sábado, 30 de setembro de 2006

Outra vez aquele aborto...

Temos, por um lado, a inefável Zita Seabra - arrependidíssima dos desvarios da adolescência, tentando tudo para se redimir.
( A senhora dona Zita já devia ter percebido que tantos anos de clandestinidade e mau-viver revolucionário não se podem resolver com plásticas! Agora é muito tarde e não lhe aconselhava o botox, querida. Por isso, tenha vergonha nessa cara e desapareça! Procure um trabalho compatível com as suas habilitações. Experimente de uma vez por todas viver à custa de um salário ganho com o suor do seu rosto...)
Esta era a parte de conselhos às leitoras...
Por outro lado, temos o 1º ministro, o líder do Partido Socialista, a sancionar veladamente toda esta mascarada.
E, assim, se volta a agitar uma falsa questão: o aborto.
O aborto é uma questão de saúde pública. O Parlamento deveria há muito ter deliberado acerca desta questão. Considero, além disso, que se trata de uma questão que abrange o foro intímo de cada mulher ou, em última análise, de um casal.
Num país onde, segundo dados recentes, uma larga percentagem da população tem ideias completamente erradas sobre o SIDA (uma doença sexualmente transmissível) como poderão o Governo e o Parlamento pensar em voltar a questionar o eleitorado acerca da interrupção voluntária da gravidez?
Além do mais leio na edição do Expresso que a consulta aos eleitores acerca desta matéria irá custar ao Estado algo como 5 milhões de euros. Penso que o engenheiro Sócrates não se pode permitir um gesto tão "largo, liberal e moscovita". Com o dinheiro dos meus impostos não.
Só pergunto o seguinte: se eu não for às urnas (como, de resto, já o fiz anteriormente numa consulta semelhante) esse facto poderá ser invocado em sede de IRS? Haverá no Código do IRS algum artigo que contemple razões de consciência?... E de ética?... E de cidadania?...
Completamos agora a resposta à nossa querida senhora dona Zita:
"Passaremos adiante
com passo firme e seguro.
O passado é já bastante
vamos passar ao futuro."

Fim
de Zitação.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Irão: Falcões americanos podem forçar israelitas a bombardear em conjunto

As eleições para o Conselho dos Sábios podem favorecer o candidato mais
radical e integrista e as ambições de Ahmadinejad


Os falcões do Pentágono, adeptos do sinistro " tapete de bombas", só podem contar com a arma fatal para os silos e instalações iranianos - a famigerada Blu-122, de 2,5 toneladas capaz de perfurar mesmo trucs blindados em profundidade - em Janeiro próximo, segundo informações colhidas pelo W. Post junto do construtor General Dynamics Ordnance. O compasso de espera no braço-de-ferro entre o Irão e os EUA, por causa das unidades de enriquecimento de urânio em solo iraniano, contam com mais um obstáculo. A que se juntam as démarches em espiral dos peritos da ONU e da NATO e UE.

Sabe-se que o núcleo duro dos países europeus da NATO se opõe a uma nova " cruzada " de fins imprevisíveis no Golfo Pérsico. O predecessor do actual PR iraniano, Mohammad Khatami, apoia o avanço do programa nuclear do seu país , mas tão-só para fins pacíficos, como o deixa entender claramente nesta entrevista à enviada especial do Le Monde.

" Estamos convencidos que nos queriam privar, por arrastamento indefinido, do nosso legítimo direito a possuir tecnologia nuclear. Isso foi alterado mas, creio, que não existe outra via senão a da negociação e a do compromisso. O Irão não deseja de modo algum
possuir a arma nuclear, disso todo o Mundo se vai aperceber ", sublinha Khatami, que acaba de fazer uma viagem de contactos através das principais Universidades norte-americanas.

Entretanto, as eleições para o orgão superior e de controlo da mollocracia iraniana, o Conselho dos Sábios, irão decorrer a 15 de Dezembro próximo. A data e as circunstâncias do acto político podem também influir na decisão final dos EUA. Dois candidatos perfilam-se revelando as diferenças no interior das mais altas instâncias do poder: um é o derrotado do ano passado na corrida para PR, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, próximo de Khatami, e o outro é o mentor de Ahmadinejad, o chefe religioso extremista e teocrático, Muhammad Yazdi. Houve alterações legislativas aprovadas e a escolha dos candidatos gera muita controvérsia, por causa do peso das tendências e das afinidades.

Ali Khamenei, o guardião e sucessor de Khomeiny , distribui e partilha o poder com os conselheiros do Conselho dos Sábios, que o não podem demitir. No entanto, num trágico e obscuro jogo de compensações e reciprocidades, Khamenei se se vir rodeado de partidários extremistas da dupla Yazd / Ahmadinejad vai ter muitas dificuldades em gerir os dossiers. Apesar da " vaga " dos petrodólares dos últimos anos, o Irão importa produtos refinados e grande parte da alimentação para o povo. A inflação ronda os 30 por cento, o que é muito grave e tende a acentuar-se pela fraqueza do desenvolvimento económico estrutural.

Tudo o que de mais explosivo sai da boca do actual PR, foi pensado, delineado e aprovado pelo chefe religioso do seminário de Qum, a escola politico-militar da brigada da defesa da revolução khomenista onde se fez o Ahmadinejad. A juntar às eleições para o orgão superior da revolução, irão ter lugar, simultâneamente, as eleições locais e regionais dos outros ramos do poder de Estado. O Irão tornou-se na grande potência do Médio Oriente, e influi em todos os tabuleiros da política , quer no Iraque vizinho, quer no Líbano e junto da Autoridade Palestiniana. O final do ano pode trazer surpresas de monta, para lá do bem ou do mal.

FAR

Ler artigo do Le Monde aqui

Máscaras



« C’est dans le bois sacré que les maîtres révèlent aux élus de la nouvelle génération les secrets des grands fétiches et des masques vénérés qui codifient l’organisation économique, politique, religieuse et sociale de la communauté.

Le rôle social du masque est donc tout à fait central, puisque c’est lui qui dévoile le secret du sacré et fonde le caractère divin du pouvoir : quand sortent les masques, ce sont les dieux qui parlent. Le masque n’est qu’un porte parole, et le message qu’il délivre le transcende et le dépasse. »
Antoine Elzière


Sissine Rocha

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Mundos de Cristal/Educação


(Tarjeta, em tecido, do SPGL)


"Trabalho infantil: diz que às vezes mais vale isso que a escola.

Com o sistema escolar vigente perdeu-se o ensinamento de comportamentos essenciais: obedecer à hierarquia, habituarmo-nos a cumprir compromissos... Agora o que quer que o menino faça chega ao final do ano e passa. Tem de chegar ao nono ano...

Acabava com a escolaridade obrigatória, portanto.

Claro. Eles tornam-se uns pequenos selvagens nessa idade crítica, que é dos seis aos quinze. Depois é muito difícil mudá-los...

Não deve existir legislação contra o trabalho infantil?

Não. Se a criança vai ou não trabalhar, é com os pais.

Não deve haver regras extra-família que definam os limites das relações entre pais e filhos? Como prevenir abusos, como precaver regimes de semi-escravatura?

É como nos casos de abuso físico: a criança vai parar ao hospital, enfim. A polícia participa.

A criança tem de ir parar ao hospital?
Não, se a criança aparece batida indevidamente, qualquer professor ou outra pessoa pode ir participar. Mas considere a alternativa, que era ao mínimo indício a polícia entrar pela casa dentro. Há com certeza vítimas, mas na alternativa haveria mais: destruia-se a civilização."
( Extracto de entrevista de Fernanda Câncio a Pedro Arroja )

O SPGL e Pedro Arroja, novo reforço do Blasfémias, vivem num "mundo de cristal". Os meus agradecimentos a Parménides, a Ballard e ao Glória Fácil (25/09/06)
 
Foto de José Carlos Mexia

Da série Vale do Grou: Inauguração da luz eléctrica. 1982 Posted by Picasa

Notícias

 
Com os meus agradecimentos ao Jornal de Cascais de 26/09/2006 e aos demais intervenientes. Posted by Picasa

Real & Virtual

 
Foto de José Salvado Posted by Picasa

Colagem

com versos de Desnos, Maiakovski e Rilke


Palavras,

sereis apenas mitos

semelhantes ao mirto

dos mortos?

Sim,

conheço

a força das palavras,

menos que nada,

menos que pétalas pisadas

num salão de baile,

e no entanto

se eu chamasse

quem dentre os homens me ouviria

sem palavras?


Carlos de Oliveira

terça-feira, 26 de setembro de 2006

26 Setembro 1940: Walter Benjamin

26 Setembro 1940: Walter Benjamin
suicida-se com morfina
apòs tentativa frustrada na passagem
da fronteira franco-espanhola de Port-Bou


Adorno frisava que havia mais filosofia num parágrafo de um escrito de W.B. do que num livro inteiro de M. Heidegger

Efeméride. Decorrem hoje, justamente, 64 anos sobre o suicídio de um dos maiores pensadores do séc.XX, Walter Benjamin. O iconoclasta, o peregrino místico e judeu que gostava de descobrir o pulsar das cidades-farol da Europa do pré-II Guerra Mundial, especialmente Paris, que ele comparou a uma imensa biblioteca dividida ao meio pelo rio Sena, suicidou-se em terras francesas bordejando a fronteira com a Espanha, rechaçado pelos esbirros do sinistro caudillo Franco. Procurava atingir Lisboa para se exilar nos USA.

Ao contrário do que se julga, W. Benjamin nunca pertenceu ao colectivo de ouro da Escola de Francfort, fundada por Adorno, Horkheimer e Fromn com um longo escol de epígonos e seguidores que emigraram para os EUA com a subida ao poder de Hitler. Tinha contactos estreitos com a família Adorno, que o ajudou a sobreviver em Paris com fundos da Escola
e dons particulares.

Apesar do seu indiscutível amor pela cultura e pensamento franceses, W. Benjamin passou quase incógnito na cidade-Luz. E foram sem sucesso as démarches que tentou realizar para ser publicado pelas Edições Gallimard e a Minuit. Paulhan e Georges Bataille, que dirigiam, respectivamente, os comités de Leitura das duas mais prestigiadas editoras parisienses, colocaram em malas textos e manuscritos do amigo e companheiro de Gerhard Scholem, distinto judeu e pensador, que emigrou para a Palestina nos finais dos anos 20. Só em 1981 é que o filósofo italiano Giorgio Agamben consegue " libertar " os baús depositados na Biblioteca Nacional de Paris.

A Obra Completa de Walter Benjamin é muito extensa. Encontra-se parcialmente traduzida em francês em edições de bolso da Folio/Gallimard. A sua correspondência foi publicada em 2000, na Alemanha, destacando-se a trocada com Adorno. Os seus dois livros principais são, 1). Sobre Paris-" Livre des Passages",( Edit. Cerf); 2) O segundo é sobre: "Baudelaire, Un poète lyrique à l´apogée du capitalisme ",( Edit. Payot).

FAR
 
Foto de José Carlos Mexia

Da série Vale do Grou: Inauguração da luz eléctrica. 1982 Posted by Picasa

Estimado, senhor Engenheiro

Boa noite, senhor Engenheiro.
Desculpe incomodá-lo a desoras mas era só para lhe dizer que, assim, a malta não vai lá.
Não sou do Sporting mas já percebi que tudo se conjuga para lixar o dito cujo. O mesmo acontece com o País que V. Exª. se abalançou a dirigir. Ou seja, há uma data de fulanos com ar idóneo a garantir que está tudo nos conformes e que não há que recear e por aí fora, tudo garantido e tal e coisa...
Depois, vai-se a ver, e não está.
Como diz um amigo meu (em relação ao Sporting dele...)"isto 'tá tudo inquinado!".
É verdade. Assim mesmo.
O senhor Engenheiro pode crer que lhe armaram uma estrangeirinha que não lembrava a ninguém, aconselharam a V. Exª. ministros que não lembrava a ninguém, que, por seu turno, nomearam secretários de Estado ainda mais perversos e assim sucessivamente...
Inquinaram tudo, senhor Engenheiro, está o aparelho estatal positivamente inquinado, pode crer. E nem sequer vale a pena o esforço de saber qual é o cartão partidário. Rosa ou Laranja. Agora Rosa e logo Laranja e o vice-versa também vale que tudo isto não passa de uma contradança.
Até me apetecia fazer sócio do Sporting se a coisa apresentasse ares de dar uma volta. Escrevo a sério, senhor Engenheiro, calcule V. Exª. o meu desespero...
Atentamente

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Armando,

Esqueci-me de perguntar se o Severo veio, para gozar a reforma no bonançoso remanso da valente nação na rota dos aviões da CIA, ou apenas passar umas férias entre os adoradores de torsos nus – (que o Andy Warhol chamava um figo porque não conhecia o Ronaldo) – de jogadores de futebol. Se for este o caso, possivelmente, não nos encontraremos, porque tenho de me recolher até ao Natal para escrever mais uma gloriosa aventura da GNR, que tantas alegrias nos tem dado em teatros de guerra, como o Iraque, em cinemas de reposições, como o Kosovo, e ainda em cafés-teatro do burlesco, como Timor. Os nossos militares merecem todos os sacrifícios para lhes pagar os cerca de setecentos contos por mês, livres de impostos, enquanto elevam o nome de Portugal tão alto como a passarola de frei Bartolomeu de Gusmão (que, curiosamente, nunca passou do chão, mas isso são pormenores de somenos importância num país de repimpada História), mais alto ainda que a dupla cómica Madaílão e Scolarão – essa lusificação de Tom and Jerry. E eu quero contribuir cantando-lhes a guerreira saga numa prosa, sem rimas, mas muita continência e… “os seus documentos, cidadão”, “vai pagar em dinheiro ou Multibanco?”, “tenha uma boa viagem”.
Deves ter reparado na gralha inserida na última mensagem. Onde se lia “loribellizada” deve ler-se “floribellizada”. Mais um portento cultural da fábrica Balsemão, que muito investe nas actrizes portuguesas, vestidas em “Floribella” e nuas em “Jura”, para nos aquecer o serão televisivo e as manchetes do “24 Horas”. Tudo pintalgado de “qualidade” como é hábito numa sociedade moderna e exigente. Se, quando avistava terra, o marinheiro da gávea reclamava alvíssaras ao capitão do navio, Balsemão, por enxergar as “fadas das audiências”, deveria pedir ao Estado mais encomendas de serviço público (para não parecer subsídio). E aproveitar as vantagens deste patusco liberalismo económico que só sabe inventar associações, agências, empresas etc. para prestar serviços ao próprio Estado cujo enfraquecimento advogam. Quando a nós… só poderemos desejar que o jornal Sol não lhe tape a peneira.

Um abraço.

Maturino Galvão

Porto

 
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Insónias...

Já devia estar na cama, sossegadinho a ganhar forças para produzir daqui a mais umas horas.
Nem devia estar aqui, acordado e a pensar. Querem-me lá, entre os lençóis, a dormir.
A ganhar forças.
De olhos fechados, um fio de baba a espalhar-se na almofada, um 'rapid eye movement' na direcção do despertaditador. Eu, tão disciplinadozinho...

Os 'sem-abrigo' que foram ao campeonato de futebol, lá na África do Sul, mudaram-se para uma residencial queixando-se da falta de condições na escola secundária transformada em hotel para albergar aquelas comitivas todas. Acho muito bem. Imaginem o Cristiano Ronaldo e as outras prima-donnas todas do nosso futebol patrioteiro a ter que se albergar num daqueles hotéis fatelas com um quadradinho a que chamam banheira numa casa de banho minúscula e um corredor com uma cama quase encostada à parede fronteira...

Eu já devia estar a dormir, ó amigos meus! É para isso que me pagam, que é que acham?...

O senhor Presidente da República (a nossa, claro...) falou ao El Pais; de entre as várias pérolas destaco esta: "Las democracias se caracterizan por el trato a sus enemigos. La tolerancia y el respeto a los derechos humanos son nuestro gran activo."
Não querendo ser chato - e sabendo que já devia estar a dormir... - pergunto: quando foi aquela coisa da Ponte 25 de Abril quem era o 1º Ministro de Portugal?... Derechos humanos?... My ass.

Tivesse eu uma marquise e já teria cerrado os reposteiros e há muito dormiria o abençoado sono dos justos e dos ordeiros...
Até amanhã.

domingo, 24 de setembro de 2006

Anéis/Máscaras




Sissine Rocha

« Les pires ennemis de la république, ce ne sont pas les anarchistes, ce ne sont pas les communistes, ce ne sont pas les terroristes, encore moins les extrémistes ou les sectes. Les pires ennemis de notre république, ce sont ces hommes politiques que nous avons mis là comme des loups dans la bergerie ».

Fabrice Clerc in Libération

3º mail de um amigo recém-chegado a estas lides:

Armando,

Desta vez consegui ser mais célere no acesso aos mails. Quanto ao almoço gostaria imenso de ir. Vou tentar. Mas não prometo nada, pois o fim-de-semana é sempre um período chato para fazer seja o que for (hábitos de professor). Pior ainda, estou a regressar ao meu ritmo para pegar no teclado, (antigamente dizia-se caneta), outra vez e escrever “Como Água Suja para Baunilha”. Uma despretensiosa crónica da religiosidade portuguesa. Parto de um fait-divers policial: um roubo, que será investigado pela minha heroína GNR, a Angelina Bonitinha. Na trasladação do cadáver da irmã Lúcia do Carmelo, em Coimbra, para o santuário de Fátima, um necrófilo assalta o carro funerário e rouba o corpo. Leva-o para casa. Mete-o na cama. Têm uma vida marital ideal, pois nos bons velhos ensinamentos católicos, a mulher deve ceder aos apetites sexuais do marido como um ditame de Deus. Como consequência do sexo puro e duro o cadáver engravida e nasce o anticristo. Depois as portas do inferno abrem-se para Portugal. Tudo lhe sucede. Até congressos do “Compromisso Portugal”.
Eu uso sempre elementos da realidade para compor os livros. Coisas do arco-da-velha, que poderão parecer ficção, mas que de facto sucederam, são encadeadas com diálogos tirados da boca dos nossos donos – o cardeal patriarca, Wbush, Sócrates, polícias, militares etc. etc. portanto, neste livro as calamidades religiosas que assolarão o “povo à beira-mar plantado” existiram de facto.
Tenho dado uma vista de olhos ao blog. Está fixe. Ou, usando uma linguagem mais moderna, porque foribellizada, “ hiper mega ri-fixe”. Está bastante artístico. Eu acho que se deve usar a arte para destruir a Cultura. No primeiro livro tentei destruir dois mil anos de Cultura. Não poupei nada nem ninguém. Mas ter abusado do palavrão torna-o impossível de ler para os espíritos mais fracos. O português vernáculo borrou a mensagem, por isso neste que estou escrever, faço um esforço para não abusar. Mas como sabes, é impossível escrever literatura portuguesa sem duas coisas – usar palavras em inglês e obscenidades cabeludas (como dizem os brasileiros).

Um abraço.

Maturino Galvão

Mambo 2


Posso ter fixado o que é busca pelo olhar, parado já de si no momento que o ocupa, nos instantes das viagens. Existe-se nas deslocações. É-me inevitável esse amor, sem ainda nada me ter confessado sobre as entranhas dessa precisão de outro ar, se porque me tornei nalgum arbusto arrancado se porque haverá efemeridade mesmo no chão próprio. No capricho das lágrimas em rosto quase infantil, tudo por não saber usar as mãos inteiras para o adeus, antecipava funções. Ainda a vejo sobre a água pintada de lulas, dedos cor de terra a des-saciá-las de vida, ainda a noto a perturbar-lhes a imobilidade ganha por destino, enquanto as agita em lavagem a continuar-lhes o suposto natural movimento, sem lhes dar descanso. Colada em pressão abdominal ao lava-loiças antigo, em semblante baixo visita esfacelamentos, escuras doces mãos sem perseguirem a razão da tristeza. Fungava só. A minha irmã!!

Gabriela Ludovice
 
Foto de José Carlos Mexia

Da série Vale do Grou: Inauguração da luz eléctrica. 1982 Posted by Picasa

MISSIVAS

Querida Amiga:

Tenho a certeza que ainda te lembras de mim.
Faz anos, muitos mesmo, que tivemos logo a primeira
"trinca"...
Ora vê lá se é ou não verdade o que te vou escrever
hoje.
No sul da África, onde o Sol acorda no Mar e vai
dormir na Terra, numa tarde de Outubro do fim dos idos anos quarenta, estava
uma senhora deitada de pernas abertas e a gemer há horas, porque estava para
parir uma criança que não havia meio de vir ao Mundo.
Lembras-te, concerteza, que primeiro saiu uma pernita
da criança e que depois de voltarem a metê-la para dentro saiu a segunda...
e que depois de voltarem a metê-la para dentro voltou a sair a primeira... e
que depois de voltarem a metê-la para dentro voltou a sair a segunda... e
que depois de voltarem a metê-la para dentro voltou a sair a primeira... e
que depois de voltarem a metê-la para dentro voltou a sair a segunda... e
depois a primeira... e depois a segunda... uma de cada vez... até que a
ainda por parir lá "deu a volta" e assumou ao crepúsculo do fim da tarde.
Eram dezoito e trinta.
Era um puto, mas estava roxo. Muito roxo. Não tugia
nem mugia!
- Está morto - disse o médico presente.
Pensavas tu que já não valeria a pena tentar fosse o
que fosse para o "ressuscitar". Mas eu insistia em que tudo fosse feito para
que o já ser de quatro quilos e tal não se perdesse, assim como se deita ao
lixo uma abóbora podre, sem sequer se aproveitar para dar aos bichos!
Já não tenho bem a certeza se não querias mesmo que
a criança ficasse por cá ou se estavas tão só a dar-lhe sinais das
dificuldades que encontraria em ser tua amiga, prevenindo-a de que numa
verdadeira luta tem que haver sempre um vencedor. E que ao longo de todo o
tempo que andassem juntos as batalhas seriam terríveis!
Mas pronto... concordas-te em deixá-la por cá e
disses-te à parteira para a meter em água fria e água quente,
alternadamente, dando-lhe porrada ao mesmo tempo, até que ela berrou e cagou
aquela coisa preta que todos cagamos quando nascemos.
Afinal o puto estava vivo!
Chamaram a isso "parto pélvico"... e o puto
chamou-lhe um "figo"!
E lembras-te, claro, que depois daquela primeira
"trinca", nunca mais nos separámos.
Recordas-te disso, não é querida Amiga?

Beijos do teu amigo Frisó.

sábado, 23 de setembro de 2006

Como?


A mão, que se move automaticamente
Enquanto o corpo fala
O gesto, repete, mecanismo
Aprendido à ponta da escola
O lugar, à esquerda do patrão
Nas cadeiras da evolução
Um ou outro criarão tempo
Assassino de outro tempo onde
A minha mão ainda não era
E eu não sabia o suficiente
Se não se pára, essa é outra questão
E outra vez, ainda uma palavra
O borrão, a linha ácida
A vergoha do meu poema é
A necessidade do meu poema
Eu, poema, a palavra no meio
Destruir a palavra? Como?

Summertime - Billie Holiday



Já no Outono, depois da Joplin e da Fitzgerald, continuo com saudades do Verão.

Tailândia: corrupção máxima do PM gera Golpe de Estado

Venda fraudulenta de empresa familiar e recebimento de comissões
chorudas da parte dos construtores do novo aeroporto da capital puseram
os tanques nas ruas para afastar o PM e o seu séquito despótico populista


O ciclo infernal - eleição, corrupção e depois um golpe - regressou à Tailândia, dezoito anos após. Num ritmo estonteante de deriva autoritária e mãos limpas. O PM, um rico homem de negócios, demagogo e populista, tentou aplicar receitas neoliberais na pós-crise sistémica de 1997, fugindo às receitas implacáveis de austeridade e rigor orçamental que lhe foram impostas pelo FMI. Thaksin Shinawatra, reeleito pela segunda vez, vinha a perder terreno pela sucessão de escândalos financeiros que envolveram os seus mais próximos familiares e colaboradores no governo. Desde Janeiro deste ano, que as tensões entre o staff governamental e a casa real se tornaram insuportáveis por causa dos escândalos e o flagelo da corrupção, que envolviam membros destacados do poder executivo. O PM tentou isolar e marginalizar o Exército, de forma a evitar a reedição do regresso do pêndulo da intervenção militar.

A venda, em Janeiro último, da empresa familiar do PM a um grande grupo de Singapura, e a fuga aos impostos detectada, despoletaram a irrupção imediata de grandes manifestações de rua para exigirem a destituição e prisão dos culpados e a destituição do chefe do governo. O principal conselheiro do rei, o general ancião de 84 anos, Prem Tinsulanonda, exasperou-se e resolvei minar a confiança das Forças Armadas para com o governo. As comissões ocultas que " bailaram " em torno das obras de construção do novo aeroporto, que irá ser inaugurado no final do corrente mês, ditaram a deliberação final de intervenção militar contra a gangrena da alta corrupção. Segundo dados avançados pelo NYT, a fortuna familiar do deposto PM tailandês deve rondar os 2 biliões de euros com propriedades em Londres, onde deve ficar exilado.

A crise política tailandesa vivia há meio ano em " banho-maria". O PM tinha tentado diversas manobras aleatórias e deslizantes, que lhe permitissem consumar negócios e colocar algumas personalidades de confiança nas cadeiras do poder. Thaksin Shinawatra tinha-se demitido e foi reeleito no início do ano, mas a Comissão Constitucional tinha tolerado a sua reentrada em funções até à realização de novas eleições dentro de dois a três meses. Portanto, segundo a tese de uma especialista asiática publicada hoje no Le Figaro, foi a intensidade da corrupção que inflamou e desesperou s conselheiros do rei e os principais chefes militares. O comandante da Junta Militar, general do exército, é de confissão muçulmana, ultraminoritária no país. O PM deposto tinha tentado contornar o poder das F. Armadas dando poderes especiais à polícia paramilitar e prodigalizando a implantação regional de clãs armados à revelia dos preceitos constitucionais.

FAR

Sorriso

 
Foto de José Salvado Posted by Picasa

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

2º mail de um amigo recém-chegado a estas lides:

Armando,

Desculpa este tempo de resposta. Pelos vistos os teus mails estavam perdidos nos botões do Outlook. A minha inexperiência no clicar não permitiu que os lesse mais cedo. Só agora é que estou a aprender a função de muitas destas teclas, porque, para mim, até meter a Internet, o computador era apenas uma máquina de escrever. Precisarei de algum tempo para funcionar com isto de forma aceitável.

Estás à vontade para colocar o meu mail no blog. Quanto a enviar desenhos e textos terás que me dar umas semanas para me familiarizar com esta bela invenção do U.S. Army aperfeiçoada pelo Bill Gates. Eu também abri um blog – pratinhodecouratos.blogspot.com – onde espero servir este tradicional manjar português enriquecido com Fado, Futebol e Fátima. E a novel realidade revelada pelo processo Casa Pia. Tudo bem misturado numa consistente refeição de alto valor calórico, com fazia a avó Castello Branco ou Eça de Queiroz. Se perguntares a um português o que é que ele sabe fazer, a resposta será impreterivelmente: “comer e beber”. Por isso, quero dar-lhes um osso para roer. A bebida pode ser Coca-Cola. (De facto, somos todos americanos, como escrevia o “Le Monde”, no dia seguinte ao desabar das torres).

Qual é a tua opinião sobre o “Doze Cadelas e nada mais”? Não sei se é perceptível, mas estou a tentar escrever as obras do/para o futuro. Em que se acentua um bombardeamento de informação ao leitor, sem perder tempo na caracterização de personagens, ou situações, ou sequer coerência lógica. Apesar de eu vagamente contar uma história, essa não é a prioridade principal. Pretendo retratar um mundo que se tornou absurdo. E, as pessoas, por incapacidade do cérebro assimilar toda a informação circundante perderam a essência e adquiriram uma opinião. Para se ter uma ideia deste fenómeno basta ouvir as diatribes dos comentadores contratados pela “televisão para a qual nós pagamos taxa” – Vitorino e Marcelo. Debitam pontos de vista baseados na ignorância, pois os seus cérebros são incapazes de abarcar toda a informação disponível sobre o assunto que doutamente versam, e vai daí dizem umas asneiras, que o coro grego marca com sendo pérolas de sapiência. Resumindo, ficámos estúpidos!

Maturino Galvão

Encontros D'Évora - 1976 (4)

 
Foto de José Pinto Sá Posted by Picasa

Aurora

A poesia não é voz - é uma inflexão.

Dizer, diz tudo a prosa. No verso

nada se acrescenta a nada, somente

um jeito impalpável dá figura

ao sonho de cada um, expectativa

das formas por achar. No verso nasce

à palavra uma verdade que não acha

entre os escombros da prosa o seu caminho.

E aos homens um sentido que não há

nos gestos nem nas coisas:

voo sem pássaro dentro.

Adolfo Casais Monteiro

Escaravelho


Sissine Rocha

« Dans l'Égypte ancienne, le scarabé était considéré comme un dieu, le dieu de l'Amour, de la Vie et de la Création.
Si une personne t'offre un bijou monté ou représentant un scarabé, c'est qu'elle t'aime et désire te protéger ... que ce soit un membre de ta famille ou un ami, car l'amour signifie aussi amitié ...»

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Poutine anda a dar cabo da economia russa

O Le Monde classifica a estratégia do patrão do Kremlin de " inquietante". E acusa a equipa presidencial composta por antigos colegas da KGB de ter elaborado uma nova economia nacionalizada sem racionalidade


O artigo de Valerie Malingre no Le Monde alerta para a política de depradação levada a cabo pelo consulado de Poutine e dos seus muchacos. E vê nisso mais um sinal das grandes manobras em execução dentro da fortaleza do Kremlin para tentar perpetuar o actual inquilino ad eternum. A economia está quase toda " kreminalizada ", passe a expressão de um cínico rigor alucinante.

Poutine directa ou indirectamente nomeou os patrões das maiores empresas russas, com as petrolíferas e gasíferas à cabeça. Entraram no Kremlin e foram-se depois sentar em cima
de milhares de milhões de dólares sem qualquer espécie de controlo. É obra. Poutine pode estar interessado em corromper ainda mais, dentro e fora da Rússia. Será que vai entrar na Internacional Socialista? Esperemos...O que ele quer entrar é no capital da EADS, a construtora europeia de aviões e parceira do gigante Airbus. Tudo para " amaciar " uma mais que provável alteração presidencial na duração dos mandatos.

O pior é que a Gazprom, o gigante mundial do gás, está a patinar na produção. Com as actuais jazidas em vias de exaustão. Descobriram outra no Mar do Norte, os furos de Iamal. Só que precisam, nada mais nada menos do que 65 biliões de dólares para a colocar a produzir. Aliàs, segundo a articulista, os " pouinekos " não investem em infra-estruturas. Só se diverdem em operações de capitalizaçào bancária, um pouco à roda do Mundo...

O cruzamento internacional dos investimentos e parcerias russas opera ainda só na Europa Central. Sexta-feira, 22 do corrente, o presidente russo vai a Paris encontrar-se com Chirac. O Irão, o petróleo e os investimentos bilaterais vão estar na ordem do dia.

FAR

Artigo do Le Monde aqui
 
Foto de José Carlos Mexia

Da série Vale do Grou: Inauguração da luz eléctrica. 1982 Posted by Picasa

Rima das palavras

Pensamento momento
mente fervente.
Destreza beleza
clamor Amor.

Trago pago
pão aldrabão.
Besunto presunto.

Prato farto
barriga amiga.
Naco parco
mente demente.

Ora fora
carneirada viciada.
Rixa rija.

Esperto aperto
gente valente.
Crio desvario.

João Autor

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Da Capital do Império

Olá,
Weehawken. Hoboken. Mahwah. Hohokus. Poughkeepsie. Kayaderosseras.
São tudo nomes índios que eu anotei no meu livrinho de notas durante uma recente viagem a caminho do Canadá pela costa leste dos Estados Unidos.
Índios por estas bandas há agora muito poucos mas ao contrário do que acontece noutras partes do mundo aqui grupos étnicos nunca desaparecem. São transformados em helicópteros ou carros.
Assim temos os helicópteros Kiowa, Apache, Chinook e Cheyenne, tudo ao serviço das forças armadas americanas.
Os fabricantes de carros também gostam dos índios. Temos o Jeep Cherokee, o jeep Comanche. Há também veículos com nomes de chefes índios como por exemplo Pontiac ou o Sequoia. O que me leva a concluir que se o Ruanda fosse um estado americano hoje haveria de certeza um Helicóptero Hutu ou pelo menos um Jeep Kigali.
Há que dizer contudo que não são só os fabricantes de helicópteros e carros que gostam de nomes índios. Uma amiga disse-me que algures no estado de Nova Iorque deparou com um Motel Apache. Na recepção havia um pele vermelha, só que o seu nome não era “Grande Chefe que Dá Abrigo aos Caras Pálidas” mas sim … Patel. De onde eu venho os Pateles eram todos donos de lojas de fruta ou outro comércio mas não sei lá porque razão aqui nos States os imigrantes vindos da Índia gostam de comprar motéis e estações de gasolina e este Patel gostou do Motel Apache.
Antes de continuar quero-vos explicar de onde vem o nome Apache. É uma palavra da língua Zuni (outra tribo índia) que significa “inimigo”. Aqui, tal como em outras partes do mundo, a brancalhada fez uma confusão total com as línguas e nomes e quando perguntaram aos Zuni “quem vive ali” os Zuni responderam … “Apache”. E tinham razão como a história o provou!!!
Isto para já não falar dos Cherokees o nome menos amoroso dado pelos Choctaw a essa tribo. Cherokee significa “Pessoa que vive nas cavernas” ou seja …. troglodita. Não foi uma boa apresentação mas a malta não compreendeu!
A brancalhada fez também confusão com os Mohawk ( mohicanos) palavra que significa “canibal” na língua dos Adirondack., a tribo que habitava a região do estado de Nova Iorque e que detestavam os Mohawk. (Não sei o que aconteceu aos Adirondack mas quando fui a Nova Iorque não vi nenhum. O mistério intensifica-se pois não há também nenhum carro ou helicóptero Adirondack e também não constam das estatítiscas actuais. Há uma cadeia de montanhas com esse nome o que demonstra que na extinção tal como na vida não somos todos iguais. Nem todos os índios podem ser carros ou helicópteros. Alguns só servem para nome de montanhas.)
Mas enfim. Isso são três exemplos das relações amorosas que existiam entre as tribos dos selvagens inocentes que viviam em comunhão total com a natureza antes da chegadas das hordas assassinas da brancalhada que vieram causar o aquecimento global.
Agora as tribos índias lutam entre si em tribunais não por búfalos mas para estabelecerem casinos nas suas reservas. Como são “nações soberanas” o governo federal não pode impedir a construção de casinos e não lhes pode cobrar impostos. Os Seminoles descobriram isso em 1979 e em 1988 isso foi confirmado pelo Congresso. Algumas dessas tribos fazem hoje mais massa no jogo do que quando caçavam búfalos na pradaria e tal como nessa época não gostam da concorrência.
As tribos índias são pequenas (os Kiowa nao chegam a 10.000, os Cheyenes pouco mais de 11.500) os Apaches (cerca de 50.000) pelo que ser-se índio hoje pode ser a garantia de um cheque anual chorudo proveniente do casino. Pelo que há agora protestos que a palavra “índio” está a ser manipulada para criar novas tribos que depois formam “federações” com outras tribos minúsculas. Isto leva a que haja um interesse desmedido de pessoas que testam o seu ADN para provar que têm sangue índio e têm assim direito a uma fatia dos rendimentos de 22 mil e 700 milhões de dólares anuais dessa indústria de jogo nas reservas índias. Até já há uma “Associação Nacional do Jogo Índio” que representa “184 nações índias” muito mais do que as reconhecidas pelo governo federal espalhadas por 557 reservas 33% das quais tem casinos.
O que me leva a falar-vos do Museu Nacional do Índio Americano que abriu há dois anos atrás, ali perto do Congresso, a um quarteirão de distância dos dois excelentes (e à borla) museus de arte que existem aqui na Capital do Império.
Não que o museu tenha um casino. Mas eu, como muitos de vocês, cresci enamorado com nomes como Navajo, Nevada, Dakota (outro erro da brancalhada que confundiu Lakota com Dakota e daí o nome), Buffalo Bill, Kit Karson, Touro Sentado, Cavalo Louco e outros e portanto gostaria de ter visto um museu com história, com perspectiva de história.
Vi logo à entrada do bonito edifício que com a sua cúpula em círculo me fez lembrar o Museu Gaugenheim em Nova Iorque que não seria esse o caso. Uma canoa dos “natives” do Hawai (aparentemente também são classificados índios mas não sei se isso é para terem direito a casino) tinha a seguinte legenda: “He wa’a Hawaii, no na mak ahiki he kini a len i hala”. Isto obviamente para fazer os “natives” do Hawai sentirem-se orgulhosos da sua língua que ninguém percebe. Uma turista de língua espanhola olhou para a legenda e perguntou ao companheiro: “Eso es ingles?”
(Para compreender a legenda tem que se ir atrás da legenda para ler a versão em inglês. Bem feito! Agora jà sei como é que os “natives” se sentiam quando a gente lhes falava em língua opressora.)
Prova inicial de que este museu cai na nova moda da vitimologia que aflige o mundo, caindo na tentação de criar moralidade de todas as exibições, de transformar as exibições e museus em agências de terapia colectiva ou no mínimo numa sessão de terapia, transformando a dor da história em banalidade da psicologia pop.
As diversas tribos são apresentadas com lemas como “honrar o passado, preservar o futuro” (no local reservado à tribo Mashantucket Pequot); outra tribo tinha o lema “honestidade, amor coragem”; outra o lema “verdade, humildade e respeito”. Comecei a recear que quando começassem a referir-se à brancalhada isso fosse feito com o lema “Deus, Pátria e Família” mas para meu alívio isso não aconteceu. Aprendi contudo que durante “150 anos os barcos europeus trouxeram micróbios que devastaram as populações índias” e que “talvez 20 milhões de índios morreram como resultado directo do contacto”. Xissa! A brancalhada só faz merda cum caraças! Há no entanto que dizer que para não fazer a brancalhada sentir-se mal de todo o museu afirma que esta “tragédia… não foi intencional e (foi mesmo) inevitável”. Uf que alívio porque eu estava quase a cometer suicídio tal era o sentimento de culpa que sentia.
Sei que vocês que leram os livros do Kit Karson e viram o Audy Murphy nos filmes do Oeste querem saber se no museu se explica como é que os Sioux (o seu verdadeiro nome é Lakota; Sioux significa cascável o nome dado aos Lakota pelos Huron) escalpavam os seus inimigos ou como é que metiam paus aguçados pelos ouvidos dos traidores, ou formigas nos olhos regados com mel mas isso aparentemente só nos livros e filmes de coboiadas. Os Cascáveis eram todos gente boa e nobre como se sabe pelo Touro Sentado..
O que me recorda uma viagem que fiz há uns dois anos atrás pela reserva dos Navajos que tem 70.000 Quilómetros quadrados e estende-se pelo Arizona, Utah e Novo México. É uma paisagem de deserto encarnado com montanhas rochosas de uma beleza diferente e rara que não se deve perder. É pobre. Vêm-se pequenos ajuntamentos de algumas tendas índias misturadas com caravanas velhas e carros a cair de podre.
Na auto-estrada 40 numa enorme extensão de distâncias e horizontes sem fim a certa altura vi um sinal à beira da estrada com letras pintadas a branco em que se dizia: “Índios bons à sua frente”. (Good Indians ahead) Umas centenas de metros à frente uma pequena loja. Continuei. Umas centenas de metros mais frente um outro sinal. “ Ops. Já nos passou” (Oops. You missed us”). Tive que voltar atrás ! E lá falei com o Navajo e sua mulher com nomes que não me recordo mas que eram nomes anglófonos como Tom e Liza e que tem um bom negócio a vender artesanato índio a turistas vindos de toda a parte do mundo. Perguntei-lhe o porquê do sinal “Índios bons à sua frente”.
E ele respondeu-me: “é para os brancos não terem medo. Há muitos brancos que ainda pensam que a gente os vai escalpar”
Um Navajo com humor. Gostei dele.
Antes de me despedir um conselho. Não tirem fotografias a Navajos mesmo que sejam miúdos. Não gostam porque “não são animais de circo” e eu tive a sensação que se fosse noutra altura teria sido escalpado quando apontei uma câmara a uma miúda Navajo com uma cara de uma beleza rara, cabelos negros caídos sobre os ombros e uns olhos enormes escuros como o carvão.

Um abraço,

Da capital do império

Jota Esse Erre

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Encontros D'Évora - 1976 (3)

 
A máquina era da Rita Benz Posted by Picasa

Iniciativas "2+2=5"


Este vosso blogue leva a cabo, a partir do primeiro de Outubro, mais uma edição da ‘Universidade de Outono’. Uma designação algo pomposa para uma iniciativa pouco original. Assim como que a Universidade de Verão do PSD, mas sem laranjada.
A comunicação principal, a cargo de Gomes da Silva, versa o White Man Burden nas sociedades africanas pós-coloniais de língua portuguesa. Como subtemas destacaríamos “O ‘chapa’ nas visões do Inferno”, “A monetarização do lobolo” e, questão securitária muito actual, “Prisão pública, cárcere privado”.
A agenda, que está sendo finalizada serenamente e com celeridade, inclui diversos aspectos das liberdades. Embrulhados nos formatos mais acessíveis - “Justificação da Europa a Duas Velocidades: o Muro de Berlim Erguia-se Exactamente a 1,80 de Altura”; razão porque a maioria só descobriu a liberdade em 1989, sobejando, pois, os casos de nanismo irreversível e de estrabismo muito agravado - e nas formas mais ensandecidas.
Entre estas últimas chamamos a atenção para o segmento sobre a Teoria do Estado, em particular do estado de excepção, que é dizer da ditadura do proletariado como fase transicional do percurso que termina na sociedade sem Estado. Já estão vários oradores inscritos.
O tema que provavelmente vai agitar as hostes prende-se com a natureza do fenómeno ‘viggi’. Contrariamente às teses apócrifas e/ou mal intencionadas, o ‘viggismo’, pesem embora os seus aspectos de grupo fechado e vitalício, não é um bastardo do vigilantismo nem um epifenómeno da vadiagem. Antes foi, por um lado, um serviço de pronto-socorro na garantia das liberdades civis, sem as quais, arranhem-se jus naturalistas, não há direitos humanos, e, por outro, uma brigada de ‘first responders’, acorrendo às vítimas de acidentes de viação, do banditismo, da pequena ignorância e do grande cio.
Nos terrenos da abstracção, chamamos a atenção dos interessados para o último relatório do DEA sobre os perfis do consumo de drogas leves. Este tem diminuído significativamente, à excepção da faixa dos 50-59 anos. Curioso.
Finalmente, para que termine em concórdia e alegria esta nova edição da Universidade de Outono do “2+2=5”, será feita a antecipação do livro que abusivamente a revista “Time” garante Christopher Hitchens, ex-comuna de Oxford, ora na Vanity Fair, vai publicar na década do atentado contra as torres do WTC: “BUSH: A STUDY in GREATNESS”.

Nota: As sessões terão lugar no British Bar, de acordo com uma agenda errática. Já aconteceu que um tema vai agendado para o primeiro dia, não se cumpre, é transferido para o final do evento, e ninguém aparece. Não raro, os palestrantes esquecem-se do respectivo assunto, substituem ou declinam, de todo. Por outro lado, o espaço disponível é muito limitado. Mas não esmoreçam. Se não conseguirem assento, que é o mais natural, aglomerem-se no exterior do British, pois, está sempre alguém a levantar-se e ir até à rua. Podem aproveitar e perguntar o que se passa lá dentro.

JSP


Foto tirada do "Oficina das Ideias" a quem agradecemos. Aproveitamos para recomendar, no mesmo blogue, a leitura deste texto sobre o British Bar

Pisa-papéis


Sissine Rocha

"L'idée est que des objets simples et usuels, s’ ils sont beaux, apportent au quotidien richesse et plaisir, voire une certaine spiritualité... On trouve peut-être là une des leçons les plus importantes et les plus facilement applicables de l'art de vivre japonais!" Philosophie Raku

A reentrée (2)

Gente
essencialmente vulgar
triviais passos perdidos.

Gente
que fala aos gritos
que tresanda.

Gente que se atropela e acotovela.
São os cadernos e os lápis.
As canetas e os compassos.

Finalmente os gajos vão para a escola já não os podia aturar...
tempos livres... a consola... manhãs na praia...
três meses ou mais que isso...

A propósito, aquela rapariga austríaca foi raptada durante quase 8 anos (entre os 10 e os 18...) não se pode considerar um percurso escolar alternativo?... Quer dizer: ela sabe falar, lê, escreve e não fuma, não bebe, nem se droga. Pais de todos os países: começai a sondar o vizinho mais sorumbático nas vossas redondezas!

domingo, 17 de setembro de 2006

 
Foto de José Carlos Mexia

Da série Vale do Grou: Inauguração da luz eléctrica. 1982 Posted by Picasa

Mail de um amigo recém-chegado a estas lides:

Armando,

Após uma epopeica aventura na instalação da Internet, – em Portugal tudo é epopeia. Outrora marítima na rota da Índia, hoje terrestre no comboio para Espanha –, aqui estou eu provando as delícias e-mailísticas como qualquer português moderno. Como um Baudelaire num paraíso artificial, consumo megas e gigas numa inebriante viagem pela informação, apimentada pelos sites brasucas de mulher pelada. Como um Galileu extasio perante a maquineta. Como um Freud associo sem levantar o rabo da cadeira. Como um Umberto Eco encontro o pêndulo de Bill Gates. Agora, já não me admira a fascinação dos nossos esperançados dirigentes pelas novas tecnologias, e este empurrar de velhos e novos para o teclado, na busca do Graal da evolução e do progresso. Pode ser que com os cliques, os portugas cheguem onde não chegaram com as caravelas. E eu espero que esta mensagem chegue ao teu computador.

Maturino Galvão

O "milagre finlandês"

Em entrevista à Noticias Magazine de hoje, o ministro finlandês da Educação, Antti Kalliomaki, vem explicar de forma muito simples as bases do "milagre educacional finlandês", que transformou em 30 anos um país relativamente atrasado num modelo de inovação, progresso e dinamismo. Ao contrário do que afirmam os ultraliberais, não parece ter a ver com privatização da educação ou cheques-ensino, mas com outras coisas muito simples:

Antti Kalliomaki: "No meu país todos tem direito a uma educação básica gratuita, que inclui o equipamento necessário e os livros escolares, transporte, serviços de saúde e refeições. (...) Não há propinas no ensino secundário, nos politécnicos e nas universidades. (...) O Ministério financia ainda as actividades extra-curriculares dos alunos do ensino básico e o transporte escolar na pré-primária. A educação é essencialmente financiada pelo governo e pelas autoridades locais."

Noutros pontos da entrevista, compreensivelmente demasiado extensa para ser aqui convenientemente transcrita, Kalliomaki indica os restantes pontos-chave do modelo educacional finalndês: a responsabilidade pela gestão das escolas é das autoridades locais, no entanto o programa e os objectivos educacionais são centralizados e definidos pelo Ministério; a autoridade máxima é um reitor, que é necessáriamente um professor; aposta-se cada vez mais no ensino profissionalizante, que absorve já 38,5 por cento do total de estudantes do secundário. É espantoso verificar como estas linhas se afastam inexoravelmente de modelos tidos e apresentados como "únicos" ou "inevitáveis" pelos ultraliberais de serviço. Aqui, o estado responsabiliza-se pela Educação, e assegura a sua gratuitidade, unica forma de promover a igualdade e evitar o desperdício de cérebros por questões sociais. Como diz a entrevistadora, ao que Kalliomaki concorda absolutamente, "vale a pena investir dinheiro na Educação porque esta dará retorno".

Paris, Texas - Wenders


Iracelma

Quase no fim do jantar 'zappei' na RTP África.
A miss nº 16 soou-me a cara conhecida. Fiquei para ver.
O programa era mau, muito mau, o câmara-man falhava planos atrás de planos, a realização era péssima. Percebi que se tratava de uma gala para eleger uma miss Angola-Portugal com duas-apresentadoras-duas, cada uma mais parva que a outra.
Para não parecer que aquilo era do género peças de carne na montra do talho arranjaram um esquema futebolístico: quartos-de-final; meias-finais e final (com lágrimas incluídas...).
A Iracelma, que foi minha aluna, resolveu levar à prova de talentos um texto seu. Leu mal, fez má-figura e, sobretudo, não percebeu que se encontrava numa montra, em exposição.
Fiquei chateado, claro.

Voltei

Estou de volta.
Agradado demais com o soberbo conto da Gabriela...
Espero estar à altura.

Fernando Rebelo

sábado, 16 de setembro de 2006

Oriana Fallaci (1929-2006)

Mambo 1

Recolho-me numa exigência de concha antiga para melhor perceber que houve um tempo em que tudo estava no lugar certo, no íntimo do homem e ao seu redor.. Malbaratada a existência numa perseguição à vida na sua imagem, as pernas ágeis da realidade confundem-se com a fantasia que enfarta, que acabrunha a própria inteligência, porque descascada da sensibilidade. Mas há edifícios belos a meio da indigestão!! Imaginem que isso superou o suor dos escravos, na construção das pirâmides. O que ficou na história foi a pedra aplaudida na sua serena firmeza, não os dorsos cantantes na ladainha das horas.. Assim, quando passo entre a exuberância técnica da cidade mal amada cheiro como que desesperos alheios esmagados pelo peso das aparências.
Não se pode continuar a achar parte integrante do quotidiano, aquilo que despedaça o ser humano, embora o caminho do indivíduo seja feito de luas e retornos ao nada. Existem paragens no deserto, é certo, mas ainda assim é pulsável a sensação de continuidade da linha que somos. Afasto-me do fumo dos escapes ansiando a clorofila num espasmo de alegria. Estou louca!!

(mambo-assunto)


Gabriela Ludovice

Metro (2)

 
Foto de José Salvado Posted by Picasa

Pax Sínica

Quem demandar o Xinjiang, a região/província autónoma dos muçulmanos na República Popular da China, mesmo que apenas sugestionado pela antropologia popular lusitana, uma receita de ignorância transversal e ‘diacrónica’, segundo a qual “lá, as chinesas têm olhos azuis”, constatará que está mudado, muito mudado, o ‘velho’ Turquestão Oriental. Ao abrigo do movimento de compensação dos desequilíbrios entre as províncias litorais e o interior, designado por, em tradução livre, “Go West”, a capital muçulmana, Urumqi, é hoje uma cidade ‘han’. Ou seja, grosso contado, 80 por cento dos residentes são de etnia chinesa, 20 por cento são urgires.
Por onde andam os ‘locais’? Por aí, pela vastidão e pela imperecível Kashgar da Rota da Seda (a mesma percentagem, no inverso). Note-se, todavia, que os crentes do Islão na China não estão acantonados no Xinjiang, pois, encontramo-los residualmente em outras áreas, como em Xian. Mostrado o ‘postal’, vamos ao que interessa.
Numa primeira fase, Pequim limitou os custos da integração desta região na República Popular a uma pequena operação de ‘mercearia’: o Governo Central mantinha a distância das cousas próprias do Islão, e, como contrapartida, os uigures não questionavam a soberania e dispensavam os mais remotos dos espaços vazios para a experimentação nuclear e espacial. Então, denominava-se Sinkiang e os conflitos eram querelas.
Com o colapso do império soviético da Ásia Central, o vírus ‘político’ das novas repúblicas independentes passou a fronteira da RPC e tomou a forma das frentes de autodeterminação uigur. Os conflitos subiram de patamar e multiplicaram-se as acções de contestação e correspondentes medidas de contenção, assumidas por ambas as partes na mais deliciosa ambivalência oriental. Os uigures reclamavam-se de um quadro de legitimidade “freedom fighter”, refutando quaisquer ligações ao fundamentalismo islâmico, e Pequim, não obstante o desenho da violência que enfrentava, negava combater o terrorismo ou terroristas. Tão só, um vago separatismo.
Exemplo desta linha de appeasement, recordar-se-á que os talibã bombardearam em desafio, ou convite, os Budas de Bamyan. Pequim, ‘adivinhando’ o que se seguiria, ofereceu-se para reconstruir/refazer aquela jóia do património mundial da Unesco, augurando, crê-se, que uns budas reerguidos de fresco seriam suficientes para manter o status quo. Não foi.
E veio, mesmo, o que a China suspeitava: Bin Laden atacou o coração do inimigo principal ou Grande Satã. Imediata e pouco discretamente, Pequim fez o upgrade dos grupos separatistas para “terroristas” e, desde então, tem actuado em conformidade. Porém, a estratégia chinesa não se esgota nesta linearidade. Pequim teve artes de, complementando o apoio tácito a Washington, activar um SCO (Shanghai Cooperation Organization), reunindo a Rússia e as suas antigas repúblicas- Cazaquistão, Turquemenistão, Quirguízia, Uzbequistão e Tajiquistão, os países da linha da frente, que acolheram bases militares ou outros apoios logísticos, na ofensiva americana no Afeganistão. O Irão quis juntar-se mas a sua pretensão foi rejeitada.
A organização de cooperação de Xangai, que este mês reúne- outro upgrade- na capital, Pequim, é, pois, uma forma de a China dizer aos EUA que está a jogo. Se o jogo for uma reedição do Great Game do século XIX, quando a Inglaterra e a Rússia Imperial disputavam exactamente os mesmos territórios. Deve ler-se “Foreign Devils on the Silk Road”, de Peter Hopkirk.

JSP no Império do Meio

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

 
Pintura de Filipe Gonçalves Posted by Picasa

Irmãos Cohn-Bendit apoiam Ségolène Royal através de tribuna impressa no Le Monde

E´ uma dupla infernal: " pilharam " o livro(s) de Castoriadis e, no post Mai 68,
fizeram um best-seller mundial. Tornaram-se alternativos e criaram a livraria -creche e ´república` Karl Marx, em Frankfurt nos anos 80. Depois de terem muito meditado, começaram a rentabilizar o capital mediático-político e conquistaram o partido dos Verdes de Joscha Fischer. Estiveram sempre do lado dos vencedores. Gabriel foi uns tempos professor de escola em França e acaba de aderir ao PS. Cohn-Bendit, eleito pelos ecologistas franceses, recusou ser ministro de Schröder; e é, hoje, lider dos Verdes da UE 25 no Parlamento Europeu. Como dizia o outro , não existem maus rapazes...

Como é que os manos - e na política europeia há poucos casos - chegaram até aqui? Vejamos. Forçados a escrever um artigo no Monde, no início da rentrèe? Ambição pura? Conhecimento da fraqueza congénita dos candidatos a candidato do PSF na corrida ao Eliseu, ao poder político mais concentrado da Europa dos 25? Desejo de se porem em bicos de pés a bradarem alto e bom som pelo nome e programa de Ségolène? Tudo isso junto realiza uma arte combinatória. De grande sageza e com objectivos inconfessáveis. Será desta que Daniel Cohn-Bendit vai para ministro do Interior para nomear o seu irmão Gabriel Prefeito da Normandia? Esperemos para ver. E sobretudo, como diz o Dany-le-Rouge, que tensão ainda tomará o frenesi"?!?. Justamente, a política da hora elegeu esta palavra-mala como ditirâmbica: Sarkosy foi frenético na Casa Branca com Bush ontem, os ataques machistas contra Ségolène são... frenéticos.

Jospin, o eterno looser presidencial, parece ter forçado a mão ao companheiro de Ségoléne e líder do PSF, François Hollande. Queria ter sido " escolhido " pelo líder. Para evitar que Hollande seja crucificado pela vitória ou derrota da sua companheira e mãe dos quatro filhotes de ambos. Jospin avistou-se também com os três candidatos restantes e avançou com promessas miríficas para desistirem. A grande novidade, segundo li no Canard, é que Michel Rocard, o mais emblemático dos socialistas franceses do século, mostra-se, cada vez mais, seduzido pelo estilo Ségolène. O não seja ele um indefectível de Jacques Seguella, o grande comunicador, que apostou tudo na madame Royal.

O artigo dos manos Cohn-Bendit exulta e subentende toda esta lógica perversa e diabólica da política politiqueira. Feita às mil maravilhas pelos antigos críticos e ferozes contestatários." Ségoléne nunca jamais atacou os seus rivais", na corrida à investidura. Os candidatos machos não a pouparam, " e não se criticaram entre si", alertam. Mesmo Martine Aubry, a fogosa filha belíssima de Delors e grande ambiciosa, atacou", de forma machista", segundo os manos, Ségolène :

Anunciando que Jacques Attali, será o guru da candidatura Ségolène, os manos Bendit dizem que a apoiam também. E Justificam em prosa bem batida e redonda: " Ela é a única
para responder a uma necessidade profunda da sociedade francesa: a transformação da função presidencial. Com efeito, ela é a única a incarnar essa necessidade de se ter uma presidência-cidadania à escuta da sociedade e capaz de mobilizar as inteligências colectivas para o bem do maior número ". Depois, no parágrafo seguinte, oferecem-se para a ajudar...

FAR

Ler mais no Le Monde de 15/9/2006

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Encontros D'Évora - 1976 (2)

 
Foto de Rita Benz Posted by Picasa

Que me quereis, perpétuas saudades?

Car j ' imite... Tout le monde imite.

Tout le monde ne le dit pas.


Aragon


Que me quereis, perpétuas saudades?

Com que esperança ainda me enganais?

Que o tempo que se vai não torna mais,

E, se torna, não tornam as idades.


Razão é já, ó anos, que vos vades,

Porque estes tão ligeiros que mostrais,

Nem todos para um gosto são iguais,

Nem sempre são conformes as vontades.


Aquilo a que já quis é tão mudado,

Que quase é outra cousa; porque os dias

Têm o primeiro gosto já danado.


Esperanças de novas alegrias

Não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,

Que do contentamento são espias.


Carlos de Oliveira

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Ivone Ralha


Amanhã, 14 de Setembro, pelas 18h e 30m, inauguração da exposição de pintura de Ivone Ralha, na Galeria CIDIARTE.

A exposição ficará patente ao público até dia 14 de Outubro de 2006, de Terça a Sábado, das 13h e 30m às 19h e 30m.

A Galeria CIDIARTE fica no Largo dos Stephens, 6-7-8-9, Lisboa (junto à rua das Flores)
 
Foto de José Carlos Mexia

Da série Vale do Grou: Inauguração da luz eléctrica. 1982 Posted by Picasa

Irão: Ali Khamenei controla Ahmadinejad

A saída honrosa dos EUA do Iraque passa pelo reatar das conversações com o Irão e a Síria. Privilegiando o poder do grande líder-mártir de Teerão em detrimento do atrabiliário PR...Super-revelações do " Le Canard Enchainè " e do NY Times sinalizam as grandes manobras

Ali Khamenei, que ficou maneta do braço esquerdo dois anos apòs o triunfo de Khomeyni, vítima de um atentado, foi consolidando seu poder e influência no interior da Mollacracia iraniana . Estabeleceu alianças à esquerda e direita. Mas mostrou-se sempre ultra-radical: opôs-se ao cessar-fogo na guerra irano-iraquiana, apoiou de alma e coração os guerrilheiros do GIA argelinos e vota sempre contra qualquer veleidade liberal, quer no que diz respeito aos direitos das mulheres, quer à liberdade religiosa . Essa postura convenceu o leader máximo da Revolução a escolhe-lo como sucessor em 1989. E ,hoje, vê-mo-lo na ribalta dos comícios iranianos a defender o projecto nuclear e a sua escolha como timoneiro do Hezbollah, Hassan Nasrallah, custe o que isso possa custar...

Eleito por um colégio de 80 altos religiosos( que ira ser sujeito a renovação no final do ano), Ali Khamenei acumula e controla directamente, os Negócios Estrangeiros, a Defesa, a Segurança, a Justiça e os Média audiovisuais.Imagine-se o poder máximo do leader. A série de cadeias de comando e manipulação a que dá guarida. E as tentações que controla e fareja ou desfaz!!! Com pouca bagagem teológica, Kamenei distinguiu-se pelas qualidades de fidelidade ao lider e pela rede de colaboradores e cúmplices que teceu, em especial com o antigo presidente Rafsanjani, que se meteu em negócios e perdeu influência para Ahmadinejad, pelo quql foi substituido.

O repórter do NY Times assinala que Khamenei conseguiu, a pouco e pouco, fundir o poder político com o poder religioso. "Khamenei teceu laços muito fortes com as milícias e os Guardas da Revolução. Ao mesmo tempo conseguiu que os mais fortes dos seminários xiitas lhe prestem apoio.Disfruta de grandes apoios no Conselho da Revolução, que controla todo o governo, e na Assembleia dos Sábios, que ajuda e supervisiona a decisão do líder máximo ", aponta Michael Slackman.

" Juntando o poder espiritual ao poder executivo da República, Khamenei tornou-se incontornável. Só na teoria se pode ousar criticá-lo. Ou tentar limitar os poderes que aufere: nomeia todos os chefes militares e da segurança interna. Em o poder de declarar a guerra. Tem que avalizar a eleição do Presidente da República, para este ser aceite. Nomeia 50 por cento dos elementos do Conselho da Revolução "., acrescenta o enviado especial do NY Times.

Sentindo-se ultrapassado pela demagogia populista de Ahmadinejad, Khamenei resolveu no início do Verão mostrar as suas garras. Ele que sempre se opôs contra o fim da fatwa contra Saldam Rushdie, vetou as ambições dos " radicais " que queriam abrir as válvulas das liberdades públicas e reformar o poder dos religiosos.Uma espécie de revolução fria ou golpe de estado palaciano ?. Tudo para afastar a sucessão de Khamenei, de quem se diz, a boca calada em Teerão, que se encontra muito doente. Poder enfraquecido e Presidente demagogo, excelente timing para tentar negociar o futuro do Iraque e precaver o programa nuclear do seu próprio país. Ninguém adivinha quem virá a ser o sucessor: o que se sabe é que Khatami foi convidado a ir aos EUA e Rafsanjani pode saltar em cima do fogo de novo.

FAR

terça-feira, 12 de setembro de 2006