O romancista-jornalista publica livro polémico sobre a nebulosa da Ultra-Gauche parisiense
Depois de Olivier Todd e de Laurent Joffrin terem desembalado as suas memórias e nostalgias sobre o Paris dos anos 70, em livros assinalados neste blogue em antecipação nacional, o fogo da actualidade dirige-nos sobre o novo livro de Gérard Guégan sobre a editora Champ Libre e os meios rapaces e inquietos da extrema-querda da extrema-esquerda, ultra-gauche, pariseense. Mais segredos de alcova, mais retratos ao vitriol e scanner, diálogos com muito jargon e tomadas de posição sobre os principais actores de Maio-68, ascenção e queda. Em " Champ Libre 1 (68/74). Cité Champagne..." , editado pela Grasset, o actual copy-desk jubilado do Canard Enchainé ajusta contas e revela processos sobre a fabricação do maior fenómeno editorial dos anos-da-braza, que influenciou toda a Europa e se colocou como alternativa aos marxizantes editores Maspero e Feltrinelli. Em Portugal, a editora Antígona muito deve ao fulgor e audácia da herança e projecto da "C.Libre".
Guégan, que faz parte daquele grupo de jornalistas-free lancers como Péan, Bercoff e Cohen, que publicam devastadoras análises-inquéritos sobre a actualidade editorial e política francesa, ensaia com este novo livro , o primeiro de dois volumes, uma leitura enquadrada do arranque da célebre editora post-marxista e anarquista até à morte do financiador, Gérard Leibovici, o gatzby que sponsorizou Godard e Debord, que sonhava em ser o sucessor do império mediático mais famoso de França, as edições Gallimard...
" Dizem que para lá das minhas fraquezas, tenho a rara infelicidade de acreditar no acaso. Dizem muitas asneiras,o não importa quê. Não acredito no acaso, mas sim em quem o provoca. O que não é de modo algum a mesma coisa ", assinala numa das milhenteas confissões que assaltam o texto provocador e chocante. As relações humanas e culturais com os activistas das duas outras editoras da "ultra-gauche"," La Vieille Taupe" e "Saggitaire", mostram em paralelo inconfundível a originalidade da " Champ Libre".
É, pois, ao bisturi que é dada a " aproximação " do líder da I. Situacionista ao magnate cinematográfico e proprietário exclusivo da editora. Nada mais, nada menos, Debord encarrega René Viennet - que publicou na Gallimard com Vaneigem - de se aproximar de Leibovici, na base de uma recolha de dados estrutural/secreta de infinitas repercussões nos meandros da Rive Gauche...Os livros-panfletos anarquistas e conselhistas tinham muita saída por causa das diatribes de salada maoista do neo-estaliniano Althusser e da sua banda da EN Supérieure da Rue d´Ulm. Foucault, Deleuze e seus acólitos vieram a publicar na Champ Libre , mas depressa se mantiveram na Gallimard e na Minuit. Tudo por causa da paranóia aguda, a partir de 1974, aquando da substituição de Guégan por Debord nos comandos da editora? Isso virá no segundo volume anunciado.
" Entre os grandes debates que agitavam nessa altura a extrema-esquerda, a oposição entre democracia formal e democracia directa suscitava, para lá do favoritismo ou do anátema, maneiras de estar, mais do que estilos de vida, de que, podemos arriscar, os já tão numerosos mediocratas do novo século não deixarão de sublinhar a falta de humanidade.
" Champ Libre fez pior escolhendo o igualitarismo afínico por rejeição de todas as democracias.
" Isso representava no absoluto o sistema mais cómodo, embora o mais estimulante. Sob pena de acabar o contrato que os unia, os seus partidários não deveriam bater-se senão pela perfeição constante dos seus méritos, para obstar a que apareçam, quer manipuladores, quer seguidistas. (...) A preguiça produz tanto cortesãos nos espíritos fortes como nas fileiras de organizações ortodoxas ".
FAR
20 comentários:
Caro FAR, também a minha memória se sobressaltou com a recordação do assassinato, num parque de estacionamento parisiense de Leibovici... saberá v. algo através da sua bem informada rede parisiense sobre o mistério que pair(ou)a?
E conviria lembrar que o livro inclui uma homenagem aos "surrealistas" de Coimbra (1971) que criticaram o conferencista Julien Gracq o qual vei depois a apanhar com um bacio às ventas em Paris. O livro também traz uma cópia do panfleto relativo a estes acontecimentos, bem mais interessantes do que as aventuras do nevrótico Debord...
O livro é cerradíssimo e escrito com o "argot/calão " pariseense: 5oo páginas de confissões e segredos.O caso de Gracq vem lá: sobre a Coimbra-69 em revolta estudantil.Comprei ontem o livro em França: leio rápidamente mas,dada a ética da urgência, tive que privilegiar outros aspectos. Leibovici acabou por casar com uma Condessa(?) italiana, amiga do Jorge Semprun, em todos os sentidos e... horizontais, só lia autores de direita/ fracotes e serviu-se, literalmente, de Guégan para fazer uma editora. Era megalómano; e deu todo o apoio( e dinheiro) a Debord para fazer o que o Guégan não sabia realizar:os fundamentos filosóficos de uma extraordinária teoria contra a dominação e o capitalismo visceral.
Tudo isto, convém dizê-lo, é integrado por Guégan no primeiro volume da sua saga sobre a Champ Libre, 30 e tal anos depois da sua fundação.Como existem muitos situ´s e debordianos em Portugal, entendi ser louvável falar do novo panfleto sobre a miséria(s) e as grandezas de uma experiência política e cultural radicalmente nova. Debord era tudo menos nevrótico...Gostava muito da Michèle Bernstein e só acasalava com herdeiras ... para lhes administrar bem a fortuna. FAR
The more you learn, the more you know,
The more you know, the more you forget
The more you forget, the less you know
So.. why learn.
O Debord era nevrótico e etílico. Mas apreciava o "belo sexo", trocou a Bernstein pela Alice Ho e também teve uma paixoneta por uma portuguesa, a Leonor Gouveia, que faleceu em Moçambique em 1975.
pois é,mas seria curioso saber as razoes do seu suicídio e as afirmações que a verdadeira França,em que no final da vida se reconhecia,era a do século dezanove,proxima das raízes familiares,,,
Há comentários que me deixam siderado.
Pretender conhecer razões para um suicídio? Quanta bisbilhotice!
Malraux dizia que não interessavam as razões, havia só que as aceitar.
Vamos lá por partes- Alice Becker Ho, franco-chinesa, entra na vida de Debord em Fevereiro 1963. Errante jovem fascinada e seduzida pelos meios da ultra-gauche pariseense, coriféus da IS e do Socialismo ou Barbárie de Castoriadis & Lefort. Era filha de um banqueiro que Mao pôs a mexer com a tomada de poder.Michele Bernstein, diz o biógrafo de Debord, continua a subvencionar o marido, que escolhe ir viver para casa da Alice, um ano depois. Até à morte estão juntos e viajam muito pela Europa Latina, defendendo e expandindo os ideais da I.Situacionista. Morre Debord em 30 de Novembro de 1994: suicidando-se por cauda de doença avassaladora. Alice entretanto tinha realizado dois livros para a Gallimard sobre o argot dos ciganos. Debord vende quadros de pintores famosos e deixa-lhe algumas propriedades no centro da França, como testamento.
O assassinato de Leibovici, em Março de 1984, parece ter ligações nunca apuradas com a mundo paralelo dos negócios, pois o anarca-capitalista tinha sentido o mundo fantástico dos DVD, pondo em risco posições monopolisticas com dezenas de anos. Nunca se chegaram a apurar as causas do crime.O mundo paralelo do jogo,prostituição de luxo e lavagem de dinheiro por posições dominantes tem virtualidades mortíferas inegáveis e implacáveis.
Aos anónimos recuso-me a responder: não vale a pena. Recuso-me a entrar nesse jogo de sombras onde se projectam " omoletes de sentimentos " muito contraditórios e idiotas. FAR
Este blog está cada vez mais com uma linguagem (que reflecte...) inadmissível.
E os eufemismos só agravam e mostram a marrequice mental de quem os usa.
Já não há gosto por beber uns copos. Já não se é bêbado. É-se etílico.
Ser homem ou mulher de várias camas é um anátema.
E a picuínhisse de quem, quando e onde saltou para a espinha deste e daquela é o máximo da moralóide vigente.
Fala-se de tudo e de todos pelo lado do folclore, mas com a prosápia de um reitor de seminário.
É tudo ao kilo! A qualidade não importa.
E todos, incluindo eu, sabem tudo sobre tudo, mas são impermeáveis à mudança.
Um modo de estar e de falar de Direita (que existe e está cada vez mais forte) entra-nos pelos poros e perver-te os raciocínios, logo, a linguagem.
Ainda ontem ouvi elogiar o Franco Nogueira como o melhor ministro dos Negócios Estrangeiros que tivemos.
Parece que o Obsoleto era melhor crítico literário que diplomata.
E elogiar um temperamental que defendia conceitos e projectos que até os políticos europeus mais conservadores (... e o Kennedy)criticavam mostra como escancarámos a porta dos valores da liberdade e da igualdade às investidas insidiosas de quem teme os seus concidadãos que não estejam e sejam "amantizados" com o passado, com os privilégios e com a indiferença.
Já agora, gostava de perguntar o que é que a Direita quer mais se não restam senão algumas "migalhas" do 25 Abril?
E mesmo estas, como a liberdade de imprensa, são quase um eufemismo.
Há galáxias maravilhosas por esse universo fora.
Sr. Zé Maria: Para que tanta catilinária? Eu não percebo porque não escreve mais sobre o Debord.Olhe que a tradução portuguesa data de 1972, e integra-se na col. Ensaios e Documentos da Afrodite Editora. Todas as variadas biografias de Debord estão em poche.As OC têem sucessivas reedições e a Correspondência vai no 4° volume publicado.Será que V. Excia quer controlar os conhecimentos e impôr uma linha ideológica pura,asséptica e inodora? Criticar desta forma é uma falsa ousadia. Cinga-se ao texto e procure a réplica. O Debord hoje estuda-se nas aúlas de Teologia Negativa. Aliàs, eu que leio e releio tudo isto há dezenas de anos, já uma vez fiquei muito estupefacto por causa de uma crítica anónima sobre o Georges Bataille, que era de um pacovinismo imenso e intolerável. Somos todos iguais e somos todos diferentes. FAR
Ok. O Debord não era etílico, era alcoólico. O seu sucídio, segundo o que se tem dito e escrito, está relacionado com esse facto. Quanto às mulheres que ele conheceu, isso é coisa do domínio público tal como os "Comentários Sociedadade do Espectáculo". A Alice assume-se como viúva, mas ela é fundamentalmente a gestora da herança que ele deixou, designadamente a correspondência que já vai no tomo 5 e que inclui muita coisa sobre Portugal de Abril,v.g. as cartas ao Afonso Monteiro e referências pouco elogiosas ao Chico Alves.
Como é evidente o senhor Franco Nogueira não é para aqui chamado.
Gato escondido com o rabo de fora... No meio disto tudo, o videirinho sr. zémaria desceu a terreiro... para defender a tese peregrina de que o blogue se estava a "endireitar". Num arrazoado malsão e nauseabundo, tenta comparar a influência de Debord com a de Franco Nogueira no terreno das literatices. E como tem horror ao sexo e aos prodígios do erotismo- executivo de propriedade privada a sete chaves...-descamba num torrencial de impropérios que o desclassificam e rebaixam... ao nível do pior dos anónimos que temem o fulgor dos corpos no Verão... Isto anda tudo ligado:quem tem medo compra um cão para guardar a dona...
Homem, o mundo só será feliz quando o ultimo dos castrados for esganado por vontade própria e masoquista. FAR
Senhor Ribeiro
Quem perde a razão...perde a razão.
Ass. Alpedrinha
O Doutor zemari@ continua a escrever com enorme talento e transcendente argumentação. Nem o Júlio Dantas, nem mesmo o Conde d'Abranhos conseguiriam chegar-lhe aos calcanhares. Bem haja!
Não posso acreditar! Já uma vez vi escrito por don. Zemaria as maiores barbaridades e desafectos contra o Negri. Nessa altura ainda invocou uma bibliografiazinha... Agora, pelo que se percebe, meteu-se a defender o indefendável e confunde perversamente Franco Nogueira com o must do radicalismo transcendental, Guy Debord. O que constitui para mim um crime irremissível e imperdoável: é como discutir futebol e não se saber quem é o Pelé ou o Garrincha.
Bem, se não sabe, ou pede para saber, ou fica calado e vai procurar... na Einaudi ou na Universalis. Ou demanda o Google: como diz com verve o distintissimo VPV... FAR
Senhor Ribeiro, penitencio-me por ter falado de "razão" no meu comentário anterior porque, é do domínio público, que V. Senhoria não tem Razão quanto mais ter alguma vez razão.
Assim como sei de saber feito que não tem ética nem moral.
Mas não é por princípios ideológicos.
É porque é...
Sou quase sexagenário, não tenho grandes medos (quem não deve, não teme) e não receio o futuro. Venha ele!
Por isso, estrebuche para aí em posts e comentários "cheios" de vácuo, que eu lido os ignorantes ignorando-os
Sr. Zemaria: Não mude de assunto mais uma vez,se faz favor...Interpelou- a passar recados- uma matéria que desconhece, de todo em todo.Fê-lo da forma mais baixa e soez que existe: deitando poeira(s) para os olhos dos incautos e alardeando uma preocupação pelas investidas da direita arcaica.
Eu não o conheço de lado nenhum: vi-o duas ou três vezes à distância. Um energúmeno da sua igualha tentou envolver-me numa estória, sem pés nem cabeça, como esse cavalheiro as sabia fazer...à falsa fé, no tempo em que lhas permitiam. Mais tarde esse sugeito penitenciou-se disso para comigo.
E o sr. permitiu-se ir contá-la para o Costa Afonso, que, claro, nunca(ele) acreditou nessas patranhas e pilhérias de idiota ou mentecapto: o sr.atreveu-se a passar uma cabala, essa é que é essa. E 15 anos depois vomita-a.O que é
o cúmulo da baixeza. E da ignomínia.Para tapar a congénita fraqueza da sua ideologia e discurso, que se alimenta de parcerias de mediocres e renegados, resolve (re)atirar com estórias de sedição tinhosa e incongruentes. Com castrados e oportunistas de baixa tigela não quero mais nada: você anda há 9 meses a fazer que escreve no blogue, só diz estalino-calinadas de saldo piroso e tenta rebaixar o trabalho e esforço honesto dos outros. O seu falso populismo vive da ignorância das questões de base mais elementares, como é por demais evidente. E depois aquela pose de " Zorro " enciclopédico é mesmo o fotomaton da sua pequenez e senilidade... Cresça e apareça: tipinhos do seu quilate trituro-os ao pequeno-almoço. FAR
Sobre essa estória:
Eu " fugi " dessa editora com parte do "staff" comercial e alberguei amigos sem hesitar e arrostando com uma pesada censura social,daí o sem-sentido da cabala tecida em noite de infortúnio por um delirante amigo em crise de identidade grave.Não tinha compromissos com ninguém, nem nunca tive razões para impedir colocações,fosse para quem fosse. Na primeira oportunidade, bati com a porta e " fugi " com elementos indispensáveis para os proprietários.
Sr. Zemaria: Se o senhor anda a achincalhar os sentimentos das pessoas, se tenta minimizar a grandeza e loucura de quem, contra a ortodoxia capitalista mais rigorosa, tentou engajar individualidades presas ao consumo de drogas, foi traído- mas aí já não está em causa qualquer tipo de racionalidade- e , variadíssimas vezes, dá como índice de valor e qualidade a real qualidade intelectual das ditas, o sr. tem-se que haver comigo, frontalmente, quando o azar do calendário o ditar.
Nunca pensei que por uma vaginazinha, e misérias subsequentes, se descesse tão baixo e com tão miseráveis e ineptos comparsas. Passe bem. FAR
topic25, [url=http://www.chop.edu/forum/user/profile/8207.page]buy klonopin no prescription[/url], ;-( ity, http://www.chop.edu/forum/user/profile/8207.page buy klonopin without prescription ;-(, [url=http://www.chop.edu/forum/user/profile/8208.page]buy xanax 2mg[/url], :-) ivw, http://www.chop.edu/forum/user/profile/8208.page purchase xanax 2mg *sorry*, [url=http://forum.cprs.ca/default.aspx?g=posts&m=6]order adipex[/url], :-) twf, http://forum.cprs.ca/default.aspx?g=posts&m=6 order adipex :-), [url=http://forum.cprs.ca/default.aspx?g=posts&m=7]alprazolam no prescription[/url], ;-( bfb, http://forum.cprs.ca/default.aspx?g=posts&m=7 cheap alprazolam :-), [url=http://forum.cprs.ca/default.aspx?g=posts&m=8]order ambien no prescription[/url], :-) dee, http://forum.cprs.ca/default.aspx?g=posts&m=8 ambien no prescription ;-(
Publicar um comentário