O Sobe e Desce
IN Contra todas as expectativas, o ministro das Finanças admitiu que o Governo pode não aplicar o aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos previsto no Orçamento de Estado para 2006. Justificou esta medida dada a conjuntura dos mercados petrolíferos. Enquanto ela se mantiver, não se aumenta. Os partidos da direita já manifestaram o seu apoio e da esquerda ainda não ouvi nada. Em Janeiro deste ano, só com o aumento em 2,5% da taxa do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (IPP), o governo gerou 210 milhões de euros de receita.
= Há quem continue a afirmar que as SCUTS vão todas ter portagens em breve. Quem apostou no aumento do IPP já falhou. Ganhará aqui? Não percebo porque a razão a direita aplaude o não aumento do IPP e reclama portagens nas SCUTS. Não são todas receitas para combater o défice? Até agora o que se sabe é que está em curso um estudo sobre o novo modelo de financiamento da rede rodoviária. Deverá estar concluído este ano. Mário Lino disse na altura (finais de 2005) que o actual modelo das Scut não seria alterado enquanto as condições económicas e sociais se mantivessem e desde que não houvessem vias alternativas. Acreditar ou não, eis a questão.
OUT A lei das Rendas está para mudar e a maioria das pessoas ainda não percebeu como é que essa mudança lhe vai afectar a vida. Até agora o governo ainda não conseguiu passar uma ideia clara sobre as mudanças. Noticias contraditórias e declarações avulsas só estão a gerar mais confusão. É importante que todas as questões relacionadas com o novo regime do Arrendamento Urbano, diplomas complementares e o Regime Jurídico das Obras em Prédios Arrendados sejam esclarecidas, de forma clara e simples. Porque vai mexer com a vida de muitos milhares de pessoas. Se por um lado há que inverter rapidamente a tendência da degradação do parque habitacional, não se pode esquecer que há que criar soluções para milhares de famílias, muitas delas constituídas por pessoas muito idosas e com parcos rendimentos. Não penso que deva ser o mercado a resolver o problema, porque se trata de um problema social que envolve uma franja etária muito vulnerável. Esse ónus é do governo, que deve aclarar as linhas gerais das novas relações jurídicas que vão surgir. Mas, ao que parece, a confusão vai-se instalando, excepto para os iluminados do Direito.
14 comentários:
António Oliveira: portajar as scuts tem incidência na despesa e não na receita. Para o caso de não se ter apercebido, as scuts são pagas! Não exclusivamente por quem as usa, mas por todos, através dos impostos. Percebeu agora? Em economia, a primeira lição é: não há almoços gratis. Fixe isto, que ajuda sempre a compreender esta e muitas outras coisas. Mas claro que enqanto você reduzir o debate das questões em apreço a um ringe de boxe onde se defronta a esquerda e a direita, ou os partidos que supostamente representam esses espaços políticos, não há maneira. Portajar as scuts significará libertar o Estado de qualquer coisa, se a memória não me falha, como 800 milhões de euros por ano, em velocidade de cruzeiro. Julgo que algo já próximo da quase totalidade do orçamento do Minsitério das Obras Públicas. Percebe então que portajá-las não é uma questão de esquerda ou direita, mas de aritmética?
Jó
De aritmética? Tipo, 2+2=5?
Um abraço.
Wellcome bros.
Jó
Custa-lhe muito aceitar que possa haver alguma solidariedade para com regiões mais desfavorecidas, com níveis de desenvolvimento muito baixo?
Lembro-me de uma primeira página do Expresso há tempos em que divulgava um estudo segundo o qual em 2050 (?) a esmagadora maioria (4/5)da população portuguesa vivia na grande Lisboa.
Basta ver a evolução demográfica para perceber que essa situação pode ser uma realidade.
Para evitar que isso aconteça, não considera a solidariedade um bom argumento? E não se deve atacar o problema já?
Tem custos, mas é para isso que serve um governo. Governar.
António: não me custa nada aceitar que haja solidariedade com as regiões mais desfavorecidas. Mais: eu considero que dos problemas mais graves que existem neste país é a desertificação do interior, que põe em causa mesmo... o país. Com Trás-os-Montes, Beira Interior, Alentejo sem gente e sem vida Portugal deixa de ser Portugal. Dito isto, resta que o programa das scuts é incomportável financeiramente. Quando os volumes de despesa que ele implica atingirem - julgo que já em 2007 - o pico e a entrada em velocidade de cruzeiro prevista, alguém vai ter de mandá-los para o lixo porque não são sustentáveis. Acrescento-lhe que de tal maneira sou favorável à solidariedade com as regiões desfavorecidas que é essa mesma a razão por que me oponho totalmente à regionalização, que tenderia a reter os impostos nas regiões que os geram, as mais ricas, ficando o Estado sem possibilidades de redistribuir. Acredite: nada me aflige mais neste país do que as assimetrias de desenvolvimento regional, essa doença que está a dar cabo deste rectângulo com quase nove séculos.
Nesse caso a solução passa por criar redes viárias alternativas para essas zonas, o que não acontece.
Obrigar por decreto a pagar os utilizadores a pagarem portagens é o caminho mais fácil e mais popular politicamente. Basta ver que a maioria das pessoas vivem nas grandes cidades e não simpatizam muito com o princípio do utilizador-pagador. Solidariedade é algo que habitualmente lhes passa ao lado.
Penso que a racionalização da despesa pode vir de outros lados, pois o desperdício ainda é uma prática no corrente aparelho de Estado.
Essas regiões não vão ter nenhuma OTA e o TGV se passar por lá, não pára. É dificil criar pólos de desenvolvimento porque o mercado não está lá. Levar os produtos aos grandes mercados tem custos acrescidos e perde-se na competitividade.
Não considero um crime de lesa-magestade defender a isenção de portagens nessas regiões. Costumo ir a algumas delas ao longo do ano e cada vez me convenço mais que é uma boa medida.
Por lá são poucos a defenderem o principio do utilizador-pagador. Só mesmo aqueles que levam a disciplina partidária muito a sério.
Depois de ler o post atentantamente e as preocupações reflectidas nos comentários, nomeadamente no que diz respeito à perspectiva de Lisboa poder vir a ter 4/5 da população em 2050, tenho uma proposta a fazer: colocar portagens nas SCUT's à entrada de Lisboa com valores incomportáveis para a maioria dos portugueses. 10.000 Euros, que tal?
Ficariam isentos do pagamento de portagem os ucranianos, bielorussos e moldavos.
Que prazer me dá ver (ler) os manos, por aqui! Beijinhos
Beijinho mana!
Por curiosidade, fui ver a despesa orçamentada ESTE ANO no Ministério das Obras Públicas, Transportes e não sei que mais. Incluindo as verbas do PIDDAC (traduzo: Plano de Investimentos e Desenvovimento da Administração Central), é actualmente de 925 milhões de euros. A uma verba algures entre 700 e 800 milhões de euros por ano, sobrarão no futuro (já em 2007, creio) ao dito Ministério 125 milhões de euros, depois de pagas as scuts. Deve dar para cada autarca fazer meia rotunda por quinquénio. Oh António! 2+2=5?
O post anterior é do jó. Não gosto de anonimato. Foi erro.
Temos muitos e bons econmistas... Joao ferreira do Amaral, o Cravinho, o Medina Carreira e os colunáveis do Diário Económico, Jornal de negócios, Expresso e Público. Temos uma Imprensa económica muito fulgurante e com longos anos de activo. Para quê reduzir as coisas a brincadeira? O blogue ressente-se disso. É como na economia, se se perde a confianca tudo comeca a cair. Depois há mil e um factores de intervencao.Fitoussi, o encartado economista do Le Monde, frisa: " As desigualdades afectam o funcionamento das nossas sociedades em três planos: o primeiro é o de constituir uma nova segregacao social; a transformacao do sistema produtivo em dois campos dirigidos para a grande massa de indiferenciados e outra dirigida para uma procura baseada mais sobre a qualidade do que sobre os precos.Mas, acima de tudo, uma subida formidável dos servicos com uma exigência também enorme de diferenciacao e de qualidade. A terceira cria uma frutracao crescente da sociedade, porque as desigualdades actuais estao muito mais aleatoriamente distribuídas que outrora ". J-Paul Fitoussi, l´ideologie du Monde- Chroniques d´economie politique, Edition Le Monde/ l´Aube, Jan. 2004. FAR
Sou a favor do pagamento das portagens em todas as Scuts, em todo o país, sem excepções. Custos de manutenção e de conservação: pagam-se. Alguém paga.
A tipificação da “ região desfavorecida “ não existe, apesar de serem visíveis as desigualdades no investimento promovido pelo poder central. ( Nestas desigualdades estará o cerne do problema, outra discussão.)
Beneficiar as chamadas regiões desfavorecidas é acabar por cair na armadilha dos interesses partidários ou outros, que falarem mais alto. Estou mesmo a ver: os interessados vão clamar pelo não pagamento da Via do Infante, da A23, entre outras…
Esconder uma injustiça com outra injustiça?
Interessante o tema das actuais desigualdades e a aleatoriedade da sua ocorrência, citado por FAR. Ficará para outra altura.
Jó
Contra dados desses só posso contrapor com outros dados, que não tenho. Mas vou investigar e direi algo em futuros capítulos.
No entanto, espero que Sócrates mantenha a palavra em relação às SCUTS e não volte com o bico ao prego como já fez com os impostos. Com muito dinheiro qualquer um é bom gestor. O bom governante é aquele que sabe gerir bem em tempo de vacas magras, salvaguardando o interesse público e a justiça social.
Oi, isso é o Salazar, incluindo «o interesse público e a justiça social»...
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