismarck - não passa da capacidade de ouvir o cavalgar distante da história antes dos outros.
Demonstra também que o José (o “rotativo”) sabe que tem que garantir que se houver batatada entre os impronunciáveis e os insoletráveis os americanos estarão lá para garantir que apanha tudo porrada. Aparentemente aí nos corredores de Bruxelas anda tudo à rasca porque como a situação no Iraque não pode ser desfodida há receios aí desse lado do charco que se houver batatada nos Balcãs os Yankees não tenham meios ou vontade para pôr os indígenas na ordem como aconteceu da última vez. (sem autorização da ONU mas com aplauso da Europa!)
O que me fez lembrar uma visita que o Jaime Gama (lembram-se dele?) fez aqui à Capital do Império quando o George foi eleito pela primeira vez já lá vão sete anos. O Gama vaio aqui a correr logo após o George ter sido eleito sob promessa de não envolver tropas americanas na “construção de nações” e lembro-me de que o Gama deu uma conferência de imprensa após conversações com o Powell (lembram-se dele?) todo satisfeito porque este lhe havia prometido que os Estados Unidos iriam continuar envolvidos nos Balcãs.
Se volvidos estes anos todos a NATO e os EUA continuam ainda a ter que garantir a “paz” entre os insoletráveis e os impronunciáveis nos Balcãs imaginem quanto tempo isso vai levar para garantir a paz entre os Ahmed que consideram Maomé profeta e os Amhed que consideram Maomé profeta. E então se os Khomeinis e Khameinis se envolverem a sério….
Eu sei que as superpotências – como disse um general romano cujo nome já não me lembro – não se devem envolver em guerras entre tribos, mas o problema é que na vida real e principalmente no topo raramente a escolha é entre o que é bom e o que é mau, mas sim entre o que é mau e o que é pior.
O José sabe disso: O mau é os insoletráveis andarem outra vez à porrada com os impronunciáveis. O pior é eles andarem à porrada e os Yankees virarem as costas.
Antes de terminar tenho a dizer-vos que ninguém aqui quer saber do encontro entre o George e o José. Da embaixada da Lusitânia disseram-se que só recebem telefonemas dos jornais a perguntar pela Madeleine e a PJ.
Abraços,

Da capital do Império,

Jota Esse Erre

sábado, 15 de setembro de 2007

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Das coisas que me disseste

Das coisas que me disseste
a probabilidade
o mito e o logos
o mais fácil era o azulejo
ali por baixo do Aqueduto e que não gostavas
Tão cedo
chegaste
e foi para me avisares
do teu gosto felino
o teu rosto pintado
os dedos frios e vermelhos sobre o café
Por isso tivemos o tempo a passar
embora saiba
desde sempre
que o barco é leve como o vento
quando entramos devagar sobre as águas claras

Mário Machado Fraião

Pintura João de Azevedo

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A fenda de Tundavala

Estes são para a Gabriela

Poder dizer amanhã
o prazer de dizer que é para amanhã.

Comprazer-se de dizer amanhã.

Quando digo 'até amanhã'
conservo a esperança de acordar no dia seguinte.

Saber que sou eu e que estou cá.
(Aqui é onde me puseram, mas isso é outra história...).

Amanhã é eu estar frente às pernas escancaradas da fenda de Tundavala
o abismo
a vertigem
o olhar deslumbrado-assustado.
Em Tundavala cheirando o ar que pressinto frio da fenda.

O abismo num desafio de pernas abertas.
Amanhã...

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Vergílio Ferreira: O imaginário da felicidade


Pequeno excerto de um grande romance-tese de um dos maiores escritores portugueses do séc.XX. Autêntico poema em prosa de rara beleza e intensidade sublime. A ler, sem hesitar.

"Como se é feliz na felicidade imaginada de quando se imagina que se foi. E todavia, o imaginário, que é onde a felicidade está, estava ainda em ti antes de se reabsorver na realidade do teu corpo, vibrava ainda à tua volta e era à sua vibração como de uma febre que eu ainda estremecia. Às vezes o frémito à tua volta refluía à estrita realidade de ti, aos poros visivéis da tua pele, aos cremes e tintas visivéis da tua face, à tua mão de ossos e pele.E eu olhava-te então a distância, para te distanciar de mim. E olhava-te lá diluída e confusa. E regressava a ti como uma impossibilidade, e tu estavas lá e eu era feliz outra vez. E ajudavas a essa reinvenção de ti porque falavas pouco, palavras breves,certíssimas, e cobrias entre elas o espaço da indecisão, do subentendido, do oculto indevassável e eu amava-te terrivelmente outra vez no delírio da minha imaginação.Porque nunca houve em ti a expansão em que tudo se extravasa e torna tudo real sem nada de reserva e de intocável: Nunca foste natural até à naturalidade em que existia o teu corpo visível e tocável e redutível ao imediato da fisiologia. Porque essa mesma fisiologia te era como se a furtasses ao meu domínio e conhecimento, mesmo quando te conhecia desde a fuidez íntima de ti, do mais recôndito e proibido de ti. Qualquer coisa me furtavas sempre e ficavas inteira na tua inviolabilidade reclusa, no teu mistério por desvendar e eu não sabia o que era".

In Vergílio Ferreira, Para sempre, Bertrand Editores

FAR

Para bem programar as férias


Drugs
High prices

THE costliest place in the world to get high is Japan, according to the United Nations Office of Drugs and Crime's annual World Drug Report. The street price of a gram of cannabis weed was $58.30 in 2005, over twice as much as in the next most expensive nation, Australia. Americans pay nearly twice as much as Canadians. Similar disparities occur in Europe. Although the Netherlands is the only Western country where cannabis can be bought legally, punters pay more there than in Germany or France. Prices are cheapest in developing countries, where enforcement is less strict.
Sep 12th 2007
From Economist.com

O Outono

O Outono chega sempre na mesma altura
celebram as aldeias
Parto para esses sítios
onde irei rejeitar
todas as manhãs
os convites de alguns caçadores
os seus pássaros estilhaçados
-- Vai chover!
Tão inesperadamente
como o apito de um navio
Já nem sabia como era
nem
dos sinais que permanecem
por quantas gerações numerosas e dispersas
O azul é outro
andam as estrelas cintilantes pelos seus ardentes
(milhões de anos
O Outono chega sempre


Mário Machado Fraião

O pintor deve ter sido um freak


Pintura em igreja. Dinamarca. 2007

Foto Jota Esse Erre

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Mambo 25

Um vento arrojado, uma piroga desenfreada para nenhures, uma "trovoada" estilo rebentamento, um adeus digno de tremores de trem pesado, uma asa esgaseadamente feliz, que afinal saiba o caminho para um mundo prioritariamente hedonista... abundante em sensíveis espantos.

Cansam por demais, o bom senso do puritanismo e as regras sem inteligência! Que pena, esta terra à beira mar afundada em razões.

Maria, antes a loucura e a boa morte, aquela de quem viveu..

Sinais


Desenho Maturino Galvão