quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Da capital do Império

Olá,

Antes de mais nada e antes que me esqueça espero que todos vocês assinalem o Primeiro de Dezembro como a tragédia histórica que foi. É prova que há muita coisa de mal que acontece por bem. Se não houvesse Primeiro de Dezembro hoje seríamos parte de uma região autónoma de Espanha, seríamos todos muito mais ricos e como minoria poderíamos sempre garantir mais tachos e mais fundos dos socialistas espanhóis afirmando estarmos a ser discriminados. Os socialistas entram sempre em pânico quando são acusados de serem racistas ou de serem culpados pelo facto de alguém há 600 anos ter morto alguém que era de outra raça ou nacionalidade e resolvem o problema como sempre: atirando dinheiro (dos outros) ao problema.
Mas hoje escrevo para vos dizer que o futuro poderá afinal não ser aquilo que era. Cheguei a essa conclusão quando tinha a televisão ligada para o novo canal de notícias de 24 horas, a “Al Jazeera English” que começou a emitir há poucas semanas - como o nome indica - em inglês.
Pois tenho a dizer-vos que estava eu a olhar para o meu computador ao mesmo tempo que um apresentador da “Al Jazeera English” falava já não me lembra sobre quê quando subitamente ele disse algo que me fez engasgar … e rir como eu não pensava ser possível rir a ver a Al Jazeera … mesmo que na sua versão English. Pois como estávamos a chegar à hora certa, (tempo dos anúncios), o apresentador diz (em English claro está) que “vou fazer uma pausa. Não se vão embora. Estão sintonizados com a Al Jazeera e eu sou Kamal Santa Maria”.
Kamal … Santa Maria???? Na Al Jazeera? Claro que me engasguei, então não havia de me engasgar!! Umas horas antes tinha sorrido para mim mesmo quando dois apresentadores de nomes bem ingleses (Felicity Barr e Stephen Cole) e com uma pronúncia inglesa “Oh tão classe alta e fina” se apresentaram dos estúdios em Londres acrescentando “ and you are watching Al Jazeera broadcasting from London”. Sorri para mim mesmo porque me veio logo à cabeça a ideia que no futuro a capital inglesa teria que provavelmente mudar de nome para Londristão. Lembro-me de olhar para a Felicity com a sua pronuncia “oh tão classe alta” e começar a imaginar como é que ficaria de véu.
Mas depois de ouvir o tal Kamal Santa Maria (onde é que raio o descobriram?) comecei a tomar atenção aos correspondentes da “Al Jazeera English” e afinal parece que o futuro já não é o que era. E isto ao que parece graças – pelo menos em parte - a esse grande campeão da globalização que foi o Infante D. Henrique (é verdade ) e também à globalização de ideias.
A “Al Jazeera English” tem uma correspondente em África com o nome de Gabi Menezes, uma outra que estava na Turquia chamada Barbara Serra e aqui em Washington uma tal Ghida Fakhry de uma beleza de caír para o lado (sem véu e pela qual fiquei logo apaixonado) e vejam lá o Dave Marash. Vocês não conhecem o Dave Marash. É um tipo de barba branca assim para o pesado, afável, com um daqueles sorrisos amigos, de gajo que compreende e uma voz de gajo paciente. Nunca se excita. Vejam lá que o Marash … é judeu! A pergunta que todos os árabes e judeus (e alguns que não são uma coisa nem outra) fazem de imediato é: o que é que um judeu está a fazer na Al Jazeera ?
Presumo que o mesmo que o Kamal Santa Maria. Isto é apresentar notícias no bom estilo da velha BBC. Vejam lá que outro dia a “Al Jazeera English” até tinha uma reportagem sobre um exilado que regressou ao Curdistão, que detesta o Saddam Hussein e quer vê-lo pendurado pelo pescoço o mais rapidamente possível. A certa altura nessa reportagem um taxista dizia ao retornado curdo que “nós gostamos muitos dos americanos e dos ingleses. Só é pena que os americanos não nos deixem acabar com os árabes”. Fiquei a pensar que só isso deveria ser o suficiente para alienar metade da população árabe e também de grande parte dos intelectuais europeus pois como nós sabemos no que diz respeito aos EUA muitos intelectuais europeus de esquerda não têm (ao contrário do que pensam) opiniões, mas sim sentimentos e tendem a confundir as duas coisas.
Não sei se as reportagens da Al Jazeera English são uma demonstração de que pelo menos em certos círculos árabes há uma luta sobre as normas e valores do Islão que ao que parece não são compatíveis com uma sociedade plural. Porquê? Porque não são apenas um punhado de crenças e princípios individuais mas sim acima de tudo um credo social, um meio de organizar a sociedade. E é esse debate que tem que haver no islão e por isso o “liberalismo” da Al Jazeera é uma lufada de ar fresco.
Pode ser que não. Ao fim e ao cabo Al Jazeera em árabe significa ilha e a cadeia de televisão abandonou os seus planos iniciais de chamar ao seu canal em Inglês “Al Jazeera International” escolhendo “Al Jazeera English” porque alguém teria feito notar que internacional não é …. English. O Jacques Chirac deve ter batido palmas a essa bacorada. Alguém me fez notar também que no portal da internet da Al jazeera English a hora dada é “Meca Time”, com uma referência ao lado da hora universal. Talvez um indício que o futuro poderá ser afinal o que era - pelo menos aí desse lado do oceano – e regulamentado parcialmente pela Meca Time.
De qualquer modo para já… viva o Kamal Santa Maria!
Ah já me esquecia…. antes de me ir embora tenho a dizer vos que também comecei a rir sozinho quando vi a reportagem do Papa na Turquia onde foi recebido apenas por alguns minutos pelo primeiro ministro turco porque este tinha que “ir a Riga” participar na cimeira da NATO.
Se o João Paulo II ainda fosse vivo ou teria rebentado a rir como eu ou então ter-se ia sentido insultado. É que (para desagravo dos letões) em Polaco a expressão “ir a Riga” significa … ir vomitar. Imaginem a cena. O primeiro ministro turco a apertar a mão ao Papa e a dizer-lhe “tenho que ir a Riga”….

Um abraço,

Da capital do Império,


Jota Esse Erre
 
Foto de José Carlos Mexia

Da série Sevilha Posted by Picasa

Extra – texto(s)

2.
Amanhã
Quantos dias há que se sucedem a esta palavra?

Amanhã é sinónimo de esperança.

Palavra acalento.
Palavra que reconheço.
Outono de frase – promessa de recomeço de conversa.

Lagartixa breve ao sol do meu pisar.


Amanhã.
Contar coisas de dentro ao Pai.
Ele ouve e sorri na infinita sabedoria de ancião que se está nas tintas e se peida paulatinamente sem querer saber de quem o possa ouvir...

A idade faz-se amanhã.

Fernando Rebelo

Sinais

 
Desenho de Maturino Galvão Posted by Picasa

Sartre:" A consciência está fora; não existe interior da consciência"

De uma entrevista capital de J-P Sartre ao editor norte-americano Paul A.Schilpp, na companhia de Michel Rybalka, Oreste Pucianni e Susan Gruen-
Heck. Realizada em Paris nos finais dos anos setenta.


" Porque é que o ego teria que pertencer ao mundo interior? Se é um objecto da consciência, está fora dela; se se encontra na consciência, então cessa de ser extra-lúcida, cessa em ser consciência dela própria para se confrontar com um objecto no interior dela mesma. A consciência está fora; não existe interior da consciência.

" A subjectividade não está na consciência, é a consciência; é por aí que se pode reencontrar um sentido da consciência que será objectividade para o sujeito. O ego é um objecto que roça a subjectividade, mas que não está na subjectividade. Não pode haver nada disso na subjectividade.

" Por detrás da consciência reflexiva, como uma espécie de identidade comum a todos os estados que sucederam a uma consciência reflexiva, existe este objecto que apelidaremos de ego. ( ...) O social não existe na "Náusea ", mas apercebemo-nos dele no romance ".

FAR

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

 
Desenho de João Fróis Posted by Picasa

Extra – texto(s)

1.

Equinócio.
Uma tenda quente que te faz suar.
Uma saia vermelha a esvoaçar.
Tardes de circo com os olhos presos nas pernas bonitas da trapezista.

O circo em tons de azul no suspiro aliviado das mãos
que não deixavam
que a trapezista caísse.

No princípio do Inverno éramos miúdos
e comíamos batatas-doces assadas.
Amarelo-castanho com pingos dourados na casca estalada.

Ainda me lembro da trapezista.
Pernas brancas, bonitas,
vontade grande de demorar as mãos
por ali acima
até descobrir um segredo húmido...

Fernando Rebelo

terça-feira, 28 de novembro de 2006

 
Foto de José Carlos Mexia

Da série Sevilha Posted by Picasa

França: Ségolène precisa dos votos da Esquerda Radical para vencer

Jacques Bidet, sociólogo da Uni. de Paris X-Nanterre e Jean Matouk perspectivam o estado de mobilização e programático da Esquerda à esquerda do PS francês que vale mais ao menos 15 por centos dos votos do eleitorado...

As análises políticas são como as cerejas e em espiral. Temos dado a conhecer os pontos axiais do futuro da vida política francesa, do seu centralismo esfacelado e de um PS conduzido por uma Ségolène Royal, a quem é pelo magma interclassista dos seus eleitores lançado o rapto de elaborar uma nova síntese de orientação social e económica que afaste os equívocos de uma social-democracia demasiado comprometida com o sistema capitalista da era da supremacia financeira e do virtual flagelo da desigualdade radical. È isto que estes dois textos, clique aqui e aqui, dão a ver.

O sociólogo de Nanterre diz que a " Esquerda " clássica está em mutação e pode mesmo desaparecer, mas " a persistência de baixo continua sempre a existir. Mas falta-lhe instância política que lhe voltaria a conceder consciência política. A resistência antiliberal exprime-se numa miríade de associações, diversamente politizadas, cobrindo todas as dimensões da realidade social. Mas as organizações políticas radicais, cuja mediação é indispensável, encontram-se num impasse ", frisa.

De acordo com Bidet, tudo separa as duas formações políticas à esquerda do PS. E adianta: " O PCF é um partido onde se morre. A Liga Comunista Revolucionária é um partido por onde se passa. Isso não faz coincidir o mesmo tipo de demografias. De um lado, um partido implantado na população, nos sindicatos e nos bairros, ao cabo de longas lutas sectoriais travadas. Do outro, uma elite radicalizada, pelo menos com a cultura e os médias, e que surfa com ardor sobre tudo o que mexe. O PCF não está em fase com a sua história. A Liga não quer conhecer a sua sociologia. Um, diz o outro, está no fim da corrida, condenado à repetição. O outro, diz o PCF, não é senão um movimento de nómadas, cujo maximalismo verbal não tem suporte no real... ".

A solução aponta, segundo J.Bidet, está em encontrar uma personalidade federadora, pois o " centro de gravidade da extrema-esquerda não se encontra nos partidos que dela se reclamam " e caberá, reflecte, " aos comunistas compreender que os tempos mudam e que o futuro do partido está em colocar-se no coração de uma estrutura mais vasta e mais diversa, que não pode usar o nome antigo "

Matouk, antigo prof de Economia de Paris- Sorbonne, diz que o eleitorado tradicional do PCF parece disposto a votar em Ségolène se esta apresentar um programa económico que os convença. A eles adeririam José Bové e os Verdes do Não." Pelo contrário, a LCR, a Luta Operária e o Partido dos Trabalhadores, se bem que revelando desacordos, comungam da mesma aspiração subliminal de impedir o PS e os seus aliados em aceder ao poder ". E enumera todos os pontos inovadores plausíveis de um projecto económico e social da candidata oficial do PS francês, sobretudo a promoção da economia social pelo estímulo na criação de cooperativas operárias para salvação de unidades industriais abandonadas pelos accionistas privados.

FAR

Sinais

 
Desenho de Maturino Galvão Posted by Picasa

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Um exemplo

Nem de propósito, como que para ilustrar o meu post anterior, o blasfemo jcd escreve um post revelador. Nele se retoma polémica antiga sobre o papel de Milton Friedman, guru do ultraliberalismo, e dos seus "Chicago Boys", na definição da política económica do Chile de Pinochet. Como estes "ultraliberais" ou "neo-liberais" são quasi-anarco-capitalistas, temos aqui matéria para perceber o que escrevi. Para o jcd o Chile da ditadura é um caso de sucesso; isto porque, independentemente das perseguições, torturas e mortes, transformou-se numa economia capitalista moderna. Aqui está, preto no branco, um exemplo da definição que se tem de liberdade. Inclusivé, acrescenta, o golpe é justificado porque Allende, embora democraticamente eleito, em 3 anos destruiu a economia. Na mouche!

Sobre este tema recomenda-se a série de posts que o João Pinto e Castro publica no bl-g- -xs-t-, que inclui um artigo de Greg Grandin sobre o papel de Friedman e Hayek no Chile de Pinochet, e este post opinativo final do autor, o qual, aliás, é o que origina a resposta do jcd.

Liberdades

Hoje por hoje é quase trivial considerar que, para além da tradicional divisão esquerda/ direita, um outro eixo contextualiza as diversas teorias políticas: o eixo libertário /conservador. Este entrecruza-se com o anterior, originando assim diversas nuances, como veremos. Deixando de lado os conservadorismos vários, de esquerda e direita, debrucemo-nos sobre as teorias libertárias. Observamos duas visões mais radicais, que nos permitem discernir aquilo que podemos definir um pouco simplisticamente, e apenas para mais fácil entendimento, como Libertários de Esquerda e Libertários de Direita. De um modo resumido, como convém à formatação em que escrevo, uma diferença essencial se observa entre ambos: enquanto à esquerda a "liberdade" é entendida sobretudo como liberdade política, à direita é acima de tudo liberdade económica. Deste modo se explica como os "anarquistas clássicos", representantes radicais da esquerda libertária, defendam o fim de toda e qualquer autoridade do Estado ao nível político, não dando grande importância à questão económica, ou defendendo mesmo um modelo cooperativo; do mesmo modo, à direita, os "anarco-capitalistas" concentram-se na liberdade económica, defendendo o fim de toda e qualquer intromissão do estado na economia e pugnando acerrimamente pela propriedade privada, sustentando a manutenção de um aparelho estatal concentrado apenas na autoridade, ou seja, no exército, polícias e tribunais; exactamente aquilo que os libertários de esquerda contestam. Existem, como é óbvio, algumas nuances, especialmente nos EUA, onde certas correntes minoritárias tentam um pouco absurdamente conciliar as duas visões (não se vê como se defenda a propriedade privada sem autoridade). Mas de um modo geral é esta a regra que nos permite distinguir um libertário de esquerda de um de direita. No meu caso pessoal, sempre me considerei como da "esquerda libertária", embora nunca de um modo radical (desconfio de todos os radicalismos), o que, no meu entender, significa defender a liberdade do cidadão sobretudo ao nível político: liberdade de intervenção, de expressão, aprofundamento ao máximo possivel do processo democrático, não-intromissão do Estado em questões morais ou de índole privada. Já quanto à questão económica, defendo a propriedade privada, mas não como totem; em certos casos, a propriedade estatal ou a regulação aumentam a liberdade do indivíduo, como escrevi por exemplo aqui. Mas este é um tema complexo ao qual voltarei.
 
Desenho de João Fróis Posted by Picasa
 
Foto de José Carlos Mexia

Da série SevilhaPosted by Picasa

Agradecimentos

O Geração Rasca promove a votação dos melhores blogues de 2006.
Agradeço aos blogues: África de Todos os Sonhos, Azul Dragão, Chuinga, A Cozinha Da Joana, Espreitador, Estes Momentos, Kitanda, A Minha Sanzala, Mbanza Kongo, Postais de Novalis e Pululu, a referência.

domingo, 26 de novembro de 2006

A morte de Mário Cesariny de Vasconcelos


(Imagem encontrada em cadetral.weblog.com)


Quem lê Poesia, sabe: existem três grandes poetas portugueses neste século (xx) -- Pessoa, Jorge de Sena e Mário Cesariny. Se entrevistei J Sena em Paris e tentei entrevistar o H. Helder na Brasileira, lá só conheci o secretário do grande poeta e pintor hoje desaparecido. A sua poesia obtém-se por decantação e, como escreveu Jorge de Sena, um dos seus mais fantásticos críticos incondicionais, " se bem que tendendo sempre para uma espécie de autodestruição, esta poesia culmina, nos seus melhores momentos, em admiráveis explosões de lirismo desesperadamente erótico.". Justamente, sobre a mediação fusional das linguagens, da poesia, da pintura e da filosofia, tudo se torna mais fulgurante nesta nótula de MC Vasconcelos sobre Helena Vieira da Silva: "Como a neve intocada, fixa à mais alta montanha, ou como a neve negra das cidades no chão do trânsito humano, os brancos e os cinzas de Vieira, sinais do que já foi ou apenas dará o imarcescível. Mesmo os negros funcionam como luz violentada, azul interceptado, clareira destruída, algo como a pureza tomando o seu banho de lama. Seu, M.C. ".



(Imagem encontrada em www.postershop.com)


FAR

CADERNO DE OUTONO


1.

A castanha a estalar no lume.


Risos quentes de amigos. O estalar das folhas secas na beira do caminho.

Tarde amarela, feita de conversas vagas.

Vontade de agasalho, de um crepitar morno de lareira no começo da noite.


As primeiras chuvas que trazem os odores secretos da terra.


A réstia do sol na manhã estremunhada por entre lençóis e o primeiro cobertor.


O cheiro adocicado e breve das castanhas.


Tardes cada vez mais noites.


Luzes estalando no pôr - do - sol cada vez mais breve, cada vez mais leve.

Paisagem acastanhada que me acompanha e me aconchega.



2.

Como o bafo de um dragão prestes a expirar, o nevoeiro cobre tudo.

Em rolos densos, esbranquiçados, enovela-se nas esquinas.

Um ar frio que penetra até ao mais fundo das almas.


Onde estamos?


Mal te reconheço no meio desta cal.

Paredes liquefeitas,

árvores - espectros à beira das ruas imaginadas.


O vento, esse, há-de estar adormecido, num sono de ébrio, em qualquer caverna.


Gemem as folhas queimando-se na geada matinal.


O dragão exala o seu bafo moribundo

e cobre de névoa o mundo.




3.

Perder-me num novelo eriçado.

Passado que foi Setembro, deixei-me embainhar neste casulo delicado.

Rebento em Novembro

numa explosão alaranjada de cinzas e fogo.

Flor amarela.



4.

Não tinha percebido que o Outono chegara.

Dantes, eram as tardes arrefecendo numa conversa que anoitecia.


Guardava os calções e encontrava o conforto das calças.

5.

Ainda há-de vir quem me explique o Outono.

Aquele que se demora à mesa com a devoção de quem desfruta.


A calma que decorre do Verão.

Tempo castanho

Mornidão.

Alguém que chegue para me explicar cada estação...


6.

Chega Outubro e vem Novembro, eu não entendo.


Amanhã há – de ser outro mês.


Na terra tudo se passa de outra maneira.

Há que deitar água, há que estar atento.


A folha ainda reverdece, outras há que ganham tons amarelecidos, desmaiam, estiolam

e caem.


Amanhã diz-me que hei-de ser outro, que hei-de mudar.


Novembro é outro. Eu sou.


7.

Agora vejo tudo.

Outubro foi-se e chegou Novembro.


Novembro chega e eu apercebo-me da sua chegada.

Subo a gola, encolho-me.

Não me reconheço na procissão.

(Isso não, é demais...)


Procuro nos bolsos as cinzas das castanhas...


Novembro é o mês que todos enjeitam.

Criança deitada na Roda.


Menina...


8.

Quando nos deitamos dormimos o sono

ou, antes, deitamos ao dono o dormir de cada Outono?...

Fernando Rebelo

Sinais

 
Desenho de Maturino Galvão Posted by Picasa

Emmanuel Todd: Ségolène Royal tem que revelar alternativa económica credível

Um dos maiores politólogos da Europa envia recados directos à direcção
do PS francês e corta cerce o triunfalismo pelo actual estilo " Royal "...


O texto de Emammuel Todd, o politólogo vedeta do êxito mundial das teses sobre o "Declínio dos EUA ", não se deixa enganar pelo barulho mediático ensurdecedor que se formou em torno da candidatura( ja aprovada) de Ségolène Royal como joker do PS para a disputa das Presidenciais francesas, em Maio 2007. No texto que pode ler na íntegra, clique aqui, o iconoclasta politólogo desarma o entusiasmo fácil e falso criado pela eleição no interior do PS, verdadeiras Primárias à americana, do qual saiu vitoriosa uma dama da burguesia média-alta, feminista e independente BCBG( Bom Chique Bom ,Género(Estilo), S.Royal.

" O voto de 21 de Abril 2002, o não à Constituição Europeia, a violência e as manifestações contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE), revelam que só um projecto económico que se afaste do liberalismo selvagem, das deslocalizações, do pesadelo do nivelamento dos salários, lhe permitirá ir ao encontro desse eleitorado ". Porque, adianta, " foi um partido largamento separado da sociedade que designou Ségolène Royal ": " De facto, os três quartos dos votantes nas primárias do PS, revelaram como principal preocupação não as tendências profundas da sociedade, mas única e tão-só o objectivo de assegurar a vitória eleitoral do patrão seduzidos pelas injunções dos institutos de sondagem que asseguravam inelutável a vitória de Ségolène Royal . Ainda por cima os novos aderentes provêem na sua esmagadora maioria das classes superiores- tendência burguesa-boèmia(bobo) ou não - e reflectem muito fracamente a realidade sociológica do país ", frisa ainda.

Todd vem a terreiro pela segunda vez para lançar os seus avisos. O PS tem que servir os interesses das classes populares que sofrem as passas-do-Algarve com o incontrolável processo da Mundialização. Aliás, a vitória entre a direita e a esquerda francesa vai depender da credibilidade com que a Esquerda, na sua forma diversa e diferenciada, se capacitar para responder com projectos concretos aos terríveis flagelos do desemprego estrutural, o rateio da Segurança Social e ao fim do Ensino e da Cultura universalizantes.

" De facto, quem quer fugir da realidade económica activando os valores societais, a segurança e as questões de identidade, acaba sempre, se quer tornar-se eficaz, por designar um bode expiatório, isto é, reforçar Jean-Marie Le Pen ", remata, exortando: " Não podemos excluir o facto de que, extraindo as lições da sua designação, Ségolène Royal venha a comprender o fenómeno de resistência que traduz o voto Fabius e adopte um programa de acordo com tais intenções: Que aceite, em suma, o não-sentido da sua vitória. No fundo, a questão principal diz respeito a saber se ( ela) saberá emancipar-se dos que a fizeram rainha ", conclui.

FAR
 
Pintura de João Fróis Posted by Picasa

MAMBO 4



Seis da manhã. Na carrinha, uns dentro e outros tantos na caixa aberta, percorremos umas quantas ruas de Benguela esboçado já o laranja no sol, antecipando a dança nas rodas gingonas a valsarem com as ancas da estrada. Num local humilde forrado a tijolo, um espaçoso quadrado térreo abriga jovens de ambos os sexos, esperando o batuke como sinal para os seus corpos não pararem mais. Oferecem-nos assento em bancos e cadeiras, optando nós mesmo pelo murete de cimento em primeiro camarim para esbugalharmos bem a alma, nem sempre os dias são tão generosos. O professor Mias e um coreógrafo vão alinhando ideias ao longo de todo o ensaio com os seus bailarinos, descalços, com meias, estilosos, esburacados, mas todos igualmente poderosos nos seus corpos em equilíbrios de aves encantadas. Pregados os meus olhos aos seus sensuais movimentos, fortes, delicados, prementes em felizes linhas, passam-se quase duas horas de fascínio perdurável. O batuke constante gritado das peles esticadas dos dois tambores altos, é insubstituível, ocupa a manhã como se fosse sólido; dois homens estão debruçados sobre as suas mãos neles, a revelar a essência da vida através daquele instante suado e perfeito. Talvez dionisíaco. Encurralada na furiosa percussão, desejo ficar ali para sempre. Às vezes deseja-se isso. É raro, sabemo-lo. Os bailarinos revelam uma resistência assombrosa, um tchindele não suportaria tal desgaste. A dança continua, ora simbolizando a colheita do milho ora a escolha do marido. Faces recuadas ao chão em agradecimento à fertilidade da terra, os olhos das bailarinas transportam esperanças misturadas. Fico parada talvez para sempre, a sentir a energia entre os seres humanos e o seu planeta. De alguma forma está ali resumida uma sabedoria imperdível. Num outro ritmo, as raparigas agarram no ar o corpo do homem que se lançou com as duas mãos sobre os seus ombros, como se fosse saltar para o espaço, enquanto elas de olhos doces lhe sentem a fortaleza dos músculos, o ímpeto do salto, o entusiasmo do peso, o cheiro da entrega, sabendo desse modo se será aquele o eleito. E se fosse assim daqui para a frente...
Quando os elementos do grupo Bismas das Acácias terminarem o ensaio, ainda a manhã se arvora. Muitos andam na escola e vão dali para as suas primeiras aulas, outros para as suas tarefas e negócios, talvez em kaponte - mercado informal local.
Mas o dia, esse nasceu de forma muito especial: com eles dançando.
Em África sou sempre feliz!!
Tchindele (pessoa de pele branca)
Foto esq: Ensaio /Foto dtª: Prof. Mias-Benguela
In/Apontamentos: Bismas das Acácias (2005/06)

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

 
Foto de José Carlos Mexia

Da série Sevilha Posted by Picasa
Armando,

Só hoje vi o teu mail. Falta de hábito e dispersão noutras coisas. Esta dupla Governo/Cavaco não me dá descanso. Não pára de produzir excelente material para a divina comédia nacional. Conseguir incluí-lo todo em textos é um bico-de-obra. Já tenho alguns escritos sobre o “país cavacado” mas ainda não os publiquei no blog. Este pândego duo não pára de nos brindar com verdadeira arte. Ainda bem que a corrente predominante actual é o “subsidiísmo”, porque em Portugal dadaístas e surrealistas ficariam desempregados, com o seu espaço criativo invadido por verdadeiros artistas na manipulação da lógica. Que ainda por cima velejam no tumultuoso mar da arte pura. Arte pela arte.

Gosto muito o seu desprendimento material, o quase nojo em relação ao vil metal, aquele material corrompido que o comum mortal usa para comprar arroz e batatas. São introduzidas taxas nos cuidados de saúde? Quando se pensava que era por causa do bago que uns euros tirados a milhões de utentes somariam no fecho da folha da contabilidade. Que o Estado aprendera com a banca cobrando todos os serviços prestados. Que realizavam no Orçamento de Estado o velho adágio “grão a grão enche a galinha o papo”. Não, nada disso. São taxas pedagógicas. Chamar-lhes “moderadoras” causou confusão. As pessoas pensaram que era mais uma forma chica-esperta de lhes tirar o dinheiro, pois fugir a uma cirurgia ou internamento é difícil, por muito que se queira moderar o consumo destes produtos hospitalares.

Afinal servem para aportuguesar o conceito de “there is not such a thing as a free lunch” que os nossos economistas aprenderam nas universidades americanas. Como a rapidez da vida moderna substituiu o “lunch” pelo sandes (no masculino, segundo o Miguel Esteves Cardoso e contra o corrector automático) foi preciso entrar no campo hospitalar para associar a “dor” ao “pagar”. Não há operações ao apêndice de borla. Não há transplantes de rim grátis. Não há dias de papo para o ar entrapado numa enfermaria sem “quer a continha agora cliente?”. Tens de concordar que lhe dá uma outra dimensão que o “lunch” não tem. Talvez uma necessidade incontornável. A maioria dos portugueses estava a deixar ficar o almoço para o jantar, dificilmente compreenderia a metáfora americana. Assim ficam a saber quanto custa a vidinha sem o Estado gastar dinheiro em coloridos desdobráveis ou explicativos anúncios pagos nos jornais.

E que dizer daquela cena do Cavaco em Belém a molhar o pãozinho no azeite? Do melhor que eu já vi. Com uma banda sonora do Gato Barbieri pareceria “O último tango em Paris”. O palácio de Belém sempre me pareceu o chão de uma cozinha na capital francesa. Eu sei que o orifício em questão era outro, mas como vivo em Portugal não consigo sacudir a sensação de estar a ser comido. E que o Marlon Brando utiliza a manteiga, quiçá produzida com prejudiciais químicos. Com azeite biológico escorrega melhor e não fará mal ao zuate popular, e a nossa classe empresarial, acostumada ao seu consumo durante as negociações da concertação social, adora e recomenda.

Um abraço.

Maturino Galvão
Táxi Pluvioso e Soft Asphalt

Sinais

 
Desenho de Maturino Galvão Posted by Picasa

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Angola: desenvolvimento começa pelas Vias de Comunicação

A China tem a parte de leão na adjudicação, construção e reconstrução das vias-férreas e terrestres com equipes técnicas autóctones e numerosas; Brasil e Portugal associaram-se para a construção do novo bairro da élite no poder em Luanda. James Traub, do NY Times, conta tudo o que viu.

A China ocupa o lugar deixado vago pelos EUA e a Inglaterra como principal financiador, cliente e fornecedor (têxtil, bugigangas e material eléctrico barato) de Angola. Em troca, a República Popular vai explorar ao largo de Cabinda duas concessões petrolíferas que, de certa forma, caucionam e amortizam o trabalho a realizar pelas grandes construtoras da RPC, um pouco por todo o vasto território angolano. A jogada, o take-over da China é magistral: leva o petróleo para casa, empresta dinheiro para lhe pagarem os grandes estaleiros de três linhas férreas e uma nova barragem, esta infra-estrutura a edificar no Norte. Pelo menos. Pois existem projectos adicionais que podem vir parar também às mãos dos chineses, enquanto o diabo esfrega um olho: rede hospitalar de Saúde, de Ensino e de Fomento Desportivo. Está-se mesmo a ver...

Portugal e o Brasil quedam-se por construir uma urbanização de luxo, Luanda Sul, não longe do Roque Santeiro, onde se imporá uma gigantesca torre da Sonangol e dezenas de milhares de metros de escritórios suplementares. James Traub, do NY Times, viajou imenso por todos os cantos do país e foi recebido pelo PM, Jaime Aguinaldo, um tecnocrata, de mãos limpas, cheio de entusiasmo e energia para vencer os enormes desafios. O enviado especial do NYT sintetiza os anos de destruição causados por uma longa Guerra Civil e as exacções outrora cometidas pela nomenclatura angolana. José Eduardo dos Santos parece dar sinais de anunciar em breve a recandidatura, nota. Clique aqui

Narra o afastamento dos EUA e da Inglaterra de qualquer processo de desenvolvimento, como represália contra o Estado angolano em não se vergar aos diktats do FMI , em 2000/02, especialmente. " Os biliões que a China ofereceu pelos campos petrolíferos angolanos no offshore causaram espanto nas grandes petrolíferas ocidentais ", comenta o jornalista. Com eles, o poder angolano arregaçou as mangas e decidiu apostar num plano de reconstrução das principais infra-estruturas do território. Os chineses ocuparam o vazio dos países ocidentais e saltaram na oportunidade, um pouco como vinham fazendo por todo o Continente e aplicando a doutrina de " bem com todo o tipo de regimes políticos " e, se possível construímos pavilhões desportivos com o emblema do partido no poder...

" A China tem uma longa história como parceiro de desenvolvimento: Um pouco por toda a África engenheiros chineses construíram pavilhões desportivos e palácios de congressos por encomenda de ditadores. Mas agora a China também investe muito para assegurar a satisfação das suas necessidades em petróleo e gás e outras matérias estratégicas, tornando-se um investidor financeiro alternativo para o desenvolvimento de qualquer país ", analisa. " Felizmente para Angola, um novo benfeitor e parceiro económico surgiu, nos princípios do novo século ".

FAR

O Poema

 
Desenho de João Fróis Posted by Picasa

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Da capital do Império

Olá,
Desculpem o atraso mas estou ainda a recuperar das eleições ganhas pelos gajos da quadrilha da Lucky Pelosi. Como se previa e para usar a analogia do “underworld” de Los Angeles (a que eu chamo de Terra do LA LA LA) os Crips bateram os Bloods
Agora estamos todos à espera de Godot que aqui nos States é conhecido pelo nome de James Baker, o “consiglieri” da família Bush, transformado em D. Sebastião que vai salvar o vosso “schadenfreund” americano dos Mujahidin Sem Fronteiras.
Tenho a dizer que eu gosto das eleições americanas que se prolongam por meses sem fim, custam massa a granel e em que à medida que a data da votação se aproxima se transformam com cada vez mais intensidade num jogo de insultos pessoais impensável aí do outro lado do charco.
É bacano. Anúncios da televisão em que um candidato é acusado de ser mentiroso, é respondido com outro anúncios acusando o acusador de ser amigo de prostitutas e gangsters ou, horror dos horrores ter ido a festas de homossexuais. Imaginem isso aí na Lusitânia …. com o que se diz do Sócrates e do Portas.
Jornais na Geórgia noticiaram por exemplo que um candidato (Harold Ford) tinha em tempos ido a uma festa da revista Playboy e logo de seguida apareceu um anúncio com um gaja com aspecto de pêga, ombros nus a piscar o o olho e a dizer “Harold Ford! Estou à tua espera”.
Outro dos meus favoritos foi aquele em que uma voz funda dizia “Brad Miller paga para sexo mas não quer pagar para dar coletes de protecção aos nossos soldados”, uma referência ao facto de Miller ter sido acusado de pagar por prostitutas mas ter votado contra o aumento de gastos no orçamento de defesa. Gramei à brava, assim como aquele em que se mostrava o candidato Michael Steele a abraçar George Bush e uma voz com tom irónico dizia “Micahel Steel ama George Bush”, dando ênfase à palavra “ama”. Nos tempos que correm isso foi pior do que acusar Steele de ir às putas.
Aparte isso tenho a dizer que estou chateado porque o Rumsfeld se vai embora. Os seus briefings eram a coisa mais popular entre jornalistas e não só. As cadeias de televisão dizem que sempre que o Rumy falava os ratings subiam. O Rumy (como a malta dos jornais o conhece) não queria necessariamente ser controverso mas, ao contrário do que é normal entre políticos, não tinha medo de ser impopular. Devia ser da idade. Mas isso tornou-o popular e controverso. Como ele próprio gostava de dizer: Coisas da vida. Claro que se pode afirmar que o Rumsfeld é também prova que o perigo existe não quando os estadistas não podem viver de acordo com os seus princípios, mas sim quando o podem fazer.
Mas de qualquer modo o seu modo de responder a perguntas com perguntas retóricas, o seu uso de expressões do tempo dos nossos avós, faziam com que os jornalistas (e não só) vissem Ramy como um tio-avô onde se ia todas as semanas para uma lição de gramática, filosofia, retórica e o ocasional esbofeteamento verbal, uma mistura de arrogância e de palavreado de tio-avô sem igual.
É agora parte da mitologia do Pentágono em como Rumsfeld mandou um destacado oficial redigir dez vezes o mesmo memorando porque todas as vezes que o recebeu detectou erros de gramática. As “regras Rumsfeld” – uma série de princípios adoptados ao longo da sua vida – tornaram -se se num enorme sucesso na internet, entre as quais o conselho para ninguém se sentir enfatuado ou insultado pela imprensa que “é um facto da vida”
Vocês podem não acreditar nisto mas houve uma altura em que Rumsfeld tinha a imagem de uma estrela de rock e mesmo de “sex symbol”. Até chávenas de café se venderam com a foto do Rumsfeld a afirmar “ não quero perguntas idiotas antes do café”. Isto depois de numa conferência de imprensa quando todos começaram a gritar perguntas o Rumy respondeu: “Calma, calma. Que diabo, eu sou um velho, é muito cedo de manhã e ainda estou a tentar pôr a cabeça em ordem”.
Lembro-me de um briefing em que o Rumsfeld respondeu quando interrogado sobre uma noticia citando “fontes no pentágono”: “O Pentágono é grande. Centenas e centenas, milhares de pessoas. Quem são essas pessoas? Ninguém sabe. É um mistério. A vida é assim”
E quando pressionado a responder ao facto do “mundo” não apoiar a invasão do Iraque:
“Um, dois ou três países levantaram-se e manifestaram a sua oposição. E por razões que desconheço isso é considerado o mundo por alguns de vocês”
“Há unanimidade? Não. Havia alguém que esperava unanimidade? Não. A vida não é assim,” respondeu ele antes da invasão do Iraque.
E quando se tornou claro que não havia armas de destruição em massa: “A ausência de provas não é prova de ausência”
“Você havia de gostar da minha mulher. Quando me pede para ser “breve” está-me a impôr limites,” outra das respostas do Rumy.
Tenho que vos dizer que eu comecei a gostar do Rumsfeld quando ele irritou o snob do Villepin ao dizer que a França era parte da “velha Europa”. Na altura bem me recordo que um jornalista francês disse-me que o Rumsfeld deveria ter acrescentado … “e Paris é o museu”. Não sei se isso era insulto ou elogio mas fiquei com a impressão obvia que esse francês não gostava de Paris.
Não sei se o Villepin vai sentir a fatal do Rumsfeld quando sair do governo para se dedicar a ler poesia dos Taliban nos “salons” de Paris para agradar aos jovens revoltados dos “banlieus”. Sei de certeza que quem vai sentir a falta do Rumsfeld é o Paulo Portas. O Rumsfeld gostava dele. Lembro-me de ver os dois a trocarem presentes quando o Portas veio como aqui como ministro da Defesa. As minhas notas indicam que a 18 de Junho de 2002 Rumsfeld recordou que tanto ele como Portas tinham sido eleitos para as legislaturas dos respectivos países “com pouco mais de 30 anos”.
Depois recordou que tanto ele como Portas tinham sido nomeados para as respectivas pastas de defesa “com pouco mais de 40 anos” (Rumsfeld pela primeira vez)
“Para vocês mais jovens estou a avisar-vos. Pode ser que vocês voltem a ver este homem (o Portas) de volta aqui em 2030”. Só isto deve ser suficiente para irritar muita gente ai na Lusitânia, mas o Portas, esse… gostou. Eu vi-o a sorrir.

Um abraço

Da Capital do Império

Jota Esse Erre
 
Foto de José Carlos Mexia

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Os sinais... do Fernando... Rebelo

Vejo, enquanto almoço, a reportagem engraxada dos CVC... faltam-me o resto das iniciais da sigla para confundir a turba... Enfim, os locais que hão-de fazer equivaler ao 12º ano toda uma vida escolar de exclusão.
Dá para tudo e permite tudo.
Há mesmo quem sonhe com um percurso na Universidade.
Este Ministério da Educação parece-me cada vez mais um devoto leitor de Melville: temos um velho e obsoleto navio, o "Pequod", um comandante ressabiado, Ahab e uma misteriosa baleia branca: Moby Dick.
Tudo estaria bem e certinho se este não fosse um sector fundamental para qualquer país civilizado...

Sinais

 
Desenho de Maturino Galvão Posted by Picasa

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Ségolène Royal: a política da vida lutando pela autonomia

Não perca, de modo nenhum, a leitura deste artigo, clique aqui, hoje publicado no Libération. Trata-se de uma análise muito trabalhada e que abre novas perspectivas sobre a intervenção política em França e na Europa. Grunberg e Laidi dão cartas em Ciências Políticas

Os analistas políticos espantam-se com o fenómeno Ségolène Royal, de quem já elogiamos o temperamento e o sex-apeal. Foi escolhida pelo PS francês, arrasou dois pesos pesados, os elefantes, do paradisíaco e alcatifado mainstream pariseense da Rive Gauche: Laurent Fabius e Dominique Strauss-Khan. Deixou-os a milhas e conseguiu aguentar as rasteiras semeadas pelos dois numas renhidas Primárias.

" Poder-se-á explicar o sucesso de S. Royal pela influência dos Médias e a vitória da Democracia de Opinião sobre a Democracia de partido. As coisas não são assim tão simples. Se a democracia de opinião influenciou a escolha dos militantes, ela também reforçou o PS graças ao reforço da chegada de novos aderentes. Em verdade, o voto para Royal coagulou dois tipos de apoios: o dos novos militantes ávidos de renovamento e o do aparelho do partido, preocupado em esconjurar uma nova derrota ", apontam os dois politólogos.

Focando, principalmente, a forma táctica operada pela prática política de Ségolène Royal na dura caminhada até à vitória como candidata do PS, que consistiu na implementação de um propósito acutilante e interactivo - " segui-me porque eu me reconheço também em vós "-
esta inflexão, segundo os nossos sociólogos, demonstra uma " capacidade a incarnar " mais uma simbologia do que uma realidade tangível, a da presença e a da autoridade. " S.Royal, como outrora Mitterrand, procura identificar-se a uma França rural, na qual não é preciso uma pessoa fechar-se mas com a qual é indispensável não temer o contacto ", frisam.

Toda esta estratégia pulverizou os dois economistas do Tout-Paris de Esquerda,D.S-Khan e Fabius. E quebrou o feeling de " ruptura " avançado pelo putativo candidato da direita, Nicolas Sarkosy. Este tem à perna agora dois possíveis candidatos do seu partido, Villepin e Alliot-Marie, para lá do centrista Bayrou que pesca nas mesmas águas. Chirac pode ir para uma qualquer ilha tropical dormir a sono despregado, se o cheque depositado no banco de Tokyo for verdadeiro, como dizia o Canard desta semana. Ele acha que Ségolène tem muitas hipóteses de vencer as presidenciais de Maio 2007.

"Deixou de ser preciso escolher entre duas ou três doutrinas, mas sim, o que é necessário é construir uma nova relação com a política que diga respeito mais à experiência realizada pelo indivíduo do que a concepções ideológicas. Se S. Royal tem um lado blairista, isso consiste na capacidade a perceber que a política não poderá mais pensar-se senão por referência com as experiências múltiplas vividas pelas pessoas, por referência ao que os ingleses chamam " life politics ", adiantam.

Lance de muita importância estratégica é assim escalpelizado pelo dueto politólogo: " Por outro lado, o discurso de S. Royal desenvolve registos, quer sobre a mobilização cívica e cidadã, quer sobre o controlo participativo dos eleitos, a que podem vir a aderir os libertários, os ecologistas e uma boa parte dos eleitores de extrema-esquerda ". Os únicos campos onde tem que mostrar mais o que quer, claramente, são os que se referem às políticas sociais e às de Emprego, afiançam os dois estrategos.

FAR

Paulo Perre

 
Foto de José Carlos Mexia

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Myanmar: Hipocrisia das "locomotivas" asiáticas permite ditadura de longa duração

China e Índia marimbam-se para a defesa dos Direitos Humanos na antiga
Birmânia, explorando recursos energéticos sem embargo...


Como é possível que Myanmar (antiga Birmânia), terra do arroz e de montanhas encostada à democrática Índia, não se consiga libertar do peso das botas quadradas dos temíveis militares? A descoberta de gigantescos jazigos de gás natural junto à costa perto de Siitwe, no Noroeste do Golfo de Bengala, parece que veio dar ainda mais força à feroz ditadura militar que esmaga os mais elementares direitos do povo da Birmânia, há décadas. A China, em especial desde o início, a que se juntou há pouco a Índia, fecha os olhos às exacções mais despudoradas cometidas pelo chefe da Junta, o terrível manipulador de " almas ", general Than Shwe. Jane Perlez, do NY Times, foi ver como era e relata tudo.

Maior do que a França e a Bélgica reunidas, Myanmar tirou proveito do seu clima favorável à cultura do arroz, antigo maior produtor mundial, do Artesanato e do Turismo seleccionado. O PIB per capita de 175 dólares/ ano é inferior ao do Skri-Lanka. Há fome e miséria por todos os quadrantes do antigo " Jardim de Éden " mítico do continente indiano. As Filipinas e a Indonésia fazem figuras de estados modernos comparados com a paragem no tempo e as vicissitudes sem número que fazem cruel a sobrevivência em Myanmar. E parece que não há sinais de mudança.

A maior parte do Orçamento do estado é empregue na modernização e equipamento de um gigantesco exército de perto de meio milhão de homens em armas. Não existem Serviços de Saúde estatais e o Ensino está destroçado. " Com o suporte da China, o seu maior parceiro e económico benfeitor, a Junta convenceu-se que está para durar e lavar. Este conluio e parceria com a China aumentou com o poderio da economia construído pelas autoridades de Pequim. O povo fala ironicamente com medo da China como o grande " paizinho " e de que, em breve, ela poderá mesmo eventualmente alugar o país inteiro ", escreve Jane Perlez.

As sanções económicas em vigor postuladas pelos USA, elaboradas pelas administrações Clinton e Bush, não conseguem dissuadir a ajuda interessada de Pequim. A que se juntou agora a India, que precisam de gás e petróleo para alimentar o ritmo alucinante das suas economias. Quer no mar, quer nas montanhas a Cia Nacional de Pesquisa de Petróleo chinesa não cessa de abrir estaleiros e construir infra-estruturas de exploração e transporte das reservas de hidrocarbonetos. Fala-se mesmo, segundo a repórter, que Pequim vai privilegiar a extracção petrolífera em Myanmar e na Nigéria, a médio prazo.

" Só cerca de 10 por cento da população sabe ou tenta compreender o que se passa. Muitas vezes, os oposicionistas pensam que para vencer a ditadura terão de se infiltrar no meio deles ", revela a jornalista. A última loucura da Junta consiste na mudança de capital: de Yangon, antiga Rangoon, para um lugar na selva, Naypyidaw,Cidade Real, operação que deve estar pronta ainda este ano e que vai custar biliões de dólares...

FAR

Afinal, não era bem assim...

Vou postar um escrito que me acaba de chegar, endereçado por um tal Jossélio Pires da Fonseca:
" Aqui estou, completamente transido.
Lixaram-me, pá. Não estou em Helsínquia, porra nenhuma! É um raio de um sítio com um nome que ninguém consegue dizer sem sentir vómitos!
A escola é dirigida por uma senhora de cabelos pretos e com um risco no lugar dos lábios, anda sempre acompanhada por dois maduros: um careca e um tipo com ar de dono de bar de alterne.
Fui vítima de 'buling' (não sei bem se é assim que se escreve...). Uns gajos começaram a dizer que eu acreditava que o Sócrates era socialista e de esquerda e depois punham-se a rir e a fazer sinais com a mão na frente dos olhos, o que queria dizer que eu era ceguinho.
Além disso, a directora entregou-me um questionário que eu reproduzo:

1. O menino é professor?
2. Se respondeu não, acaso tenciona ser professor?
3. Se responeu sim à questão anterior, sabe o que é que o espera?
4. Era capaz de recusar-se a fazer uma aula de substituição?
5. Não responde? Quero lá saber, isto era só um 'pro forma', o que conta é a minha vontade. Ah, ah, ah...


Por favor, tirem-me daqui.
Jossélio "

domingo, 19 de novembro de 2006

Sinais

 
Desenho de Maturino Galvão Posted by Picasa

A.P.E.C. em Hanói: cooperação americano-russa pode disparar

Especialistas do Carnegie Center baseados em Moscovo e Washington lançam análise nua e crua sobre o marasmo das relações económicas bilaterais

O que é um jornal de qualidade? É o que inspira confiança e, reiteradamente, nos demonstra pela apresentação de grandes análises ou reportagens o raio-X de uma dada situação ou problema. A incomparável força do NY Times deriva da espantosa qualidade e independência dos seus cronistas ou jornalistas. O Le Monde, com a direcção muito centralizada e as suspeitas de tentar fazer o " jeito " ao candidato da direita Nicolas Sarkosy, tem abusado mais de gráficos e chaves de dados, apesar de ter ainda no quadro elementos de reconhecida valia técnica e intelectual.

Ora, aproveitemos uma análise da edição de ontem do NYT sobre o estado actual da cooperação entre os dois colossos. Realizada por dois investigadores, ao serviço da Fundação Carnegie, Dimitri Trenin e Mark Medish, o texto foca todos os itens do impasse político que envenena o processo de evolução das relações económicas entre os dois antigos colossos da Guerra Fria. Justamente, os dois investigadores concordam em sinalizar " que o nível atingido em valor é pouco melhor do que o verificado nos tempos da Guerra Fria ".

A presente edição da Assembleia de Cooperação Económica Ásia/ Pacífico, que decorre na capital vietnamita, pode encorajar os dois líderes a vencerem fobias e discordâncias para desencadearem novo ciclo de trocas comerciais aprofundadas, salientam os peritos. Urge, advogam, a constituição de um bureau especial " capaz de amortecer todas as rivalidades políticas que surjam ", no contencioso da esfera das relações russo-americanas. A expansão desejada poderá servir-se do ponto de arranque desencadeado com a admissão da Rússia na Organização Mundial de Comércio ( OMC). Hoje, sublinham, " as relações económicas entre os dois países não são nem estratégicas nem de cooperação ".

Trenin e Medish enumeram, entre outros, os estrangulamentos que enfraquecem o comércio entre os dois estados:" As divergentes análises sobre a corrida para a posse de armas nucleares por parte da Coreia do Norte e do Irão, o clima de intimidação criado pela Rússia sobre os seus antigos países-satélites, a implantação crescente dos EUA na Ásia Central com objectivos políticos e para a conquista de fontes de energia e ,acima de tudo, os sintomas de " russofobia nos EUA e de anti-americanismo na Rússia ". Tais itens constituem os pontos mais delicados de uma relação bilateral que deve tirar partido, adiantam os dois investigadores, da futura participação da Rússia nas operações de controlo e desenvolvimento mundiais da OMC. " A Rússia e os EUA devem efectuar uma mudança de 180 graus " no seu relacionamento comercial para reconfortarem a segurança mundial", assinalam.

FAR
Este foi-se, mas não deixa saudades.

sábado, 18 de novembro de 2006

A geração “Portugal, Portugal”

Em 2004 vivemos o melhor tempo da nossa História, – bateu o também áureo período da chegada do Mário Soares de França e os subsídios de Bruxelas –, foi o ano do nosso contentamento e sobreaquecimento da alma lusa. Conduzidos por um novo Sá da Bandeira, no presente cenário o Scolarão da Selecção, não partimos para o planalto de Angola mas para o tecto do mundo. Estava um calor de assar caracóis ao ar livre. Incêndios acendiam-se por dá cá aquela palha. Fora decretada a retoma, formosa palavra, injustamente esquecida do vocabulário actual, que segura nos levava à fonte dos cântaros inteiros. Patrocinado por todas as marcas de cerveja Portugal deu mais um pulinho qualitativo.

Inebriados pela bandeira, o cachecol e o boné uma nova geração de lusitanos nasceu com o “Portugal, Portugal” na boca. Que gritam em todas e nas mais estranhas situações – nos concertos musicais pop ou “gulbenkianos”, nos engarrafamentos de trânsito, nas casas de fado, nas partidas de dominó e bisca lambida no Jardim da Estrela, durante a missa antes da hóstia, nas bichas à porta da FNAC para comprar o último Harry Potter ou nas inspecções para a tropa. Ouvimos este jucundo grito de guerra “Portugal, Portugal”.

Nesta nova ficção nacional Portugal passou de província espanhola, de buraco negro na Europa, de pardieiro onde um lugar no aparelho de Estado significava fortuna para si e para a família, a nação de valorosos e reconhecidos méritos, a exportar cientistas, investigadores, trabalhadores qualificados para as obras, padres, empresários e políticos de craveira para os quatro cantos do mundo, limpando aquela imagem de saloio enganado por todos, que Pedro Álvares Cabral deixara na Índia.

Depois de duas gerações para esquecer, – a “rasca” e a “dah” –, eis que surge no quadro idílico da retoma uma geração que, apesar do valor das propinas e nivelamento por baixo em todo o meio escolar, vai levar a nação ao esquadrão da frente no concerto das nações, que, talvez os americanos nos deixem viajar sem visto e distribuam de borla medalhas de ouro do Congresso aos nossos governantes – aquele garçon bem parecido que se enfiava entre o Wbush e o Aznar nos Açores, depois arrimadiço na Comissão Europeia, e… o sorriso novo do nosso ex-Ministro da Defesa e (da água) do Mar refulgente nas reuniões da NATO, mereciam mais distinção, para além do reconhecimento de familiares e amigos.

Com esta nova geração o universo está ordenado. Tal como nas antigas publicidades, tipo “um preto loiro e um branco de carapinha”, assim, também, colocar gravuras gregas num teatro do Porto não é normal. O normal é cada um no seu lugar. Em Portugal, gravuras portuguesas, de preferência de Foz Côa, sempre são mais decentes que uns helénicos de pudendas partes ao léu. Os novos lusos assumiram que a tendência para o disparate, que tanto atormenta professores e académicos, intelectuais e comentadores, não está no facto de existir um milhão de analfabetos, mas nos nove milhões que acreditam que sabem ler. Escudados no betão armado do saber transformam voláteis opiniões em verdades de vida ou morte – ou “mata mata”, na novíssima “foot-speak”.

Agora, entre a arejada classe política deste reino da tolice só há “aves de bom agoiro” e “novos do Restelo”, que preconizam o futuro brilhante e dão o exemplo. Os carros de alta cilindrada, o motorista fardado, os perfumes almiscarados, as roupas caras, as loiras pintadas, os restaurantes de luxo são estilo de vida moderna, tão necessários à boa eficiência e à rentabilidade no trabalho como as batatas e alho no bacalhau. Se queremos políticos que produzam temos que lhes dar condições. (700 euros como subsídio de alojamento aos deputados residentes fora de Lisboa é um pouco mais que o prometido ordenado mínimo ambicioso mas não chega a dois).

Uma nova mitologia se desenha no céu pátrio. As velhas Nossas Senhoras de tudo e mais alguma coisa que, tanto colorido davam à vida intelectual e cultural das cidades e aldeolas do país, têm um sério adversário no santo do Caravaggio. Este santo, que já foi visto na TV e ouvido na rádio por milhões, é reportado como grande milagreiro em encher estádios e a vender cerveja, que se houver coragem para ultrapassar o erro de D. Afonso Henriques ao dedicar estas terras a Maria, estamos prontos para um novo capítulo na História. Por sorte o novo infante descobridor, Madaílão de seu mui nobre nome, as dedicou a Scolarão. E, agora, esperamos tremedoiros que este as dedique ao santo do Caravaggio para hagiográfica rotatividade no paraíso terreno que nos espera.

A geração “Portugal, Portugal” acha-se bonita porque acredita na publicidade e na indústria do parecer para vender. Um pouco de gel Shock Waves da Wella transforma qualquer rapaz com problemas de pele num Cristianão Ronaldão. Estes novos portugueses atingiram o sentido do ritmo, batem palmas a compasso sempre que ouvem música, seja Mozart ou Marco Paulo, mostrando o seu ecletismo musical e cultura democrática como mandam as regras do sexto Império (onde já não é o mar que une mas a patetice). Todos passam por um casting como um ritual natural de passagem da adolescência para a idade adulta de uma sociedade laica, fértil em oportunidades, sem os nervos, choros e rezas a Nossa Sr.ª de Fátima da geração anterior. São crentes mas isso é outro departamento, não misturam as águas, o padre e o bispo continuam sendo os mestres-de-cerimónias dos acontecimentos da vida e os substitutos da figura paternal que desapareceu das famílias com a chegada do super-heróis da Marvel ao cinema. Os heróis da terra substituíram os heróis do mar, nacionalismo não falta nesta geração, amam a bandeira com pagodes em vez dos tradicionais castelos, cantam hinos de mão no coração em vez do Hino. São capazes de aguentar a má organização intrínseca das produtoras de espectáculos, em qualquer tipo de evento, sempre com o optimismo de que estão a cumprir um desígnio pátrio.

Temos sorte de viver em tempos tão gloriosos em que a quilha do barco português volta a sulcar as águas espalhando lusa idiotice pelo mundo como nos bons velhos tempos.

Táxi Pluvioso

Uma vénia ao Pratinho de Couratos
 
Foto de José Carlos Mexia

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Mário Sottomayor Cardia

 
O socialismo democrático, em que me revejo, está de luto. Posted by Picasa

Como foi possível?

 
"Em 8 de Outubro de 2004, estava a jantar em Roma com o grande amigo íntimo, Durão Barroso, 'saboreando o significado' de Barroso ser presidente da Comissão Europeia e ele primeiro-ministro de Portugal. Onde eles tinham conseguido chegar! Que 'momento impressionante'! O último, felizmente, porque em Novembro, para espanto dele, caía. O nosso espanto, no fim do livro, é maior do que o dele:como foi possível?"

"Santana segundo ele mesmo", Vasco Pulido Valente, Público, 18 de Novembro de 2006 Posted by Picasa