É preocupante ficar a saber que a maioria das notícias que lemos nos jornais não é fruto de investigação jornalística. Mas mais preocupante é saber que elas nos são “impostas” por mãos misteriosas. De acordo com o Expresso de hoje “cerca de 70% das notícias publicadas nos jornais portugueses têm como origem as agências de informação ou os gabinetes de Imprensa”. Este estudo da agência Emirec revela que os jornais estão a por de lado a sua função de mediadores directos entre as fontes e os seus leitores. Se este panorama é negro, valeria a pena saber o que se passa nas nossas televisões. Aqui, aposto que a percentagem de notícias corta e cola é maior, uma vez que a investigação jornalística é mais reduzida do que nos jornais. Ou seja, praticamente não existe e as excepções apenas vêm apenas confirmar a regra. As notícias que enchem os diversos telejornais ao longo do dia têm a sua origem habitualmente nas manchetes dos jornais. Basta ver as primeiras páginas dos diários e semanários e compará-las com os destaques noticiosos nas televisões. Na origem deste problema poderá estar, por um lado, o facto das direcções de informação aceitarem o espartilho financeiro imposto pelas administrações. É óbvio que uma investigação sai mais cara do que reciclar uma notícia, ainda por cima, e de acordo com o estudo, quando tem a sua origem nas chamadas fontes organizadas de informação. Mas por outro lado, vem ao de cima o carreirismo de muitos responsáveis redactoriais, sem coragem de incomodar directamente o poder, sob pena de “encalharem” na sua carreira profissional devido a razões que só Deus sabe. A falta de coragem e ambição são confrangedoras. Será daqui que advém a sensação de vazio que os noticiários televisivos cada vez mais nos provocam? Volto de novo à notícia do Expresso. A investigação compreendida entre 2000 a 2005 de Vasco Ribeiro, que tem como base o JN, DN, CM e Público, revela que 73,5% das notícias analisadas são provenientes de assessorias de Imprensa do Governo, das autarquias e agências de informação.
Seria a isto que Manuel Maria Carrilho se referia no seu livro?
4 comentários:
E não só pela preguiça, pela avarez.
Também propaganda encapotada.
Não vejo razão ara tanto choque... Preocupantes são as manchetes fabricadas do Expressso. Olaréu!
O que é mais que incrível é que aquilo que toda a gente sabe desde há muito seja hoje manchete e que amanhã continue tudo na mesma, excepto para as agências, que passarão a ter ainda mais clientes.
A juntar a isso tudo ainda temos a famosa "linha editorial" que permite às administrações impor um controlo politico sobre o que é publicado
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