sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Sinais


Desenho Maturino Galvão

O essencial é ter o vento

O essencial é ter o vento.
Compra-o; compra-o depressa,
A qualquer preço.
Dá por ele um princípio, uma ideia,
Uma dúzia ou mesmo dúzia e meia
Dos teus melhores amigos, mas compra-o.
Outros menos sagazes
E mais convencionais,
Te dirão que o preciso, o urgente,
É ser o jogador mais influente
Dum trust de petróleo ou de carvão.
Eu não:
O essencial é ter o vento.
E agora que o Outono se insinua
No cadáver das folhas
Que atapeta a rua
E o grande vento afina a voz
Para requiem do Verão,
A baixa é certa.
Compra-o; mas compra-o todo,
De modo
Que não fique sopro ou brisa
Nas mãos dum concorrente
Incompetente.

Reinaldo Ferreira

Moscovo (5)


Moscovo. Rússia. 2007

Foto FFC

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O novo Marxismo dá cartas

Pfeffer-Korn lança novo livro para impor a teoria marxista da Luta de Classes sem correntes burocráticas e tiques de aparelho estalinista. Leia tudo, clicando aqui...

O fim do comunismo soviético, a prolongada agonia do sindicalismo e o renascimento dos movimentos libertários iam acabando por enviar o Marxismo para o caixote do lixo da História. Houve sempre uns corifeus que o defendiam, jogando as teses do novo Karl contra as da maturidade, actualizando o legado teórico da crítica da economia capitalista e perspectivando a dimensão filosófica crítica perante Hegel e seus apaniguados.

Como assinala o Prof. de Estrasburgo, "depois da segunda parte da década de 90, a sua obra (Marx) foi libertada progressivamente dos espartilhos positivista e estruturalista nos quais o tinham enterrado algumas leituras redutoras.(...) Nos últimos anos, um grande número de trabalhos de filósofos e de sociólogos contribuíram para reler a obra de Marx, valorizando a sua coerência desembaraçada das deformações, das simplificações ou das interpretações problemáticas".

"O questionamento do "Estado Social", a promoção do mercado como instância última de regulação compensada eventualmente pela acção caritativa e a subida do individualismo contratual não deixaram de influenciar as leituras propostas sobre a estrutura social. Na vulgata liberal, num mercado há indivíduos atomizados, compradores e vendedores, eventualmente negociadores ou proponentes, mas não existem classes sociais. O forte crescendo das desigualdades sociais, desde o princípio dos anos 80; e a renovação dos conflitos sociais, conduziram uma parte crescente dos sociólogos a (re)tomar a sério as análises em termos de classe e a abandonar a lengalenga dos conceitos da individualização do social", diz o sociólogo. Que tem lançado, a nível individual e com êxito, as análises de géneros, nomeadamente, sobre as relações sociais de "sexo" bem como de "geração", de impacto ainda reduzido ao campo dos "estudos feministas".


FAR

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Nice

Nice /7 2007

Nice, Hotel Negresco/6 2007

segunda-feira, 27 de agosto de 2007


Pintura João de Azevedo

Ânfora fui

Ânfora fui;
O seu cadáver sou.

Emparedada aqui neste museu,
Pasto do pó e dos olhares
Que não perscrutam minha mágoa,
Eu sou quem fui,
Menos o fim que alguém me deu,
De conter vinho e mel e água ...

Enfim, eu não sou nada,
Que há muito já se não propaga a mim
O calor de uma anca,
E o meu fresco conteúdo
Não encontra uma boca
E uma sede não estanca.

Do oleiro que me fez
-- A poeira, talvez,
Dispersa e reunida,
A contenha outra vida
Ou outra ânfora ... –
Nem memória persiste do seu nome.

Reinaldo Ferreira

Sinais


Desenho Maturino Galvão

domingo, 26 de agosto de 2007

Pintura em azulejo /1 - 2001

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Moscovo (3)


Rua Old Arbart. Moscovo. Rússia. 2007

Foto FFC

A tentação de Nietzsche: alguns dados

Bataille e Heidegger, Deleuze e Rorty ou Foucault ajudam-nos a pensar a tentação de Zarathustra, inexpugnável libelo contra a filosofia idealista de Sócrates, Descartes e Hegel.

Ninguém pode ter a estulta pretensão de ter lido " todo " Nietzsche, a não ser que se tenha perdido nos meandros da mais abjecta das senilidades. A obra do genial demiurgo ergue-se pela radicalização da noção kantiana de síntese, onde o idealismo e a moral se postulam como marcas da ontologia metafísica mais inoperante. Aprofundando o anti-transcendentalismo de Schopenhauer e Kierkegaard, Nietzsche tentou fazer o contrário da apóstrofe de Hegel sobre a filosofia: "Deter o seu tempo no pensamento".

Datam de 1919 as primeiras traduções francesas da obra irregular e assimétrica, contraditória e ambiciosa de Nietzsche. Mas só a partir de 1950 se começam a editar os livros principais. " Assim Falava Zarathustra " surgiu em língua francesa em 1953, por exemplo. Quando, "A Vontade de Poder", o tinha sido em 1948; e a "Gaia Ciência", em 1950 também.

A primeira edição alemã das Obras Completas de Nietzsche sai dos prelos, em Estugarda, em 1905, com 19 volumes. A que se juntam, dez anos depois, os 5 volumes da Correspondência. Nos anos sessenta, os eruditos italianos Giorgio Colli e Mazzino Montinari em conjunto com investigadores universitários alemães abalançam-se a fazer uma nova edição crítica das OC. Que será traduzida em Itália, no Japão e na França. Gilles Deleuze e Maurice de Gandillac supervisionam a tradução francesa. Nos anos 80, Pierre Klossowski lança uma edição nova da "Gaia Ciência". Num total de 14 volumes, a edição francesa que demorou cinco anos a totalizar, contém 6 volumes de Fragmentos Póstumos integrais e mais sete acoplados às obras do período correspondente entre 1869/1882.


FAR

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Sinais


Desenho Maturino Galvão


Pintura João de Azevedo

RECEITA PARA FAZER UM HERÓI

Tome-se um homem,
Feito do nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim.

Serve-se morto.

Reinaldo Ferreira

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Reino da Dinamarca (6)


Luzes no balcão. Interior da Casa da Ópera. Copenhaga. Dinamarca. 2007

Foto Jota Esse Erre

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Moscovo (1)


Rua Old Arbat. Moscovo. Rússia. 2007

Foto FFC

Mambo 24

Tudo mais que em branco. Para além da língua muda e após um último qualquer desfecho. Não apenas branco. Mas algo que se pode inventar na soleira de alguma desonra, em solidão, quando regressam pródigas as baixas ventosas do desconhecimento. Parecenças apenas. O branco que apaga não tem igual no seu apertar réptil. Nada permanece em esguia sobra, do seu beijo corpulento. Nem sequer o branco usado. Menos ainda essa mancha, isso... esse, o futuro.
Nice, Neptune plage (2007)



Nice, Promenade des Anglais (2007)

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Sinais



Desenho Maturino Galvão

Os activistas de Esquerda e o "politicamente correcto"

«os actvistas extrema-esquerdistas e piolhosos são exímios em destruir, em insultar, em conspurcar, e em pedir esmola no Chiado para depois se embebedarem e drogarem-se» - aqui.

O desprezo que esta gente sente por quem lhe é diferente faz-me lembrar a converseta da "direita liberal" sobre o "politicamente correcto". Há muito que eu acho bizarro, para não dizer pior, que quem se queixe da "ditadura da maioria" seja precisamente quem esteja bem na vida, dentro dessa maioria. Os "piolhosos" há muito que sentem a perseguição da "maioria", o medo da diferença e o desprezo pelo que a assusta. A próxima vez que me venham falar de "politicamente correcto" e o associem à Esquerda, mando-os à merda!

O monopólio da violência (3)

Escreve José Luis Sarmento, em comentário no Insurgente:

«1. A desobediência civil e a insurgência têm uma história respeitabilíssima na teoria política democrática e estão eloquentemente consagradas em documentos tão diversos como A Marselhesa ou a Declaração de Independência Americana.

2. Ainda há poucos dias, neste mesmo blogue [O Insurgente], a propósito já não sei de que regime esquerdista Sul-Americano, se fazia apelo à insurreição armada.

3. Os invasores da herdade em Silves não são terroristas nem escumalha. Estão enganados, na minha opinião, quanto aos perigos dos organismos transgénicos, e por isso não deviam ter feito o que fizeram.

4. Se os transgénicos fossem tão perigosos como eles pensam, a questão seria de facto suficientemente grave para se poder equacionar a legitimidade duma insurreição.

5. Porém, para que a insurreição seja moralmente legítima, é necessário que se verifique outra condição, a saber: que não existam ou estejam esgotados todos os mecanismos de intervenção legal e democrática.

6. Estarão estes mecanismos esgotados em Portugal e na Europa? Não sei. Depende de ainda vivermos ou não em democracia - ou, caso vivamos já em plutocracia, se esta situação é ainda reversível ou não.»

Pintura João de Azevedo

O monopólio da violência (2)

No Spectrum:

«Nunca ouvimos de Pacheco Pereira referências explícitas ao que se passa na Madeira há mais de 30 anos. Serão uma parte do Estado de Direito democrático as duas ilhas que o dirigente nacional do PSD, Alberto João Jardim, governa? E Guilherme Silva, o líder parlamentar do PSD, que no parlamento regional da Madeira ameaçou um deputado da CDU, a quem prometeu dar um tiro na cabeça? E a distrital do Porto da JSD, onde há poucos anos se roubavam urnas de votos em eleições internas? Helena Lopes da Costa, cujos filhos são perseguidos no Algarve por outros militantes do PSD desde que esta decidiu apoiar Luís Filipe Menezes? Autarcas como Isaltino de Morais ou Carmona Rodrigues serão pormenores, pessoas exteriores ao PSD, militantes periféricos que por acaso se tornaram autarcas corruptos, ou imagens fiéis do que é o pessoal político da oligarquia portuguesa?E as ligações que dirigentes e estruturas locais do PSD têm, no norte do país por exemplo, com empresários da construção civil, proprietários de estabelecimentos nocturnos, empresas de segurança e toda essa vasta economia paralela de onde parecem brotar continuamente sacos azuis? Essas zonas onde o PSD é o regime, os variados «cavaquistões», onde reina a violência doméstica e o trabalho infantill?
Todas essas falências fraudulentas, despedimentos ilegais, incumprimentos das leis laborais, acidentes de trabalho evitáveis, fogos postos onde mais tarde surgem empreendimentos imobiliários, construções clandestinas em zonas naturais, casas de luxo nas arribas ameaçadas, courts de golf em zonas de reserva agrícola? Agentes policiais da Amadora que detinham pessoas, a quem atribuíam a posse de estupefacientes provenientes de outras apreensões, para cumprir as metas traçadas pelos respectivos superiores?Tudo isso vem ao de cima de vez em quando, aos bocadinhos, fragmentariamente, graças à carolice de algum jornalista mais sério ou a denúncias incontornáveis. Tudo isso traça o cenário de um país onde o Estado de Direito existe a espaços, quando convém, sempre do lado do mais forte, interrompendo ocasionalmente um estado de coisas bem mais prosaico, feito de relações privilegiadas e secretas, equilíbrios sociais paternalistas, poderes de facto, caciquismos e clientelas.Tudo isso é aquilo de que Pacheco Pereira não fala, para poder clamar contra os movimentos radicais que perturbam a ordem pública e violam a propriedade privada. Todo um programa.»

O monopólio da violência

Thomas Hobbes, o teorizador do estado moderno, ou seja, do "Estado de Direito" erige como fundamento da ordem social o monopólio da violência pelo Estado. Hobbes viveu atormentado pela guerra civil inglesa, a que assistiu. Daí para cá, muita água passou por baixo das pontes: apenas para simplificar, nasceu toda uma noção de consciência de classe, que passou a questionar a legitimidade de uma determinada ordem se poder apresentar de modo fixista como um "resultado final". O "fim da História" foi proclamado muitas vezes, e em todas elas se revelou como o logro com que aqueles que ganham procuram impôr a sua vitória aos que perdem.
A questão do "monopólio da violência" deve, como todas as questões, ser encarada de modo suficientemente dinâmico. É evidente que é necessário que a violência seja retirada do homem individual, e atribuída ao conjunto daqueles que este escolhe para o representar. Mas, como nada é fixo, momentos há em que se impõe que os cidadãos retomem a violência nas suas mãos: precisamente aqueles em que a actuação dos seus representantes se deteriora de modo a não mais representar os seus interesses (ou, mais exactamente, quando percebem que ela, em momento algum, serviu verdadeiramente os seus interesses). Para dar um exemplo consensual: se acaso regressasse o fascismo, seria um dever de todos pegar em armas. Não há transformação social progressista que não implique uma certa dose de violência, justamente porque necessita de uma alteração no equilíbrio geral, ou seja, de que a violência seja momentaneamente retirada das mãos do Estado, para regressar às mãos daqueles que, verdadeiramente, são o Estado, os seus cidadãos.
Para quem, como eu, entende que, "grosso modo", a actuação dos estados contemporâneos se rege muito mais pela defesa de certos interesses particulares que pela do interesse geral, ou pelo menos de certeza não pelo meu interesse, a violência não repugna. Outra coisa é a inteligência ou não de certas acções, e essa, infelizmente, anda arredada de quase todas, como foi o caso do "caso do milho transgénico". Mas observe-se como de repente, devido a uma alteração subtil da ordem estabelecida, a um pequeno desiquilibrar na balança da violência, toda a gente começou a falar do milho transgénico, e das suas implicações ou não na saúde e no ecossistema. Os defensores fixistas do "Estado de Direito" deviam observar isto, e reflectir sobre se, na realidade, é possível alterar seja o que for apenas recorrendo aos "mecanismos democráticos".

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Sinais



Desenho Maturino Galvão

Reino da Dinamarca (5)


Auto-estrada para amantes de música. Átrio da Casa da Ópera (oferta de dezenas de milhões de dólares do milionário A. P. Moller). Copenhaga. Dinamarca. 2007

Foto Jota Esse Erre

Filme de fim de Verão


The last picture show

Cine-corrente

Não gosto de ser desmancha-prazeres, mas estou a acabar as minhas férias e não gosto de ser acorrentado. No entanto, por ter recebido um convite da IO, do Chuinga e, da E-Ko, do Ekonoklasta, não quero ser indelicado. Deixo~lhes aqui um beijinho.
Tenho postado vários filmes que me marcaram, de forma que, agora, escolho apenas os dois mais.

O Bambi que durante anos aterrorizou uma irmã minha e me deixou longo tempo angustiado (vimo-lo muito miúdos)

E o Garganta Funda que combinado com umas leituras do relatório Kinsey, o Masters and Johnson e umas passas, me deixou o resto da vida inquieto.


Quebro aqui a corrente. Não quero submeter outros blogger's a esta provação.

Posto mais acima um grande filme.

sábado, 18 de agosto de 2007

O meu amigo MJ

Eu sou prudente
Eu sou muito prudente e nada distraído.
Por isso, quando estou no balneário, por precaução, uso um aloquete para guardar as minhas coisas. Mas tenho duas chaves! Uma das chaves deixo-a no carro para o caso de perder a outra. Comecei por meter tudo dentro do cacifo e levar a chave do aloquete. Ao fim de alguns dias notei a terrível imprudência. Sem a chave do carro como é que eu chegava à segunda chave do cacifo? Resolvi passar a levar comigo também a chave do carro.
Ponho a toalha e as chaves no meu saco, ponho o saco ao ombro, e lá vou, pronto para mais uma jornada salutarmente desportiva que além de desenvolver o meu físico (como se ele precisasse!) ajuda a que os neurónios se reproduzam (já que os meus nunca morrem).
Um destes dias, certamente devido a uma anormal actividade cerebral, peguei no saco e enfiei-o também no cacifo! Com este fechado, ali fiquei, eu e os meus ossos. Do outro lado da porta do cacifo todas as chaves que me permitiriam regressar a casa, sem ser a pé, com aqueles chinelos ridículos, o calçãozinho ridículo, a touca ridícula, os óculos ridículos e a minha cara de idiota!
Não digo como me safei desta porque sou uma pessoa que não se concentra nas coisas más que já passaram. Também não quero humilhar ninguém com a exibição da minha capacidade de improvisação.
A verdade é que, de cabeça bem erguida e arejada pelo exercício físico, acabei por sair com tudo o que tinha levado e fazer-me à estrada.
Como sou uma pessoa prudente, tenho o cuidado de ver, com frequência, qual o nível do combustível e, com tempo, satisfazer o apetite voraz do depósito. Tinha tão pouco que mal deu para chegar a uma estação de serviço.
Com a energia que me caracteriza saquei da mangueira e toca a meter o precioso líquido, sem o qual o meu carro insiste em não me transportar. Quando já tinha metido cerca de cinco litros reparei que estava a meter gasolina quando devia meter gasóleo... Eu tenho lá culpa das minhas preocupações intelectuais serem incompatíveis com o dar de comer a um estúpido motor?
Depois, pensei: se eu como de quase tudo quem o raio de carro pensa que é para só querer ter uma dieta de gásóleo? E prossegui. Sou ou não sou esperto?
Mas não é que o gajo é embirrento? O que vale é que, sendo eu uma pessoa prudente, tenho um contrato com um reboque.
Depressa chegámos à oficina onde um funcionário com ar divertido (de quem já tinha visto outros como eu) se virou para mim "Meteu gasolina, foi? Então deve ser do motor...". Quando ele disse o "deve ser do motor", eu não perguntei mais nada... Fiquei com um ar absorto do qual só despertei com o costumeiro "...e não se esqueça de deixar a chave!". Pensava que eu era um totó... Fiz o que faço sempre que lá vou: separei a chave do carro da chave da casa. Mas, desta vez, deixei lá esta última.
Só reparei quando saí do táxi e tive que enfrentar a fechadura da porta da casa.

MJ

Pintura João de Azevedo

Sinais


Desenho Maturino Galvão

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Ucrânia (4)


Donetsk. Ucrânia. 2007

Foto FFC

Sinais


Desenho Maturino Galvão

COMUNICADO À NAÇÃO SANTERA:

Camaradas:

Aproxima-se um momento imprescindível na nossa revolução permanente; uma tomada de um ponto estratégico na guerra contra os brancos; uma jornada gloriosa de luta pelo poder revolucionário, onde todos os sovietes santeros devem estar unidos, pois o momento é decisivo.

Falo, claro, da ocupação prevista do sítio dos pseudos-pseudos, nossos inimigos fidagais. Esse local onde se ouvem tipos com ar de nova-iorquinos fora de moda a tocar a mesma nota durante vinte minutos. Esse antro onde se idolatram grupos cujo único objectivo é competir pelo troféu de "projecto" com o nome mais estúpido. A galeria zédubois, assim chamada em homenagem a um famoso bovino da Suiça francesa.

Iremos arrasar de cima a baixo o antro dos contra-revolucionários. Iremos desfraldar a bandeira mexicana nos escombros das luzes. Iremos enfim lançar a semente da irracionalidade vitalista nietzscheana no terreno inquinado da metafísica aristotélica, e daí nascerá a bela árvore do prazer e do deboche, onde nos abrigaremos todos das pragas do conformismo musico-depressivo.

A vossa presença é urgente, e nunca o foi tanto. Se esta batalha correr bem, nunca mais o mundo civilizado esquecerá a irrupção das forças olímplicas do fundo dos tempos. Os deuses preparam a sua aparição, e só nós, camaradas, a podemos apressar.

O comité central Santero apela a todos os verdadeiros revolucionários a presença em massa das massas. Que a luz negra nunca se apague. Los Santeros o muerte!

P'lo Comité Central,

José Galinha Pássaro - lider espiritual e material da Guerrilha Unida dos Urbanos Eufóricos, antigo companheiro de armas do Marquês de Sade, e uma Maria cheia de graça.

(Los Santeros @ Galeria ZDB, ao Bairro Alto - Sábado 18 de Agosto, 23 horas. Convidado especial - Mad Dog Clarence)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Reino da Dinamarca (4)


A arejar num dia de calor. Edifício na caserna militar em Copenhaga. 2007

Foto Jota Esse Erre

PIETÁ

Já lívido repousa em seu regaço.
Já não escuta, não vê, não ri, não fala.
Aquele que foi Seu Filho, Ela o embala
Morto, alheia a tempo e espaço.

O mistério parou no limiar dos assombros.
Dos irados profetas, das rígidas escrituras
Sobra um Deus morto; e os únicos escombros
São a atónita aflição das criaturas.

Eles choram, vários, como vários são
Sua revolta e sua dor. Absorto,
O olhar da Mãe escorre, inútil, no chão.
Ela, o que chora? O Deus parado – ou o filho morto?

Reinaldo Ferreira

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Férias


É vergonhoso, dada a minha frequência de posts, meter baixa assim. Volto com fotografias e novidades. Até já, Manel

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Celebração do Lubango - 15 de Agosto

Aspectos do Lubango... Angola
Panorâmica parcial do Lubango, Capital da Província da Huíla

(2005)
Fenda da Tundavala -2000 m/altitude (2005)

Centro da cidade (2005)

Moradia (2005)


Grande Hotel da Huíla (2005)

Pavilhão Multi-Usos da Feira Popular (2005)

Sé do Lubango (2005)

Esplanada da Capela - Nsª Srª do Monte (2005)


Arcos da cidade, os 3 montes (2005)


Café da Flórida (2005)


Mulheres e crianças da Huila (2005)


Hoje em especial, estou na minha bela cidade, de olhos pousados nas montanhas, a ser totalmente arrebatada !!