sexta-feira, 30 de março de 2007

Terra

"Somewildwish"/2 2006

Pergunta simples

Descobri no Inominável que ainda há quem consiga achar que ser marxista é ser a favor do regime da URSS e que todas estas ideias estão enterradas (ok, não foi aqui que descobri isto.)
Pego na citação "Jovem, tens mais de 12 anos, gostas de desacatos bloquistas, marchas pelas ruas, insultar aqueles que ganham muito dinheiro por mérito próprio e aprender argumentos usados na URSS, não percas tempo! Vai já inscrever-te!" digna dos Malucos do Riso e faço uma pergunta simples a todos os liberais:

Qual é o mérito de receber uma herança?


(quando não estiver em exames, prometo escrever mais sobre o tema)

Sinais


Desenho de Maturino Galvão

Nacala .2


Da série "Era uma vez um porto, uma cidade e suas gentes". Nacala. 1995

Foto de Sérgio Santimano

quinta-feira, 29 de março de 2007

Mambo 17

Quando é que se pode dizer, "tudo azul esboroado"?
Existirão instantes ainda mais propícios a tal excesso...

Deveremos contar com desa/agravamentos dos profundos já rendilhados estados de prostração/adoração à existência?
O esboroado não será um termo inenarrável, que significa passar a ser de outro modo em torrões de fragilidades?
E o azul, que lembra? Os filtrantes olhos, da mãe que escolhe quase com devassidão os mundos onde sentar pouco as suas crianças de vidro, presas também do seu olhar? Quem rapta o azul à nossa alma sem guarida? Que arrepio sem sul, tão justamente se reparte pelas partes do corpo?
Não servem as analogias para saber da vida?
Talvez azul esboroado seja afinal o vermelho vivo perdivelmente a descer-se em rodopios lentos, sem ambição de lugar último.


Mais visceralmente se sabe do "tudo azul esboroado" quando se está deitado sobre o chão, sem visão alguma de pedaço de céu ou de olhos que bem o imitem.

Terra

"AFRICAN KIDS"/2
05/06- Angola

Dili

Pintura de João de Azevedo

Desta cultura .2

"Esta xenofilia, tão rara no mundo, é coisa corrente em Portugal, em todos os grupos sociais. O que é estrangeiro - ideia, moda, mercadoria - não é nunca suspeito a priori."
Léopold Sédar Senghor, Lusitanidade E Negritude, pág.40, Instituto De Altos Estudos/Academia Das Ciências De Lisboa

Xenofilia ou (clicar aqui) xenofobia?

Sinais


Desenho de Maturino Galvão
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quarta-feira, 28 de março de 2007

Me caigo y me levanto


Nadie puede dudar de que las cosas recaen. Un señor se enferma, y de golpe un miércoles recae. Un lápiz en la mesa recae seguido. Las mujeres, cómo recaen. Teóricamente a nada o a nadie se le ocurría recaer pero lo mismo está sujeto, sobre todo porque recae sin conciencia, recae como si nunca antes. Un jazmín, para dar un ejemplo perfumado. A esa blancura, ¿de dónde le viene su penosa amistad con el amarillo? El mero permanecer ya es recaída: el jazmín, entonces. Y no hablamos de las palabras, esas recayentes deplorables, ni de los buñuelos fríos, que son la recaída clavada.
Contra lo que pasa se impone pacientemente la rehabilitación. En lo mas recaído hay siempre algo que pugna por rehabilitarse, en el hongo pisoteado, en el reloj sin cuerda, en los poemas de Pérez, en Pérez. Todo recayente tiene ya en si un rehabilitante pero el problema, para nosotros los que pensamos nuestra vida, es confuso y casi infinito. Un caracol segrega y una nube aspira; seguramente recaerán, pero una compensación ajena a ellos los rehabilita, los hace treparse poco a poco a lo mejor de sí mismos antes de la recaída inevitable. Pero nosotros, tía, ¿cómo haremos, cómo nos daremos cuenta de que hemos recaído si por la mañana estamos tan bien, tan café con leche, y no podemos medir hasta dónde hemos recaído en el sueño o en la ducha? Y si sospechamos lo recayente de nuestro estado, ¿cómo nos rehabilitaremos? Hay quienes recaen al llegar a la cima de una montaña, al terminar su obra maestra, al afeitarse sin un solo tajito; no toda recaída va de arriba a abajo, porque arriba y abajo no quieren decir gran cosa cuando ya no se sabe dónde se está. Probablemente Ícaro creía tocar el cielo cuando se hundió en el mar epónico, y Dios te libre de una zambullida tan mal preparada. Tía, como nos rehabilitaremos?
Hay quien ha sostenido que la rehabilitación sólo es posible alterándose, pero olvidó que toda recaída es una desalteración, una vuelta al barro de la culpa. En efecto somos lo más que somos porque nos alteramos, salimos del barro en busca de la felicidad y la conciencia y los pies limpios. Un recayente es entonces un desalterante, de donde se sigue que nadie se rehabilita sin alterarse. Pretender la rehabilitación alterándose es una triste redundancia: nuestra condición es la recaída y la desalteración, y a mi me parece que un recayente debería rehabilitarse de otra manera, que por lo demás ignoro. No solamente ignoro eso sino que jamás he sabido en qué momento mi tía o yo recaemos. ¿Cómo rehabilitarnos, entonces, si a lo mejor no hemos recaído todavía y la rehabilitación nos encuentra ya rehabilitados? Tía, ¿no será ésa la respuesta, ahora que lo pienso? Hagamos una cosa: usted se rehabilita y yo la observo.Varios días seguidos, digamos una rehabilitación continua, usted está todo el tiempo rehabilitándose y yo la observo. O al revés, si prefiere, pero a mi me gustaría que empezara usted, porque soy modesto y buen observador. De esa manera, si yo recaigo en los intervalos de mi rehabilitación, mientras que usted no le da tiempo a la recaída y se rehabilita como en un cine continuado, al cabo de poco nuestra diferencia será enorme, usted estará tan por encima que dará gusto. Entonces, yo sabré que el sistema ha funcionado y empezaré a rehabilitarme furiosamente, pondré el despertador a las tres de la mañana, suspenderé mi vida conyugal y las demás recaídas que conozco para que sólo queden las que no conozco, y a lo mejor poco a poco un día estaremos otra vez juntos, tía, y será tan hermoso decir: "Ahora nos vamos al centro y nos compramos un helado, el mío todo de frutilla y el de usted con chocolate y un bizcochito.

Hulio Cortazar



Nacala .1

Da série "Era uma vez um porto, uma cidade e suas gentes". Nacala. 1995

Foto de Sérgio Santimano

Em Foco

# Arábia Saudita tenta "moderar" o PR iraniano
O rei Abdullah surge cada vez mais como o mediador da paz(será a americana?) no Médio Oriente. Amanhã recebe em Ryad os líderes dos 22 estados que compõem a Liga Árabe. Segundo informações veiculadas hoje pelo Financial Times, o rei saudita e o PR iraniano trocaram palavras "muito duras" numa recente visita de Ahmadinejadh à capital saudita. Aliàs, acrescenta o FT, a reunião da Liga Árabe, que tinha sido marcada para outro estado-membro por recusa do anfitrião, foi recuperada pelo rei Abdullah, tentando ultrapassar "a frustação da algaraviada inconsequente da Liga e examinar as tensões múltiplas que sacodem o mundo árabe". O monarca saudita advertiu o PR iraniano de que os "barcos de guerra estacionados no Golfo não estão lá a passar férias... ", acrescenta a notícia do correspondente do FT em Ryad, que anuncia que os sauditas estão a "pressionar os EUA para que Olmert se sente à mesa das negociações com as autoridades palestinianas, quanto antes".

# Jacques Delors explica sem subterfúgios como funciona a União Europeia
O mais célebre e reputado dos presidentes da Comissão Europeia, onde passou dez anos decisivos para o futuro da Europa no Mundo, 1985/95, deu uma importante entrevista ao Le Monde sobre as fraquezas e as virtualidades da Europa dos 27. Ponto capital foi quando lembrou o funcionamento da União. Claro como água, o sr. Europa- que tanto fez por Portugal- aponta: " É preciso fazer recordar com muita veemência assertiva que o essencial da política económica, da política laboral, da Segurança Social e do escalonamento dos salários são da competência nacional exclusiva ". Está lá, preto no branco., o que nos pode fazer ver o outro lado da " convergência " que o bom do Guterres deixou escapar... Invoca, por outro lado, a " deterioração da economia mundial"( a bolha do imobiliário americano?.), para justificar e alertar : " Os países fecham-se sobre si-próprios, os reflexos nacionalistas regressam ". Delors presta homenagem à grande estatura de Estado de Gorbatchev, Khol, Mitterrand e Bush-pai, que fizeram a transição pacífica da antiga URSS para a democracia.
Só não evitaram foi a proliferação das receitas big-bang do capitalismo anglo-saxónico que desestruturaram tanto as economias dos países do Leste livres, nota com finura.

# Congo de Kabila-II de novo em maus lençóis
O bairro das embaixadas em Kinshasa tem sofrido imenso com os combates de rua entre o exército regular e os 100 homens da guarda pessoal do antigo candidato, Jean-Pierre Bemba. O presidente Joseph Kabila queria dissolver a pequena milicia que assegura a protecção do seu antigo rival na corrida presidencial de Outubro último: Receoso , o infeliz candidato recusou e resolveu ripostar ao cerco efectuado da sua sede-residência. Balanço não confirmado: Dois mortos e quatro feridos civis. A embaixada de Espanha e as instalações da UNICEF foram atingidas pelas rajadas de morteiros e bazzoka. De realçar, no entanto, que as tropas onusinas da MONUC, que patrulham especialmente o bairro residencial e das embaixadas, não se intrometeram entre os beligerantes. Bemba refugiou-se na embaixada da África do Sul. Mais um dossier para a OUA resolver, em conjunto com o da terrível situação do Zimbabué, com apoios diversificados e contestados na região prodigiosa dos Grandes Lagos.

# Zbigniew Brezinski alerta para rastilho da guerra do Iraque
Numa entrevista ao Le Monde, no passado fim de semana, o politólogo e antigo conselheiro de Carter adverte para a indispensabilidade de um calendário fixo para a retirada das tropas americanas do Iraque. Invoca que a guerra do Iraque " não é de interesse nacional", mas tão só, é uma guerra "de arrogância pessoal, que não se pode prolongar indefinidamente ". E alerta, acima de tudo, para os riscos enormes que o prolongamento da guerra podem trazer. Pois, frisa, "os EUA podem-se ver envolvidos num conflito disseminado com o Irão, o Iraque,o Afeganistão e o Paquistão,ao mesmo tempo."

FAR

Sinais


Desenho de Maturino Galvão
Armando,

Não sei se sabes mas hoje é um dia grande para Portugal. E não só no jogo com a Sérvia onde o Scolarão nos dará outra alegria extrema. Hoje a irmã Lúcia faz 100 anos e o GOE cumpre 25 primaveras. Parece que Deus está connosco. A vidente de Fátima e os videntes do Estado unidos no mesmo bolo de aniversário. Não podíamos pedir mais. Estes dois pedregulhos da nossa cultura moderna nasceram no mesmo dia, com uns anitos de diferença, é certo. Foi preciso chegar à democracia para aprender a bater, ou abater, enquanto que o vinho de antigamente fazia ver virgens tremelicando sobre azinheiras. Que vivam outros 100 e 25 anos respectivamente. Lúcia dando dinheiro a Fátima, o GOE protegendo os peregrinos.
Queria acabar o post que estou a escrever para assinalar esta efeméride mas parece-me que terá que ficar para amanhã, entretanto aqui vão mais uns desenhos.

Maturino Galvão

The portuguese way

O comentário do leitor Filipe Brás Almeida suscita-me a seguinte reflexão: de facto, hoje em dia em Portugal, o "liberalismo" tornou-se num confortável guarda-chuva onde cabe uma míriade de coisas: a direita pura e dura, os tecnocratas eficientistas, os anarco-capitalistas de candura ingénua, liberais clássicos, ou a esquerda liberal. Se isto, visto à luz da tradição que subjaz ao conceito de "liberalismo", não é um problema por aí além, a questão é que algumas destas correntes não concordam em absolutamente nada; se todos usam e abusam da palavra "liberdade", às vezes tomando-a como património seu inalienável (esquecendo toda a história da esquerda libertária, o socialismo utópico e mesmo o marxismo antes de Lenine), a verdade é que esta ideia tão fundamentalmente humana serve como ready-made para todos os gostos- de ultra-capitalistas a adeptos do modelo social da igreja, de liberais nos costumes a adeptos da criminalização do aborto, todos encontram um fundamento nessa "liberdade", que de tão indefinida corre o risco de se tornar uma palavra espúria e desprovida de sentido.
No entanto, isto não deixa de ser natural: esta nova geração, a minha geração, cresceu num tempo em que o guarda-chuva para toda a gente era o "socialismo", tanto que, hoje por hoje, já poucos fazem a mínima ideia do que signifique- ouve-se por aí que vivemos no "socialismo", o que seria uma anedota, se não significasse justamente isso. Desde pelo menos 1977 que pouco ou nada do que se faz em Portugal tem o que seja a ver com "socialismo", e no entanto cada vez mais se lhe atribui a culpa de todos os males portugueses. É evidente que para isto contribui termos um Partido Socialista que é social-democrata, e um Partido Social-Democrata da direita populista, contribuindo para aumentar a confusão- melhor seria se se chamassem os bois pelos nomes. Mas não nos iludamos: o uso e abuso da palavra "socialismo" como fonte de legitimação de tudo o que se fez durante uns bons 10 anos após o 25 de Abril, mesmo quando o que se fazia era justamente o contrário, tem um preço que iremos pagar durante uns bons tempos.

terça-feira, 27 de março de 2007

Terra

Somewildwish/1 - 2007

Após o exílio

Uma visita a um blogue de "liberais":

Foram os comunistas que mataram Humerto Delgado no Insurgente (nos comentários do post)

Os comunistas não têm direito à liberdade condicional no Insurgente (e também aqui)

Desta cultura .1

"Nós brasileiros abusamos do eu te amo, até mesmo contaminámos os portugueses com esse refrão. Acho que foi a Agustina Bessa-Luís quem disse que a televisão brasileira, as novelas da Globo causaram esse contágio; anteriormente os portugueses diziam gosto de ti, tinham vergonha de dizer eu te amo. Essa mania nossa veio dos americanos, eles dizem eu te amo até para peixe no aquário."

Rubem Fonseca, Diário De Um Fescenino, pág. 33, Campo Das Letras

Sinais

 

Desenho de Maturino Galvão
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segunda-feira, 26 de março de 2007

Mambo 16

“As pessoas não são pobres por estupidez ou por preguiça. Trabalham todo o dia executando tarefas físicas complexas. São pobres porque as estruturas financeiras do nosso país não têm por vocação ajudá-las a melhorar a sua sorte. É um problema estrutural, não pessoal.”M.Yunus

Nalguma pequena aldeia/cidade onde se pode morrer antes de tempo, por inanição, Muhammad Yunus, soará a muitas dessas vidas como alguém que se não pode remeter à obscuridade, pelo bem que imaginou ser possível realizar e logrou.

Não desconheceremos o seu nome, devido ao Prémio Nobel da Paz de 2006.

No decorrer da semana passada esteve em Lisboa, a realizar uma imperdível conferência:

-“Microcrédito: um contributo para a paz”.

Não sei dizer se lá estiveram motivadamente presentes os nossos importantes economistas, os nossos políticos da praça, os nossos empresários do capital, sei que houve muitas pessoas, (sobravam do recinto), algumas delas ligadas talvez também a serviços humanitários; posso quase garantir que o ouviram com o coração ao alto e lápis mental a tentar compreender o que de essencial quis manifestar aos portugueses e cidadãos de outras paragens, este mestre da inteligência criativa ligada à sensibilidade.

“Vejo o que fazem os bancos tradicionais e faço exactamente o contrário”- por isso, se chama o banqueiro dos pobres, o Grameen Bank (fundado em 1976) empresta sem garantias, nem papeladas, nem medos de perder reembolsos e 97% das pessoas beneficiadas são mulheres, já que segundo a sua apurada observação social são as mulheres que sofrem mais os problemas da fome ao terem sobretudo os seus filhos por alimentar e são também elas o pilar estruturante das famílias nos países em desenvolvimento, em consequência as mais interessadas em terem sucesso nas suas tarefas, para ser ultrapassada a mera sobrevivência.

Actualmente existem muitos bancos réplicas do Grameen Bank em todo o mundo, recorrendo ao seu apoio mais de 100 milhões de pessoas.

"Desde a infância estamos habituados a ver pobres em nosso redor e nunca nos perguntamos por que razão são pobres". M.Yunus


Dili

Pintura de João de Azevedo

Economia: guerra dos computadores na China

A RP da China prevê investir mais de 20 biliões de dólares este corrente ano no sector da Pesquisa e Alta Tecnologia. A Rússia tem mais de 4 mil engenheiros Informáticos a estagiar em Silicon Valley. Assim se constroem os desafios do mundo de hoje, pois claro.

É a grande notícia do dia de hoje: o líder mundial dos semicondutores, o americano Intel, vai investir perto de dois biliões de dólares na construção de uma fábrica de microprocessadores na China. Trata-se da primeira fábrica do género a ser instalada na Ásia, o que demonstra o intrépido sentido de investimento da multinacional yankee, com fábrica semelhante a operar na Irlanda desde 1992.

A China é o nosso mercado mais dinâmico e pensamos que devemos investir nos mercados que irão representar o crescimento futuro para melhor servir os nossos clientes, sublinhou ao NY Times, o pdg da Intel, Paul Otellini. A operar desde os anos 90 na China, a Intel eleva para 4 biliões de dólares o investimento directo na construção de unidades industriais de alta tecnologia naquele país.

De acordo com os meios especializados das Tecnologias de Informação, este investimento da Intel irá permitir à China, onde já são montados a maioria dos telemóveis e dos computadores do mundo, colocar novos peões num sector de alta tecnologia e de um enorme valor acrescentado. É uma espécie de mutação industrial ultra-rápida a que estamos a assistir, dizem os peritos. A Intel monopoliza cerca de 80 por cento do mercado de microprocessadores, mas perdeu algum valor para o seu rival Advancede Micro Device(AMD), que introduziu grandes melhorias nos pc de bureau, como também nos portáteis, ajudado pela decisão tomada pela Dell de utilizar o seu sistema agora.

FAR

Sinais

 

Desenho de Maturino Galvão
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Dadores de Sangue

 

Sábado estivemos no Barreiro. Jantámos no Moutinho e aí vimos o jogo. Seguiu-se o concerto Mad Dog (completamente embriagado) & Los Santeros. Ainda há grandes noites.
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domingo, 25 de março de 2007

Sinais

 

Desenho de Maturino Galvão
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IV- Presidenciais Francesas:Royal e Sarkozy ombro-a-ombro nas sondagens

Os candidatos mandam fazer sondagens todos os dias, revelou o Canard Enchainè. A de hoje, inserta no Journal du Dimanche, posiciona os dois principais rivais em pé de quase igualdade. Bayrou perde o fôlego...E Le Pen consolida a sua terrífica quarta posição...

Muita para e pouca uva: eis o fatal destino de François Bayrou que não consegue ultrapassar a cota inimaginável dos 22 por cento. Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy estão quase numa de igualdade radical, só que na segunda volta o candidato da direita ganha à desconcertante candidata apoiada maioritariamente pelo PS francês. Ainda falta um mês, mas os contornos gerais do escrutínio ganham consistência...

O caso Bayrou, que partiu do baixo score de 6 por cento, continua a fazer correr rios de tintas e a fazer aquecer as meninges. Um reputado politólogo, Dominique Reynié, professor em Sciences-Po., esclarece que os eleitores começam a desconfiar de tanta promessa incarnada pelo líder da UDF, um partido democrata-cristão fundado por Giscard d´Estaing nos anos 70. " E ele apresenta-se como futuro presidente mas sem partido político ", frisa Reynié, que sublinha: "Tinham-lhe dito que o Strauss-Khan, o Delors, o Kouchner iam se passar com armas e bagagens para a sua candidatura. O que resultou foi todos terem ficado com a Ségolène Royal. Mesmo à direita, Borloo e Robien ainda não se declararam... ".

" Existe portanto uma primeira promessa não cumprida por Bayrou. Já existe um cepticismo indiscutível da parte dos seus potenciais eleitores. Porque começam a ver que, ou não tem grande número de pessoas com peso à sua volta, ou que caso seja eleito acabará por constituir um governo de oportunistas. Por outro lado, o seu programa económico e social não sendo apolítico - ele é mais à direita -, pode, por isso, perturbar alguns eleitores que hesitavam em votar nele. Além do mais, como Sarkozy inflectiu à direita a sua campanha, restaurando a clivagem direita-esquerda, o que é prejudicial a Bayrou ".

Se Ségolène alimentava o " sonho " de se casar com Hollande, o pai dos seus quatro filhos, numa piroga nas miríficas praias de Tahiti, onde o Polanski viveu mais de seis meses numa cabana com a Natajja Kinski; as raízes húngaras de Sarkosy foram postas a nú pelo Figaro, clicar aqui, num texto mais ou menos imparcial e eticamente perfeito. " O próximo Presidente da França pode ser húngaro, é a televisão magiar que o apregoa " , corre esta notícia por todos os lares do promissor país.

Os pais de Nicolas nasceram numa aldeia situada no centro da grande planície húngara, a cem quilómetros a leste da capital, Budapeste. Eram filhos de um empresário agrícola possidente e primos de um nobre, cujo castelo foi arrasado pelos comunistas nos anos 60. O Figaro conta uma estória do pai de Nicolas - que abandonou a família e se instalou nos EUA há mais de 40 anos - edificante: Quando há poucos anos revisitaram a aldeia dos seus antepassados, numa reunião que contou com todos os Sarkozy, perguntou à calada pela sua antiga paixão, Eva Szöke, uma das mais belas mulheres do país e que se tinha transformado numa actriz de sucesso ...

FAR

sábado, 24 de março de 2007

Sinais

 

Desenho de Maturino Galvão
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Mugabe: África do Sul e Angola envolvem-se no estertor do regime

Pretória aprovou no Parlamento voto de recomendação contra a brutal repressão imposta no Zimbabué. Governo e forças militarizadas estão à deriva. Angola vai enviar 3500 homens da polícia de choque, a partir de 1 de Abril.

Quanto tempo ainda se aguentará o poder em perdição de Robert Mugabe? A espiral da violência conjuga-se com a da desagregação do poder no Zimbabué. O embaixador americano em Harare disse à Associatede Press, citado pelo NY Times, que há grandes dissensões no interior do que resta do executivo e no topo das forças militarizadas. A Zâmbia e o Botswana, dois dos vizinhos mais preocupados com a situação, tencionam elevar o seu protesto pela dura repressão imposta por Mugabe ao seu povo martirizado. O Pr. da Zâmbia, que preside à Comunidade Económica do Sul da África, pensa levar a discussão plenária o caso da violência inaudita criado pela repressão no Zimbabué. Entretanto, a África do Sul, o Lesoto e a Namíbia estudam um reforço da pressão política e diplomática sobre o que resta das estruturas governamentais zimbabueanas. Angola vai enviar a polícia de choque para Harare.

O caos económico potencializado pela ruptura dos parcos stocks alimentares pode desencadear uma revolta de proporções incalculáveis, segundo predizem inúmeros observadores estrangeiros. Angola, ignorando a imparcialidade requerida pela OUA, decidiu enviar um forte contingente de Ninjas (polícia de choque). A precária situação no Zaire pode influenciar uma redução, embora o comando militar angolano unificado se abstenha de comentar a situação política criada pela inaudita repressão criada por Mugabe. O Pr. sul-africano Mbeki também tem revelado alguma inconstância na sua denúncia dos massacres de Harare, por causa dos laços históricos que uniram o ANC ao partido de Mugabe, Zanu-PF, que se bateram pela libertação e o fim do apartheid.

O grande jornalista zimbabueano, Trevor Ncube, a residir em Pretória, escreveu ontem um longo e dramático artigo no Financial Times, onde analisa todos os pontos essenciais do drama pungente que assalta o povo do Zimbabué. Suplica que a ONU venha investigar e monitorizar as futuras eleições gerais, com carácter de urgência. Senão há o perigo de uma guerra civil em rastilho, indica. " A ajuda internacional e a assistência médico-medicamentosa são prioritárias. Sistemas de racionalidade económica e financeira também são essenciais para restaurar o que foi outrora o " Celeiro " do Sul da África: Mas Mugabe ainda se agarra ao poder e nada pode ser feito até ele se afastar. Os seus planos para adiar as presidenciais até 2010 parecem estar desfeitos. O tempo é escasso e o que pode acontecer é imprevisível. A hipótese de um golpe palaciano é a mais provável", sublinha.

FAR

sexta-feira, 23 de março de 2007

Anna em África


Da série Cabo Delgado "Uma história fotográfica sobre África". 1997

Foto de Sérgio Santimano

Sinais

 

Desenho de Maturino Galvão
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quarta-feira, 21 de março de 2007

Viagem

Na paragem dos machimbombos a caminho de Inhambane

Da série "Caminhos". Maputo. 1993

Foto de Sérgio Santimano

Da Capital do Império

Olá!

Hoje vou-vos dar uma notícia que voz vai fazer tremer de calor! A temperatura global aumentou 0,7 graus centígrados no século XX!
Não, não se trata de um erro de dactilografia. É mesmo isso – Zero vírgula sete graus centígrados o que aparentemente é prova que vamos todos a caminho de ser cozinhados vivos, provavelmente ainda este século e tudo por causa de seguirmos um tipo de “desenvolvimento insustentável” que liberta enormes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera.
Pelo menos é isso que o filme do Al Gore “an inconvenient truth” nos tenta avisar com cenários catastróficos de cidades a serem engolidas pelo mar, os ursos todos a morrerem e o mundo a acabar num holocausto causado pelo capitalismo e Fiats Unos a mais. Vocês sabem como é.
O Al Gore por exemplo diz-nos que este século o nível do mar poderá (meu sublinhado) aumentar até seis metros. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climatéricas, formado por essa essa conceituada organização de impecáveis credenciais que se chama Organização das Nações Unidas, apoia o filme do Al Gore e emitiu um relatório em que diz que a temperatura média poderá (meu sublinhado) aumentar até seis graus centigrados até ao final deste século.
Pois poderá! E também poderá não aumentar claro está! Eu telefonei ao serviço meteorológico dos Estados Unidos e perguntei-lhes se me podiam dizer qual será a temperatura no dia 17 de Março de 2100 e … desligaram-me o telefone. Voltei a insistir e um meteorologista que lá trabalha ficou obviamente irritado por que me disse em bom inglês para “fuck off, Sir”. O que não é de admirar! O serviço de meteorologia dos Estados Unidos, com satélites, balões, estações de observação através do mundo não me pode garantir qual será o tempo daqui a duas semanas quanto mais daqui a um século!
Quanto ao nível do mar o New York Times disse no passado dia 13 que afinal as estimativas de subida do mar já não são “até seis metros” (como diz o Al Gore) mas até…58 centímetros … Mas mesmo o New York Times (que como vocês sabem é muito bem informado) não tem a certeza que isso vai acontecer. A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos diz por exemplo que o nível do mar poderá aumentar entre 10 e 88 centímetros. Poderá acontecer, pelo que presumo que poderá também não acontecer. Ou como diria aquela canção antiga … Que será, será… (Eu cá acho que quando a maré estiver cheia aí em Cascais poderá molhar a marginal)
O tal painel intergovernamental farta-se de dizer que as suas conclusões são o “consenso” dos cientistas. O Al Gore diz que o seu docuficção sobre o aquecimento global tem por base o “consenso científico que nunca foi tão forte”. Isto dá-me arrepios e fico com pele de galinha! Posso ter sido muito mau aluno de ciência, física, química e matemática, mas o que sei é que o método científico ao contrário de certos sistemas políticos não funciona por “consenso”. Sei por exemplo que no tempo do Galileu havia “consenso” dos cientistas da época que o sol rodava em redor da terra. Parece que o “consenso” estava errado e que afinal os factos (sempre teimosos) estavam-se a marimbar para o “consenso” dos canudos científicos da época.
Por exemplo em 2005 havia “consenso” que devido ao “aquecimento global” o furacão Katrina era apenas um amostra e que em 2006 a costa dos Estados Unidos estava literalmente condenada a mais devastação. O “consenso” dos cientistas era que em 2006 ia haver nove (9) furacões que iriam devastar mais uma vez parte da costa dos Estados Unidos. O “consenso” não acertou, vejam lá! Em 2006 nenhum furacão atingiu a costa dos Estados Unidos e o numero de furacões nestas zona do Atlântico foi de cinco e não de nove como previa o tal “consenso”. É um erro de cerca de 55%. Not bad para um consenso “científico”!
Outro dos tais “consensos” é que o “aquecimento global” é causado pela emissão do CO2. Porque aumentou a temperatura e isso aconteceu no século em que mais CO2 foi emitido então – diz o consenso – o CO2 é a causa do aquecimento global (os tais 0,7 graus centígrados). Como já disse fui mau aluno de física, química, matemática mas aprendi que no método cientifico acumulação de um facto não é necessariamente causa de outro. Poluição é um problema. Isso não significa que seja necessariamente a causa de um outro fenómeno ou problema. E pelo que eu li a poluição deveria casuar o “esfriamento” da terra por reflectir os raios do sol. Vocês lembram-se quando nos anos 70 se dizia ser “inevitável” uma nova idade do gelo?
Ao fim e ao cabo quando os Vikings chegaram a Gronelândia acharam tudo muito verde, verdinho (daí terem-lhe chamado Terra Verde), estabeleceram um colonato e depois foram procurar mais terra chegando a uma terra que chamaram de Vinland (terra das vinhas (!!) que os Tugas mais tarde chamaram Terra Nova). Os Vikings obviamente não tomaram conta do ambiente com o seu desenvolvimento insustentável porque a Gronelândia depois ficou gelada. Deve ter sido por falta de Fiat Unos para aquecer a atmosfera com o CO2.
E aparentemente, ao contrario do que diz o “consenso” do Al Gore, as temperaturas que temos agora não são as mais altas do ultimo milénio mas sim apenas desde o fim dos anos de 1600 o fim daquilo que é conhecido com “o período quente medieval”. E onde as mudanças de temperatura foram cerca de vinte (20) vezes mais do que aquilo que hoje atravessamos.
Para além disso notei que há um problema com o aquecimento global. Deixou de aquecer entre 1998 e 2005, vejam lá…Quem o diz não sou eu.É a unidade de investigação climatérica da Universidade de East Anglia. Poderá ser uma variação no aquecimento, ou poderá não ser, quem sabe…Tal como poderá ter sido uma variação no aquecimento o facto do maior aquecimento do século XX se ter dado entre 1918 e 1940 muito antes da grande fase de industrialização desse século. Ou poderá não ter sido… Que será, será.
Não posso contudo deixar de notar que na minha pequena investigação notei que os ecofanáticos já não gostam de falar de “aquecimento global” preferindo agora falar de “mudanças climatéricas”. Poderá ter sido devido aqueles dados sobre o fim do aquecimento entre entre 1998 e 2005 ou poderá ter sido porque um estudo cientifico concluiu que um aquecimento moderado até será bom para o mundo. Menos procura de energia, abertura de uma vasta área da Rússia e Canadá à produção agrícola etc.
Mas dizem os “consensualistas”: “Se o mundo aquecer e o clima permanecer na mesma a mudança será ‘manageable’. (mas) Mudanças climatéricas severas poderão causar problemas terríveis”. Não percebo bem …. Mas creio que é por isso que para causar alarme já não se deve falar de aquecimento global, mas sim de mudanças climatéricas.
Bem, creio que já chega pois estou a morrer de frio. A olhar para a neve do fim de Março o que aqui na Capital do Império acontece pela primeira vez desde 1990.
Mando-vos um abraço
Jota Esse Erre
PS – O que é aconteceu ao buraco no ozono? Disseram-me que está a fechar… verdade? Deve ser porque estamos a emitir menos CO2, não? Ou mais?

III - Presidenciais Francesas: A eleição será um golpe de azar, frisa Villepin

O PM francês foi aos EUA falar com os intelectuais americanos pró-França, com Bill Clinton e o secretário geral da ONU. Deu uma grande conferência no campus de Harvard e preconiza o reforço da cooperação entre os USA e a Europa para o período pós - Bush II.

Dominique de Villepin deu uma " escapadela " até aos USA para comemorar, à sua maneira, o 4° aniversário da invasão do Iraque pelas tropas comandadas sob o controlo dos Estados Unidos. Convidado por Stanley Hoffmann, da Universidade de Harvard, porventura o mais " frenchie " dos grandes intelectuais americanos da actualidade, o PM francês entusiasmou a audiência - anfiteatro nobre cheio a rebentar pelas costuras como tinha acontecido com a palestra de Khatami, o ex-PR iraniano - e não se furtou a indicar que o resultado das presidenciais de 22 de Abril terá a ver com " um golpe de azar ", pois, acrescentou, os quatro principais tenores à chefia do Estado, apresentam percentagens quase equivalentes nas sondagens sobre a intenção de voto...

Toda a gente se questiona onde irá ser " colocado " Villepin, na noite da segunda volta das presidenciais francesas. Alto-comissário da ONU, embaixador em Washington, professor numa Universidade americana para rectificar os erros cometidos nos doze anos de vida política no topo gaulês? O que é certo, enquanto Sarkozy fez a volta dos " presumidos " à Casa Branca, Villepin avistou-se em Nova York com Bill Clinton e a nata da intelectualidade americana que pensa o " soft power " para o futuro do equilíbrio geopolítico do Mundo.

Num artigo no Le Monde, um dos correspondentes do jornal nos USA, revela a disposição do actual PM francês, em estilo confidencial: " Não tenho vocação para me imobilizar... ". Sabia-se que Jean-Louis Debré, actual presidente do Conselho Constitucional, lhe tinha oferecido a sua circunscrição nos arredores de Paris para ele a disputar nas Legislativas. Só que, refere o Le Monde, Villepin sinalizou já " que isso não lhe interessava ". " Uma missão, um combate! Amo o que é novo e o desconhecido. A cultura? A arte? A paz? A justiça? O desenvolvimento..., enumera o PM francês ", pontua o Le Monde.

Stanley Hoffmann, o grande sociólogo-politólogo de Harvard, confessou ao vespertino parisiense que tinha achado o PM francês "mais relax e voltado para o futuro ", do que há meses atrás no auge da crise terrível do falhanço do lançamento do Contrato de Formação Profissional para a Juventude, o verdadeiro canto do cisne da praxis política de Dominique de Villepin. Página virada, Dominique lembrou aos estudantes de Harvard a grande força do " modelo " americano:" A verdadeira força do modelo americano, não é constituída pelo seu exército. Pelo contrário, é constituída pela sua capacidade a incarnar o progresso e a modernidade, o controlo das tecnologias de alta definição e pela atractividade do seu território e da sua cultura aos olhos do mundo ".

FAR

Sinais

 

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segunda-feira, 19 de março de 2007

domingo, 18 de março de 2007

Hoje acordei

Assim:

E fui logo deitar-me no:

Divã do psicanalista

"... e, de repente, voltamos a estar na luta pelo título, com um golo de um chileno que eu não aprecio, com uma exibição gigantesca de um defesa-central que, por mim, tinha partido no Verão de 2005 e sem acusar, por um segundo, a ausência do goleador mais eficiente do futebol do Sporting desde o abandono de Manuel Fernandes.
Confirma-se o velho adágio: futebol é jogo de onze contra de onze e, no final, o Jesualdo perde!
"
Com a devida vénia, ao Tomas Vasques (pela foto) e ao Bulhão Pato (pelo texto).

Mambo 15

Sempre a aprendermos com África!!

Portugal.
Domingo.
Um transcultural slogan passeou-se por Lisboa, encarnado em cerca de 30.000 pessoas, meticulosamente enfaixadas em amarelos vivos - que se podiam avistar entre a ponte Klausilein (cada um dá-lhe o nome que mais o aviva) e o pano de meta ao alto com fundo arquitectónico soberbo, o Mosteiro da Serenidade Empedrada, que efusivamente se reflecte nos passantes mais demorados.
O objectivo pelo que detalhadamente observei, era alguém se puder esvair em entusiasmos mais profundos, não fosse o slogan,
"Solta o queniano que há em ti".




Bambu


(Raku 960º)

Sissine Rocha

O totalitarismo hediondo actual: flashes sobre o Irão e o Zimbabué

"O conceito de totalitarismo designa bem este duplo fenómeno: uma sociedade sem divisão, um poder que condensa a potência, o saber e a lei fundadora da ordem social. Adquire a sua pertinência máxima, quando se nota que o sistema repousa sobre uma lógica de identificação: são inconcebíveis os desvios entre o povo, partido, o bureau político e o Egocrata; tudo isso se mostra indiferenciado espiritualmente, se me é permitida tal expressão".
Claude Lefort, " Écrire à l´épreuve du politique", pág.367. Edit. Pocket. Paris

Duas reportagens recentes no Le Monde permitem-nos aprofundar a realidade de dois dos regimes totalitários mais chocantes e perversos que sobrevivem à escala planetária. Ninguém pode acreditar no grau de destruição - psicológica e material - que dois ditadores conseguem impor à esmagadora maioria das suas populações. Se a República Islâmica iraniana ainda parece conjugar um jogo de controlo do exercício do poder através do Comité dos Sábios e das alas heterodoxas da maioria parlamentar face a um Pr. populista e inveterado, Mahmoud Ahmadinejad ; já Robert Mugabe parece concentrar todos os poderes e estar lançado numa fuga para diante pletórica de sangue, de crime e de prepotência hedionda.

A inflação e a carestia da vida no Zimbabué batem todos os recordes mundiais, cifrando-se numa percentagem celerada de 1600 por cento ao ano. O salário de um professor primário não chega para pagar um depósito de gasolina de 40 litros de um carro. " Somos todos delinquentes. Sobrevivemos porque fazemos tudo à margem da lei. Ele fez de nós uma espécie de malandros ", confessou à repórter do Le Monde, Fabienne Pompey, um alto quadro de uma sociedade de grande distribuição. "Ele" designa Mugabe...

Há dois mundos paralelos no país: no primeiro, um dólar americano vale 250 dólares zimbabueanos, a inflação parece estar controlada a 400 por cento/ano e a recolha de cereais pode vir a ser um recorde. No outro, um dólar americano vale 7800 zimbabueanos, a inflação é incontrolável e toda a gente planta milho para não morrer de fome. Harare deixou mesmo de ter terrenos vagos: há milho plantado para matar a fome. Com a falta de divisas, as importações escasseiam e todos os sistemas de infra-estrutura - água, estradas e electricidade - caem em pane por falta de peças e avarias crónicas cada vez mais prolongadas. A solução é fugir, escapar à morte e à pobreza mais humilhantes, como na Libéria de Taylor ou na Serra Leoa de há poucos anos atrás.

" Com o altíssimo preço dos transportes públicos, trabalhar transformou-se num luxo. Por vezes pergunto-me porque é que os nossos operários continuam a vir à fábrica. Com o salário, pouco mais podem pagar do que o preço da viagem, explica-nos um quadro da fábrica de tabaco. A empresa oferece uma refeição na cantina, um uniforme e um seguro mínio de Saúde, o que torna evidentes as razões dessa deslocação diária. Muitos andam a pé, muitas vezes horas e horas. Na maioria das famílias, não se come senão uma vez por dia ", sublinha a jornalista .



No Irão, a situação económica está em derrapagem incontrolada. A renda petrolífera é empregue no consumo e no sustento mínimo da maioria da população, com os efeitos perversos adicionais. Inflação galopante, desemprego imparavel nos poucos centros industriais em funcionamento, a que se junta uma tensão política crescente entre a ala ortodoxa e a liberal do poder da mollocracia. De acordo com o apurado pela enviada especial do Le Monde, Marie-Claude Decamps, 90 porcento das promessas desenvolvimentistas feitas por Ahmadinejad falharam. " Isso faz ver os limites do populismo económico", segundo comentários expressos pelo economista local Said Leylaz." O antigo Pr., Rafsandjani era liberal, Khatami, uma espécie de socialista, agora Ahmadinejad não tem uma estratégia prioritária e só revela projectos a curto-prazo. Estamos a injectar na economia todos os lucros dos petro-dolares para manter esta política". Os custos de funcionamento do governo presidencial aumentaram 60 por cento num ano, a inflação ultrapassou os 20 e o preço dos apartamentos disparou 600 por cento...


FAR

Sinais

 

Desenho de Maturino Galvão
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Nota sobre o "Da Capital do Império"

O Jota Esse Erre está atrasado com a sua colaboração. Acabou hoje de fazer uma longa investigação ao fenómeno do aquecimento global e ao filme do Al Gore e agora - diz ele - vem a parte mais difícil que é escrever. Estará cá o mais tardar segunda à noite. Manda desculpas mas diz que o estudo mostrou -se mais longo e complicado que previa e além disso teve que dar prioridade a outros.
Abraços.
PS - O Jota Esse Erre diz que não acredita que vamos todos morrer cozidos como diz Al Gore e que a peça deverá irritar muita gente. Espero que sim.

sábado, 17 de março de 2007